De “onde” você tirou esse desvio?

Tenho sofrido muito em correções de textos e confesso que essa tarefa a mim confiada deixou de ser prazerosa, uma vez que o pronome relativo “onde” – há tempos –  está no linguajar e na escrita de muitos sem um pingo de parcimônia.

O uso dos pronomes relativos e a sua adequada identificação nas orações são uma das grandes dificuldades dos adultos e dos adolescentes. Por ignorarem as relações sintáticas que regem o uso e o sentido por eles expressos, principalmente no vocábulo “onde”, incorrem-se desvios de “partir o coração” dos amantes da Língua Portuguesa.

Nesse sentido, a palavra “onde” somente pode ser usada para substituir substantivos que denotem ideia de lugar. A exemplo disso, “a cidade onde moro é linda (está certo), mas “a situação onde a pessoa deveria pedir desculpas” (está errado). O correto seria “a situação em que ou na qual a pessoa deveria pedir desculpas.”

Na língua culta, escrita ou falada, se não houver indicação substantiva de espaço, use as expressões “em que”, “na qual”, “no qual”, “nas quais” ou “nos quais”. Portanto, repita comigo em voz alta: Onde, só para lugar!

Amém?

Se liga na língua!

Beijo

Valeska Salgado é professora de Língua Portuguesa e Redação, graduada em Letras pela UNIP, bacharel em Direito pelo Instituto Vianna Júnior e proprietária do VPS Foco Multicursos em Bicas.

Você já deu os parabéns a alguém hoje?

Todos os dias, pessoas aniversariam e, com a praticidade do WhatsApp, Facebook e Instagran, ninguém mais fica sem aquela “chuva de parabéns” em seus smarthphones. Mas, a pergunta é: Você parabeniza seu coleguinha de forma adequada? Usa a vírgula para separar o vocativo da saudação?   

Vale lembrar que a palavra vocativo vem do latim vocare (chamar). Pertence à família de vocação (chamamento da alma) e não faz parte dos termos essenciais, integrantes ou acessórios da oração. Por isso, vem sempre – sempre mesmo – separado por vírgula.

Quando acontecer, portanto, aquela data importante, na qual é chegada a hora de dar os parabéns, use a vírgula para separar o vocativo. Evite usar “Parabéns meu amigo (sem vírgula) e aproveite a dica para utilizar “Parabéns, meu amigo” (com vírgula). Isso lhe confere intimidade com a pessoa e, sobretudo, com o nosso idioma.

Se liga na língua!

Beijo.

Não deixe que a redundância acabe com a sua “promoção”

Hoje a dica vai para você, dono de comércio ou de empresa prestadora de serviços que usa o recurso das promoções, a fim de atrair uma legião de clientes satisfeitos. Imersos ao mundo digital, sabemos que a propaganda é a alma do negócio bem antes do advento da internet.

Ainda que as suas promoções e os seus produtos sejam muito tentadores, se mal propagandeados, podem dar aquela “desanimada” naqueles que estão atentos ao bom emprego da Língua Portuguesa.

A exemplo disso, nunca escreva “Na compra de uma pizza, receba um refrigerante inteiramente grátis”. O adjetivo grátis significa de graça, sem custo. Não há como uma coisa ser “meio grátis”. Daí a redundância do advérbio “inteiramente” que tem como seu antônimo o vocábulo “parcialmente”. Quem, em sã consciência, ofereceria ao freguês metade de uma coca-cola na compra de um pizza? Pense no desapontamento deste consumidor e o quanto ele pode se sentir enganado ao perceber o pleonasmo.

Portanto, ofereça algo grátis e, NUNCA, inteiramente grátis ao seu cliente.

Se liga na língua!

Beijo.  

Deixem o “mesmo” descansar!

Houve um tempo em que o advérbio menos era usado erroneamente e sem moderação. Existiam “menas” pessoas nos lugares e “menas” meninas participavam do futebol. Quem não conhecia, de fato, a norma-padrão incorria nesse desvio para desespero de quem dominava as regras de concordância nominal. Ocorre que esse advérbio, invariável por natureza, cansou-se. Foram tantas as repreensões, tantos os protestos e os deboches, que ele acabou virando “meme” e já faz parte das funcionalidades do “Story Instagram” na redes sociais. Todos, agora, pensam duas vezes, antes de verbalizar ou escrever essa aberração vocabular. O “seje menas” viralizou para a nossa alegria.

No entanto, tenho visto avisos em aplicativos, em memorandos, em ofícios e (pasme) em peças jurídicas, o pronome demonstrativo “mesmo” sendo usado na retomada de palavras, como se fosse pronome pessoal. Um exemplo clássico desta inadequação é o aviso do “elevador com defeito que virou norma em um município paulista e motivo de piada entre os gramáticos:

 “Antes de entrar no elevador, verifique se o ‘mesmo’ encontra-se parado no andar”. O correto seria: “Antes de entrar no elevador, verifique se ‘ele’ encontra-se parado no andar.”

Acho muito deselegante corrigir o português mal escrito e mal falado de quem quer que seja. Dessa maneira, usarei deste espaço para fazê-lo com muita distinção e respeito.

Nunca retome palavras com as expressões “o mesmo”, “a mesma”, “os mesmos” e “as mesmas’, como na frase: “O aluno não fez a prova, pois o mesmo está gripado.” Além de tosco, o desacerto denuncia visivelmente uma falta de intimidade com a Língua Portuguesa.   

A verdade é que o “mesmo” está exausto! Ele quer virar “meme” também e se aposentar de uma vez por todas. Portanto, leitor amigo, deixe o pronome mesmo descansar! Amém?

Se liga na língua!

Beijo.