Ferreira da Fonseca – Antonio Ferreira Martins – Parte I

Como ficou dito no artigo anterior ainda existem algumas lacunas relativamente à história de José Ferreira da Fonseca e Ana Pereira de Souza, pais de Antonio Ferreira Martins.  Semelhantes falhas ocorrem também na história do próprio Antonio, de quem se conhece um pouco mais sobre a sua vida adulta, como proprietário da Fazenda da Serra e quase nada sobre a sua infância e juventude.

A partir desta realidade o encontro de hoje propõe reunir numa sequência lógica os fatos e dados a que já se teve acesso para tentar, a partir daí, resgatar um pouco mais sobre a vida deste antepassado. E o ponto de partida natural, embora ainda contaminado por dúvidas, será o seu dia e local de nascimento.

Apoiado na informação da lápide de seu túmulo no cemitério de Maripá de Minas (MG) tem-se que Antonio nasceu em 12.02.1832. Ocorre que no Boletim do Recenseamento da População, de 31.12.1890[1], ao que parece preenchido por ele, Antonio declara contar com 56 anos, o que leva a concluir que teria nascido em 1834. Uma data que se choca com a informação de que ele teria falecido em 29.06.1921, aos 90 anos,  indicando que o nascimento teria ocorrido em 1831.

Por declaração do próprio, no mesmo Boletim de Recenseamento, ele seria natural de Juiz de Fora (MG).

Esta informação também sucita dúvida. Porque segundo Waldemar de Almeida Barbosa, no seu Diconário Histórico Geográfico de Minas Gerais, Editora Itatiaia, BH/RJ, 1995, p. 178, “até 1836 não havia povoado algum na margem direita do Paraibuna, onde depois surgiu o arraial (Juiz de Fora).” E acrescenta o mesmo autor que foi neste ano de 1836 que o Dr. Henrique Guilherme Fernando Halfeld contratou com o governo a abertura de um caminho partindo da Vila Rica até o Paraibuna. E que teria sido o leito deste caminho o local onde teve início  o povoado.

Diante disto parece mais prudente afirmar que Antonio, nascido antes de 1834, provavelmente seria natural de Barbacena, que naquela época era a primeira vila existente no caminho que vinha do Rio de Janeiro para as Minas Gerais. E que não se esqueça o eventual leitor que o avô de Antonio – Felisberto Ferreira da Fonseca, faleceu e teve seu inventário aberto em Mar de Espanha (MG) e sua esposa Joanna Maria da Conceição[2], diferenciada de sua genitora pelo numeral II (Joanna Maria da Conceição-II) também parece ter vivido na região, conforme documento[3] de 08.06.1881 assinado em Brumadinho[4] por Manoel Ferreira da Fonseca[5], um dos irmãos de José Ferreira da Fonseca, pai do Antonio.

[1] Boletim do Recenseamento da População de 31.12.1890 do arquivo da Fazenda da Serra.

[2] Em (http://deportugalparaeugenopolis.blogspot.com.br) “EUGENÓPOLIS – SUA HISTÓRIA COMEÇA, AQUI”, blog da professora Stela Dalva, consta: “Joana Maria da Conceição, nasceu em Barbacena, se casou no mesmo dia da irmã Josefa, em 12/06/1804, com Felisberto Ferreira da Fonseca, natural de Prados, filho do Capitão João Ferreira da Fonseca e de Ana Jacinta da Conceição. As testemunhas do casamento foram: Francisco Ferreira Armond e Francisco Ribeiro Nunes. Tiveram 12 filhos. Tinham 20 cativos. Felisberto faleceu em 08/05/1880 em Bom Sucesso (MG), segundo anotações de Sabino Francisco de Barros e, segundo seu inventario, faleceu em 1861.”

[3] Documento do arquivo da fazenda da Serra que se transcreve obedecendo a grafia original: “Recebi de meo sobrinho João Pires de Mendonça, uma clareza (ilegível) de sinco contos sete centos e vinte mil réis passada a mim no dia 20 de julho de 1880 compreendendo na dita a repoziçam que meo sobrinho Antonio Ferreira Martins tinha de me fazer na partilha que fez nos bens deixados de minha finada mai D. Joanna Maria da Conceição, ficando o dito Martins dezinorado de me fazer a dita reposição, mais sim fazela ao dito João Pires, e por esta forma fica esclarecido. Brumadinho, 8 de junho de 1881 Manoel Ferreira da Fonseca”. O citado sobrinho, João Pires de Mendonça, provavelmente era filho de Eufrásia Joaquina da Conceição c.c. José Francisco Mendonça Pires.

[4] Segundo Gabriel Afonso Vieira Chagas, em e-mail de 08.10.2012, o Brumadinho aqui referido é, na verdade, uma fazenda em Brumado do Suassui, atual Entre Rios de Minas (MG), nas proximidades de Congonhas do Campo (MG).

[5] No documento de 08.06.1881, de próprio punho e assinado em Brumadinho por Manoel Ferreira da Fonseca, irmão do José Ferreira da Fonseca, declara ter um sobrinho de nome João Pires de Mendonça.

É certo que Antonio casou-se em 1863 em primeiras núpcias com sua prima[1] de primeiro grau, Luiza Maria da Conceição, nascida antes de 10.01.1846, dia do seu batismo e, falecida a 19.01.1909, carinhosamente chamada “Dinha”, filha de Manoel Ferreira da Fonseca e Maria Romana.

Registre-se que Luiza Maria teria nascido em Barbacena, segundo o traslado de escritura de compra e venda de 08.02.1910, lv. 15 fls. 41 a 42v. do cartório de Guarará. E que no Boletim de Recenseamento citado ela aparece com a idade de 45 anos, indicando seu nascimento em 1845. O que faz sentido se considerada a informação colhida por Gabriel Afonso Vieira Chagas, em e-mail de 08.10.2012, de que “Aos 10 de janeiro de 1846 o reverendo Gonçalo Ferreira da Fonseca batizou e pôs os óleos santos a Luiza, filha legítima de Manoel Ferreira da Fonseca e dona Maria Romana. Foram padrinhos João Ferreira da Fonseca e Rita de Cássia.”.

Antonio e Luiza Maria se casaram por volta de 1863, considerando o nascimento do filho mais velho do casal.

Com ela, segundo o mesmo Boletim citado, Antonio teve nove filhos – seis homens e três mulheres – sendo que três do sexo masculino já estavam falecidos em 1890. Dos seis restantes são as descendências que mais adiante se vai comentar.

Após o falecimento da primeira esposa, em 19.01.1909, Antonio casou-se com Maria do Carmo Pires Leite (1842/1928)[2] e desta união não deixou filhos.

Pelo diploma de eleitor geral de 05.10.1876 foi o 14º eleitor mais votado no município de Mar de Espanha, na paróquia do Espírito Santo. Em 1885 pertencia ao corpo eleitoral de 9º distrito na freguesia do Espírito Santo[3]. E em correspondência[4] de 01.09.1886 seu filho Reynaldo Ferreira da Fonseca informa que Antonio possuía o título de Alferes.

Antonio Ferreira Martins faleceu a 29.06.1921 em Maripá de Minas (MG).

[1] Carta manuscrita datada de 24.06.1902 encontrada no arquivo da fazenda da Serra, assinada por Lino Ferreira da Fonseca, informa que o missivista era primo e cunhado de Antonio.

[2] Árvore Genealógica de Bertholdo Garcia Machado, organizada por Celeine, Carlos Augusto e Olívia – Bicas (MG).

[3] Almanaque de Leopoldina, publicado por volta de abril de 1885.

[4] Do mesmo arquivo da fazenda da Serra.

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[1] Boletim do Recenseamento da População de 31.12.1890 do arquivo da Fazenda da Serra.

[1] Em (http://deportugalparaeugenopolis.blogspot.com.br) “EUGENÓPOLIS – SUA HISTÓRIA COMEÇA, AQUI”, blog da professora Stela Dalva, consta: “Joana Maria da Conceição, nasceu em Barbacena, se casou no mesmo dia da irmã Josefa, em 12/06/1804, com Felisberto Ferreira da Fonseca, natural de Prados, filho do Capitão João Ferreira da Fonseca e de Ana Jacinta da Conceição. As testemunhas do casamento foram: Francisco Ferreira Armond e Francisco Ribeiro Nunes. Tiveram 12 filhos. Tinham 20 cativos. Felisberto faleceu em 08/05/1880 em Bom Sucesso (MG), segundo anotações de Sabino Francisco de Barros e, segundo seu inventario, faleceu em 1861.”

[1] Documento do arquivo da fazenda da Serra que se transcreve obedecendo a grafia original: “Recebi de meo sobrinho João Pires de Mendonça, uma clareza (ilegível) de sinco contos sete centos e vinte mil réis passada a mim no dia 20 de julho de 1880 compreendendo na dita a repoziçam que meo sobrinho Antonio Ferreira Martins tinha de me fazer na partilha que fez nos bens deixados de minha finada mai D. Joanna Maria da Conceição, ficando o dito Martins dezinorado de me fazer a dita reposição, mais sim fazela ao dito João Pires, e por esta forma fica

esclarecido. Brumadinho, 8 de junho de 1881 Manoel Ferreira da Fonseca”. O citado sobrinho, João Pires de Mendonça, provavelmente era filho de Eufrásia Joaquina da Conceição c.c. José Francisco Mendonça Pires.

[1] Segundo Gabriel Afonso Vieira Chagas, em e-mail de 08.10.2012, o Brumadinho aqui referido é, na verdade, uma fazenda em Brumado do Suassui, atual Entre Rios de Minas (MG), nas proximidades de Congonhas do Campo (MG).

[1] No documento de 08.06.1881, de próprio punho e assinado em Brumadinho por Manoel Ferreira da Fonseca, irmão do José Ferreira da Fonseca, declara ter um sobrinho de nome João Pires de Mendonça.

[1] Carta manuscrita datada de 24.06.1902 encontrada no arquivo da fazenda da Serra, assinada por Lino Ferreira da Fonseca, informa que o missivista era primo e cunhado de Antonio.

[1] Árvore Genealógica de Bertholdo Garcia Machado, organizada por Celeine, Carlos Augusto e Olívia – Bicas (MG).

[1] Almanaque de Leopoldina, publicado por volta de abril de 1885.

[1] Do mesmo arquivo da fazenda da Serra.

Ferreira da Fonseca – E agora, José?

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, (sua gente cresceu). E agora, José?
José, para onde? Quer ir para minas. Minas não há mais. José, e agora?
Da música de Paulo Diniz

Agora é a vez de José – José Ferreira da Fonseca, nascido a  03.08.1807 e batizado no dia 09 do mesmo mês. Pai do Antonio Ferreira Martins. Que, segundo informações verbais colhidas em depoimentos de familiares mais antigos e não confirmados por documentos, teria sido casado com Ana Pereira de Souza de cuja união não se tem notícia da existência de outros filhos.

De início, para que não se perca o fio da meada, é bom lembrar que em publicações anteriores neste Jornal já se falou que Felisberto Ferreira da Fonseca e Joanna Maria da Conceição-II, pais de José, se casaram 12.06.1804, em Barbacena (MG). Desta informação se pode deduzir, então, ser ele um dos filhos mais velhos do casal.

Mais para trás, nestes artigos, mencionou-se os antepassados deste mesmo casal, mostrando que pelo lado paterno José descendia de Manoel Coelho e Helena da Cruz, que por sua vez eram os pais de Antonio Coelho Valadão, batizado em 25.04.1680, na Ilha Terceira, no Aquipélago dos Açores. E, pelo lado materno, até onde se conseguiu apurar, descendia de Francisco Ferreira Armond, também nascido na mesma Ilha Terceira, o que justifica a afirmativa de ser ele descendente de açorianos.

Esse Antonio Coelho Valadão casou-se com Margarida de São João e teve pelo menos a filha Maria da Conceição. Esta, casou-se com João Ferreira da Fonseca-I e tiveram pelo menos o filho João Ferreira da Fonseca-II. Este João–II casou-se com Ana Jacinta da Conceição e tiveram pelo menos o filho Felisberto que se casou com Joanna Maria da Conceição-II.

Por parte de mãe José descendia de Francisco Ferreira Armond e Angela Maria Carmelo de quem é pelo menos a filha Ana Maria de Jesus  que se casou com Pedro de Paiva Coimbra, filho de João de Paiva e Maria Antonia. Ana Maria e Pedro de Paiva tiveram a filha Joanna Maria da Conceição-I que se casou com Francisco Ribeiro Nunes[1] e tiveram a filha Joanna Maria da Conceição-II[2] que se casou com Felisberto.

É sabido que Felisberto nasceu em Prados (MG), na região metalúrgica por volta de 1775 e, ao que tudo indica, migrou para a Zona da Mata onde faleceu antes de junho de 1856, possivelmente na fazenda Bom Sucesso, na Vila de Mar de Espanha, local onde foi aberto o seu inventário em 04.08.1856. Por este processo sabe-se que faleceu em terras de Mar de Espanha (MG), no local denominado Bom Sucesso, o que permite concluir seja a Fazenda Bom Sucesso que, por documentos posteriores, parece ter sido herdada por uma parte dos seus filhos, quando do inventário da esposa Joanna Maria-II.

[1] Museu Regional de São João Del Rei, ano 1828, caixa 28, testamento de 04.09.1818 onde constam os seus filhos e cônjuges, conforme registro do Projeto Compartilhar.

[2] Veja em “www.projetocompartilhar.org” Projeto Compartilhar, coordenação de Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira, testamento de Joana Maria da Conceição-II, transcrito por Edriana Aparecida Nolasco a pedido de Alda Câmara Bueno de Moraes.
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[1] Museu Regional de São João Del Rei, ano 1828, caixa 28, testamento de 04.09.1818 onde constam os seus filhos e cônjuges, conforme registro do Projeto Compartilhar.

[1] Veja em “www.projetocompartilhar.org” Projeto Compartilhar, coordenação de Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira, testamento de Joana Maria da Conceição-II, transcrito por Edriana Aparecida Nolasco a pedido de Alda Câmara Bueno de Moraes.

Joanna Maria-II, a mãe de José, nasceu em Barbacena (MG) por volta de 1783[1] e faleceu antes de 1866, tomando-se por base o fato de que nesse ano seu neto, Antonio Ferreira Martins, adquiriu frações de terras nas proximidades das fazendas Bom Sucesso e da Serra, em Maripá de Minas, que se imagina tenham sido fruto de herança por ela deixada.

Curioso observar que não se tem notícia da presença de José na região de Maripá de Minas. Embora seus pais, Felisberto e Joanna Maria-II, tenham sido fazendeiros por ali, segundo se deduz da leitura do seu inventário e partilha amigável acima referido.

Acredita-se que ele mantinha residência e ocupação na região metalúrgica, nas proximidades da antiga São Gonçalo da Ponte, atual cidade de Belo Vale (MG) de onde, em 1866, teria vindo seu filho Antonio Ferreira Martins para fundar a Fazenda da Serra, em Mariapá de Minas. Fato que não parece ser um pensar absurdo, se considerado que seu irmão, Manoel Ferreira da Fonseca, sogro do Antonio, residia em Brumado do Suassui, atual Entre Rios de Minas (MG) e outros parentes seus tinham estreitas ligações com a região de Belo Vale (MG) onde, inclusive, existe uma propriedade rural localizada à pequena distância do centro urbano que, desde antes de 1890, adota o nome de Fazenda Maripá.

Outro fato curioso é que José Ferreira da Fonseca, como outros irmãos, não aparece na relação de herdeiros na partilha amigável dos bens deixados pelo pai, Felisberto. Talvez porque já estivesse independente ou, por ter tido a sua parte na herança adiantada pelos pais ainda em vida.

Como se vê, muito ainda há para se pesquisar sobre este parente. Mas o artigo de hoje fica por aqui. A história dos Ferreira da Fonseca continua na próxima quinzena. Até lá.
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3 Cálculo feito a partir da relação dos habitantes do distrito de Nossa Senhora do Rosário do Curral Novo, em 1831, fogo 1, conforme Projeto Compartilhar, Coordenação de Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira, processo de Ana Maria de Jesus – Paiva Coimbra e Pereira da Cunha.

Entrelaçamentos de descendentes de Felisberto e Joana-II

Nas três relações do artigo anterior o eventual leitor pode observar que na primeira não constam os nomes de Rita e de José, os filhos mais velhos do casal Felisberto e Joanna Maria-II. E em duas delas não foi relacionado o casal Antonio Ferreira da Fonseca c.c. Vicência Jacinta da Conceição.

Explicar estas divergências é assunto que ainda merece mais pesquisas. Como também merece aprofundamento, o estudo sobre cada um dos filhos desse casal.

Mas existem assuntos que os documentos acostados nesta pesquisa e as descobertas por eles proporcionadas não deixam dúvidas. É o caso, por exemplo, dos entrelaçamentos dentre os filhos e demais descendentes do casal Felisberto e Joanna Maria-II, como se verá adiante.

Como ficou dito em artigo anterior a relação com a qual se trabalha neste estudo contempla os seguintes filhos e agregados do casal Felisberto e Joanna Maria-II: código A01 – Rita, nascida em 07.04.1805; A03 – José Ferreira da Fonseca, 03.08.1807 e batizado em 09 de agosto do mesmo ano, c.c. Ana Pereira de Souza, segundo informações verbais colhidas em depoimentos de familiares mais antigos; A05 – Mariana Euquéria de Almeida, 28.02.1809 c.c Leandro José de Almeida; A07 – Manoel Ferreira da Fonseca, 02.12.1810 c.c. Maria Romana; A09 – João Ferreira da Fonseca, 12.07.1812 c.c. Rita de Cássia; A11 – Antonio Ferreira da Fonseca c.c. Vicência Jacinta da Conceição; A13 – Eufrásia Joaquina da Conceição, 06.06.1818 c.c. José Francisco M. Pires; A15 – Maria Thereza de Jesus, 08.02.1819 c.c. Anselmo José Machado; A17 – Anna Jacinta da Conceição, 13.03.1822 c.c. Fortunato Rodrigues Campos; A19 – Maria do Carmo de Jesus, 24.08.1824 c.c. Onofre Rodrgiues Campos; A21 – Joaquina Clara de Jesus, 19.05.1826 c.c. Pedro de Alcântara J. da Rocha; A23 – Luiza Maria de Jesus, 09.12.1829 c.c. Hilário Rodrigues Pereira; e, A25 – Francisco Ferreira da Fonseca, 09.01.1832 c.c. Carlota Marcília de Jesus.

Dentre estes parentes é sabido que o tio Francisco Ferreira da Fonseca (A25) e sua esposa Carlota Marcília de Jesus venderam para o sobrinho Antonio Ferreira Martins as terras que constituíram a Fazenda da Serra, em Maripá de Minas. E que a citada fazenda, segundo relatos esparsos, teria sido formada por Antonio a partir de “herança e compras diversas”, o que leva pensar que pelo menos parte das terras em seu derredor já pertencia à família.

Um caminho de pensamento que se confirma percorrendo-se os nomes dos vizinhos daquela Fazenda, em mapa com as suas divisas, ao que parece datado de 1882, onde se vai encontrar como seus confrontantes: Ritta Jacintha da Conceição, Antonio Ferreira da Fonseca, João Ferreira da Fonseca, Henriques Cezar de Souza, Joaquina Clara de Jesus e a fazenda Bom Sucesso, de propriedade do comendador Domiciano Monteiro de Rezende.

Destes vizinhos, Antonio Ferreira da Fonseca (A11), João Ferreira da Fonseca (A09) e Joaquina Clara de Jesus (A21) são filhos de Felisberto e Joanna Maria-II. Tios, portanto, de Antonio Ferreira Marints. E Ritta Jacintha, também parece pertencer à família Ferreira da Fonseca.

Escritura de 24.08.1889, encontrada nos arquivos da fazenda da Serra informa que Anselmo José Machado casado com Maria Thereza de Jesus (A15) vendeu cinco alqueires de terras na fazenda Bom Sucesso para Francisco Augusto Duarte. Tal fato mostra que Maria Thereza, mais uma tia de Antonio Ferreira Martins, também era proprietária na região. E a primeira escritura de compra e venda lavrada em Maripá, em 13.09.1890, informa que a Bom Sucesso confrontava com herdeiros de Anselmo José Machado e com Joaquina Clara de Jesus, mais dois tios do mesmo Antonio Martins.

Sabido e documentado está que Manoel Ferreira da Fonseca (A07) c.c. Maria Romana são os pais de Luiza Maria da Conceição, primeira esposa de Antonio Ferreira Martins. E, apenas como registro, vale lembrar que o casal Manoel e Maria teve pelo menos mais um filho, Lino Ferreira da Fonseca, que aparece em carta do próprio guardada no acervo da Fazenda da Serra.

De conhecimento dos familiares é, também, o fato de que Antonio Ferreira da Fonseca (A11) c.c. Vicência Jacinta da Conceição, são os avós de Christina Jacintha da Conceição, esposa de Avelino (Martins) Ferreira da Fonseca, um dos filhos de Antonio Ferreira Martins.

Outro laço dessa teia a unir estes parentes foi o casamento, em 28.09.1907, conforme certidão do cartório de Maripá de Minas, de Bertholdo Garcia Machado com Olívia Christina da Fonseca. Ele, bisneto do casal Maria Thereza de Jesus (A15) e Anselmo José Machado. Ela, neta do Antonio Ferreira Martins.

Certamente que outros entrelaçamentos ainda serão identificados no curso de novas pesquisas. Mas isto ficará para os próximos encontros aqui no Jornal. Por hoje, o espaço findou. Até breve.

O Tronco – Felisberto c.c. Joanna Maria

Em dois artigos anteriores e distintos falou-se dos antepassados de Felisberto Ferreira da Fonseca e de Joanna Maria da Conceição-II. Neste se vai tratar da descendência deste casal.

A história segue, então, contando que Felisberto e Joanna Maria-II casaram-se em 12.06.1804, em Barbacena e seus filhos/herdeiros e cônjuges foram encontrados em três relações distintas:

A primeira delas é a lista do Projeto Compartilhar[1], onde aparece como herdeiros do casal 01 – Mariana Enqueria de Almeida c.c. Manoel da Costa Ribeiro; 02 – Maria Romana c.c. Leandro José de Almeida; 03 – João Ferreira da Fonseca c.c. Rita de Cássia; 04 – Eufrásia Joaquina da Conceição c.c. José Francisco de Mendonça Pires; 05 – Maria Teresa de Jesus c.c. Anselmo José Machado; 06 – Ana Jacinta da Conceição c.c. Fortunato Rodrigues Campos; 07 – Maria do Carmo de Jesus c.c. Onofre Rodrigues Campos; 08 – Antonio Ferreira da Fonseca c.c. Vicência Jacinta da Conceição; 09 – Joaquina Clara de Jesus c.c. Pedro de Alcântara José da Rocha; 10 – Luiza Maria de Jesus c.c. Hilário Rodrigues Pereira; e, 11 – Francisco Ferreira da Fonseca c.c. Carlota Marcília de Jesus.

Outra relação está disponível em Blog Ferreira da Fonseca e foi acessada em 21.05.16. Nela estão os nomes a seguir: 01 – Rita; 02 – José; 03 – Marianna; 04 – Manoel; 05 – João Ferreira da Fonseca c.c. Rita de Cássia; 06 – Eufrásia Joaquina da Conceição; 07 – Maria Tereza de Jesus; 08 – Anna Jacinta da Conceição; 09 – Maria do Carmo de Jesus; 10 – Joaquina Clara de Jesus; 11 – Luiza Maria de Jesus (09.12.1829 -15.02.1910; e, 12 – Francisco Ferreira da Fonseca (09.11.1832).

Uma terceira lista de filhos do casal Felisberto e Joanna Maria-II é a de autoria da professora Stela Dalva na sua obra “EUGENÓPOLIS – SUA HISTÓRIA COMEÇA AQUI [2]“. Desta listagem constam: 01 – Rita (07.04.1805); 02 – José Ferreira da Fonseca (03.08.1807); 03 – Mariana Euquéria de Almeida (28.02.1809) c.c. Leandro José de Almeida; 04 – Manoel Ferreira da Fonseca (02.12.1810) c.c. Maria Romana; 05 – João Ferreira da Fonseca (12.07.1812) c.c. Rita de Cassia; 06 – Eufrasia J. da Conceição (06.06.1818) c.c. José Francisco de Mendonça Pires; 07 – Maria Thereza de Jesus (08.02.1819) c.c. Anselmo José Machado; 08 – Anna Jacinta da Conceição (13.03.1822) c.c. Fortunato Rodrigues Campos; 09 – Maria do Carmo de Jesus (24.08.1824) c.c. Onofre Rodrigues Campos; 10 – Joaquina Clara de Jesus (19.05.1826) c.c. Pedro de Alcântara José da Rocha; 11 – Luiza Maria de Jesus (09.12.1829) c.c. Hilário Rodrigues Pereira; e, 12 – Francisco Ferreira da Fonseca (09.01.1832) c.c. Carlota Marcília de Jesus.

Da análise destas três listas conclui-se que o casal Felisberto e Joanna Maria-II tiveram os filhos: A01 – Rita, 07.04.1805; A03 – José Ferreira da Fonseca, 03.08.1807[3] c.c. Ana Pereira de Souza[4];

[1] Veja em “www.projetocompartilhar.org” Projeto Compartilhar, coordenação de Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira, inventário de Felisberto Ferreira da Fonseca, transcrito e disponibilizado por Paulo Cezar Ribeiro Luz. Inventário e partilha amigável dos bens deixados por Felisberto Ferreira da Fonseca, ano 1856, arquivado no Fórum Dr. Geraldo Aragão Ferreira, de Mar de Espanha – MG.

[2]Veja em (http://deportugalparaeugenopolis.blogspot.com.br) “EUGENÓPOLIS – SUA HISTÓRIA COMEÇA, AQUI”, blog da professora Stela Dalva, antepassados de Luiza Maria de Jesus.

[3] Batizado no dia 09.08.1807.

[4] Embora careça de documentação porque surgiu a partir de informações verbais colhidas em depoimentos de familiares mais antigos, consta que a esposa de José Ferreira da Fonseca era Ana Pereira de Souza.

[1] Veja em “www.projetocompartilhar.org” Projeto Compartilhar, coordenação de Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira, inventário de Felisberto Ferreira da Fonseca, transcrito e disponibilizado por Paulo Cezar Ribeiro Luz. Inventário e partilha amigável dos bens deixados por Felisberto Ferreira da Fonseca, ano 1856, arquivado no Fórum Dr. Geraldo Aragão Ferreira, de Mar de Espanha – MG.

[1]Veja em (http://deportugalparaeugenopolis.blogspot.com.br) “EUGENÓPOLIS – SUA HISTÓRIA COMEÇA, AQUI”, blog da professora Stela Dalva, antepassados de Luiza Maria de Jesus.

[1] Batizado no dia 09.08.1807.

A05 – Mariana Euquéria de Almeida, 28.02.1809 c.c Leandro José de Almeida; A07 – Manoel Ferreira da Fonseca, 02.12.1810 c.c. Maria Romana; A09 – João Ferreira da Fonseca, 12.07.1812 c.c. Rita de Cássia; A11 – Antonio Ferreira da Fonseca c.c. Vicência Jacinta da Conceição; A13 – Eufrásia Joaquina da Conceição, 06.06.1818 c.c. José Francisco M. Pires; A15 – Maria Thereza de Jesus, 08.02.1819 c.c. Anselmo José Machado; A17 – Anna Jacinta da Conceição, 13.03.1822 c.c. Fortunato Rodrigues Campos; A19 – Maria do Carmo de Jesus, 24.08.1824 c.c. Onofre Rodrgiues Campos; A21 – Joaquina Clara de Jesus, 19.05.1826 c.c. Pedro de Alcântara J. da Rocha; A23 – Luiza Maria de Jesus, 09.12.1829 c.c. Hilário Rodrigues Pereira; e, A25 – Francisco Ferreira da Fonseca, 09.01.1832 c.c. Carlota Marcília de Jesus.

Para a continuidade do trabalho que se está apresentando nesta série de artigos para o Jornal O Município, destaca-se, no próximo artigo, o filho A03 – José Ferreira da Fonseca, que se casou com Ana Pereira de Souza e formou o tronco do qual sai o ramo por onde seguirá esta pesquisa.

Mas antes de continuar viagem pelos Ferreira da Fonseca de Maripá de Minas, é bom lembrar alguns entrelaçamentos de membros destas famílias. Entrelaçamentos estes que alimentam a certeza do autor de que, pelo menos no início do povoamento da terras maripaenses, por ali quase todo morador era parente. E quando não o era, se tornava compadre ou agregado, e recebia o mesmo bom tratamento como se parente fosse. Assunto que será abordado no ssunto para uma próxima ocasião. Até lá.

[1] Embora careça de documentação porque surgiu a partir de informações verbais colhidas em depoimentos de familiares mais antigos, consta que a esposa de José Ferreira da Fonseca era Ana Pereira de Souza. 

A aldeia

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer.
Fernando Pessoa

Do desembarque no porto do Rio de Janeiro até suas terras no leste mineiro eram léguas de caminhada em lombo de burro ou, à pé. E a Aldeia de destino não ficava no meio do oceano, como convinha a naturais de um arquipélago. Não tinha mar de biquínis “vestindo?” mulheres bonitas. Não tinha sungas em corpos sarados, nem barracas de praia e barracos na grimpa dos morros para atrair turistas. Ela era apenas um “meio do mato”. Era parte da Zona da Mata.

Mas esta Aldeia atraiu descendentes de imigrantes provenientes das Ilhas dos Açores.

É bem verdade que perto dela, à moda dos poetas até “inventaram” um Mar de Espanha que, de verdade, também faz parte desta história por ter sido sede da vila que administrava as coisas da Aldeia. Mas este “galho” do assunto tem que ficar para outro artigo, por uma questão de espaço.

Da Aldeia da qual se fala é correto dizer que era cercada por montes. E às sequências dos mais altos os habitantes e os que por ali passavam resolveram denominá-las: Serra das Bicas e Serra do Rochedo.

Destas serras, de algum ponto imaginário e com binóculo possante, talvez fosse possível avistar, para os lados de Belo Horizonte, um distante horizonte de relevo e vegetação variada a se fechar nos altos contrafortes da Serra da Mantiqueira. Nestes contrafortes se poderia imaginar ver, então, a primeira sede da Aldeia. A vila mãe que administrava a porção maior e mais antiga do domínio territorial desta região da Mata. A antiga Vila de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo, que segundo Waldemar de Almeida Barbosa no seu Dicionário Histórico Geográfico de Minas Gerais, é a atual Barbacena, “a primeira povoação das Minas, vindo do Rio de Janeiro”.

Nas encostas da serra chamada Bicas, nas proximidades do que se tornou a Aldeia à qual esta história quer chegar, nascia água limpinha, que se bebia em folha de inhame ou, na concha da mão. Não era água tratada pela COPASA, mas limpa o suficiente para tratar da sede e fadiga causada pela lida constante e pelas aventureiras viagens. E cultivaram-se grandes roças. Uma delas, inclusive, adotou o nome de Roça Grande. Ali, a poder da enxada e de rústicas técnicas tirava-se da terra o milho e outros alimentos como arroz, feijão, cana, abóbora, inhame e o mais possível para abastecer os tropeiros que vinham e voltavam às Minas Gerais.

E por ali viveram alguns descendentes de açorianos como os FERREIRA DA FONSECA, dos quais nesta série de artigos O Município se ocupa. Uma gente muito bem definida por Oswaldo Rezende, em Genealogia dos Resendes, São Paulo (SP), 1974, Editora Revista dos Tribunais, página 31, quando afirma “não ser segredo para ninguém que os açorianos que se estabeleceram na província das Minas Gerais eram simples e humildes, e vieram com o propósito muito natural de novas condições de vida, embalados pela tradição de que aqui enriqueceriam facilmente.” Nada muito diferente dos Ferreira da Fonseca que desbravaram terras de Maripá de Minas, Guarará e Bicas.

Homens fortes que cultivaram estas terras num tempo em que, nas noites escuras, o céu da  Aldeia oferecia apenas estrelas e astros para orientar as viagens. Um tempo no qual não existia o ronco e as luzes dos aviões de carreira que encurtam saudades e as longas distâncias. Nem os satélites fabricados para refletirem imagens e sons em tempo real. E nem gente deitada na relva ou na esteira tecida com a folha de Taboa, a viajar em visões dos dias atuais: – este avião que se imagina seguir na direção do Norte ou Nordeste, deve estar levando as alegrias dos que seguem em viagem à Europa. Aquele outro, em sentido inverso, talvez traga as alegrias de quem volta para casa. Ou será o oposto o verdadeiro sentido das alegrias e dos viajantes ?

Nestas noites, contar as estrelas no céu da Aldeia não era tarefa difícil. Mas também não era o programa dos aldeões, porque poucos se davam conta da importância do contar, fazer as quatro contas, ler e escrever. Muitos, porque se ocupavam com tarefas que dispensavam este aprender. Outros, porque se ocupavam com tantos afazeres que não lhes sobravam tempo para contá-las.

Mas é certo que os que ali chegaram para morar, o fizeram depois que o ouro de aluvião, abundante na areia dos rios do centro da Província, começou a escassear. A busca do mineral nos veios do subsolo, com as ferramentas e a mão de obra disponíveis, tornou-se quase impossível. Então, parte dos que viviam da atividade tomou o rumo da Mata. Embrenhou pela mata proibida para buscar a nova riqueza, o café. E aqui, aprendeu a tomar leite in natura, saído de teta da vaca para a caneca com açúcar batido (mascavo, para agradar ao corretor de texto). A comer feijão tropeiro, couve, taioba, angu, broa de milho e rapadura, como se verá noutra ocasião porque, por hoje, o ponto final desta história precisa ser aqui.

Ferreira da Fonseca / Joanna Maria da Conceição-II

Seguindo a genealogia e história dos antepassados dos Ferreira da Fonseca, que viveram na Fazenda da Serra em Maripá de Minas, novamente se toma por empréstimo a pesquisa postada pelo Projeto Compartilhar, sobre o inventário de Ana Maria de Jesus – Paiva Coimbra e Pereira da Cunha, atualizada em 06.06.12, disponível em www.projetocompartilhar.org, um belo e interessante trabalho de resgate histórico coordenado por Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira.

Por este documento verifica-se que Ana Maria de Jesus constitui a segunda raiz formadora do ramo estudado.

Partícipe da história mineira desde antes de 1750, Ana Maria se casou com Pedro de Paiva Coimbra. Desta união nasceu a filha Joanna Maria da Conceição-I. Esta, como se verá adiante, teve a filha JOANNA MARIA DA CONCEIÇÃO-II, que se casou com Felisberto Ferreira da Fonseca, nome tratado no artigo anterior.

Registre-se que José Campos de Resende em seu livro de “Lagoa Dourada – MG”, de 1978, página 18, afirma que os Ferreira da Fonseca chegaram a Minas Gerais por volta de 1723 ou, 1725.

Sobre Ana Maria sabe-se que nasceu em Barbacena em 1735 e faleceu em 07.04.1813. Era filha dos açorianos Francisco Ferreira Armond e Ângela Maria Carmelo (ou da Conceição), naturais da Ilha Terceira. Casou-se duas vezes, teve filhos dos dois casamentos e seus descendentes foram povoadores de Barbacena e cercanias. A primeira vez casou-se em Barbacena, aos 15.03.1753 com Pedro de Paiva Coimbra. A segunda, em 12.02.1756, com Francisco Pereira da Cunha

Seu primeiro marido, Pedro Coimbra, nasceu em São Salvador de Miranda do Corvo, filho de João de Paiva e de Maria Antônia e faleceu em Barbacena em 11.09.1755 e foi inventariado no Sítio do Moinho, Freguesia de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo.

Vale lembrar que Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo, segundo Waldemar de Almeida Barbosa no seu Dicionário Histórico Geográfico de Minas Gerais, Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 1995, página 43, é o antigo nome de Barbacena que, por esta época, era “a primeira povoação das Minas, vindo do Rio de Janeiro”, argumento utilizado no pedido para que se levantasse o pelourinho “ com privilégio de vila”.

Em segundas núpcias Ana Maria casou-se, aos 12.02.1756, com Francisco Pereira da Cunha – Alferes, natural de Canedo da Horta, Arcebispado de Braga, filho de Francisco Pereira da Mota e de Maria da Cunha.

Da primeira união de Ana Maria são os filhos: 1) José Ferreira de Paiva, nascido aos 19.03.1754, em Barbacena, que ordenou-se padre e faleceu em 1822; e, 2) Joanna Maria da Conceição-I. Esta, nascida no dia 15 e batizada em 28 de junho de 1755, em Barbacena, casou-se com Francisco Ribeiro Nunes, natural da freguesia de São Lourenço das Pias, Bispado do Porto, falecido em Barbacena em 22.06.1806.

Do casal Joanna Maria da Conceição-I e Francisco Ribeiro Nunes são os filhos: 1) Maria Emerenciana de Jesus c.c. Joaquim José de Santana de quem é descendente o seu neto Mariano Procópio Ferreira Lage, nome de destaque em Juiz de Fora; 2) Josefa Maria da Assunção c.c. João Ferreira da Fonseca, filho de outro João Ferreira da Fonseca; 3) Antonio José Ribeiro c.c. Porcina Euqueria de Jesus; 4) Joanna Maria da Conceição-II, c.c. Felisberto Ferreira da Fonseca, casal a partir do qual seguirá em estudo; 5) Ana Maria de Jesus que faleceu em 03.08.1870 na condição de solteira; 6) Manoel Ribeiro Nunes c.c. Carlota Teotônia da Silva; e, 7) Justina Maria de Jesus c.c. Manoel Netto Carneiro.

A história segue com Joanna Maria da Conceição-II e Felisberto Ferreira da Fonseca, que se casaram  em 12.06.1804. Ele, natural de Prados, filho de João Ferreira da Fonseca e Ana Jacinta da Conceição, conforme a história contada no artigo anterior. Mas para livrar o eventual leitor do desgaste com a cansativa leitura de relações de nomes e datas, se faz uma pequena parada para organizar e trazer, no próximo artigo, um pouco do cenário onde estas pessoas citadas viveram.

Fica porém a ressalva para os que se interessam pela genealogia deste grupo familiar: outras informações sobre os Ferreira da Fonseca podem ser encontradas em www.familiaferreirafonseca.com.br, página criada e gerenciada por Walter Ferreira da Cunha e Stéfano Barino Cunha. É só clicar.

Ferreira da Fonseca/Felisberto Ferreira da Fonseca

Já disseram que trabalho de genealógia é um nunca findar. É um caminhar para infinito, onde há sempre um pouco mais de infinito a pesquisar. E uma caminhada de resultado enfadonho pelo repetido do texto, um eterno mesmismo de nomes… nasceu em… casou com… pai (mãe) de….filho (a) de…. faleceu em…

Mas com a promessa de tentar minorar o sofrimento do eventual leitor com textos menos áridos, a partir deste inicia-se aqui no O Município uma série de artigos que pretendem contar um pouco sobre os “Ferreira da Fonseca” originários da Fazenda da Serra, em Maripá de Minas. Lembrando que o sobrenome, por motivação legal ou, natural, mas certamente para orgulho dos portadores, pode estar encoberto por outros nomes de família, o que não faz qualquer diferença.

Fora de dúvida, no entanto, é a sua presença em grande número, mesmo que de forma oculta, na relação de assinantes e dentre as pessoas ligadas a este informativo e às populações das cidades da região, razão pela qual o assunto é trazido para o Jornal.

Assim, tendo como uma das fontes o Projeto Compartilhar coordenado por Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira, com a colaboração de Décio Medeiros e Sílvia Buttros, disponível em “www.projetocompartilhar.org/Antonio Coelho Valadão”, cujo último acesso ocorreu em 21.05.16, começa hoje uma série de artigos que vão contar uma história cujo início remonta ao açoriano Antonio C. Valadão, batizado em 25 de abril de 1680 na Igreja de Nossa Senhora da Pena, Fontinhas, Concelho de Praia da Vitória, Ilha Terceira, nos Açores, filho de Manoel Coelho e Helena da Cruz e vai chegar em Felisberto Ferreira da Fonseca, que dá título ao texto.

Este Antonio casou-se em primeiras núpcias com Margarida de São João e, em segundas, com Luzia Xavier de Santa Rosa, ambas açorianas.

Do seu primeiro casamento é a filha Maria da Conceição, nascida na Ilha Terceira, batizada em 11.08.1715 e que se casou em primeiras núpcias com JOÃO FERREIRA DA FONSECA, nome ao qual se acresce o numeral romano “I” para distingui-lo do filho.

É bom lembrar que este João Ferreira da Fonseca-I era filho de João Ferreira Bellerique e Catarina Dias da Fonseca.

Embora não se tenha, ainda, a data exata de quando Maria da Conceição passou ao Brasil, é sabido que seu segundo esposo, José Pereira Cardoso, faleceu em Barbacena no dia 29 de janeiro de 1763, o que leva a supor que já estivesse no país no final da primeira metade dos anos de 1700.

João Ferreira da Fonseca-I e Maria da Conceição são os pais de outro do mesmo nome, JOÃO FERREIRA DA FONSECA-II, natural de Itaverava (MG), que se casou, em 01.10.1759 na capela do Brumado com ANA JACINTA DA CONCEIÇÃO. Ela, batizada em Congonhas do Campo (MG) no dia 12.12.1746, filha de Luiza Ignacia, segunda esposa do seu pai, Francisco Borges do Rego.

João-II e Ana Jacinta tiveram os filhos: 1) Felisberto Ferreira da Fonseca, nascido em Prados (MG) por volta de 1775, casado com Joanna Maria da Conceição-II, nascida por volta de 1783; 2) João Ferreira da Fonseca-III, natural de Prados (MG), que se casou em Barbacena com Josefa Maria da Assunção, irmã de Joana Maria da Conceição; 3) Francisco Ferreira da Fonseca que se casou duas vezes. A primeira, com Ana Bernardes e a segunda, com Maria Alves Rabello; 4) Eduardo Ferreira da Fonseca, que se casou com Antonia Rita de Jesus Xavier; 5) Bernardina da qual não se tem registro de casamento; e, 6) Gonçalo Ferreira da Fonseca, Padre, batizado em Prados (MG) em 09.05.1782, também sem outros informes.

Vale esclarecer que o ano provável do nascimento de Felisberto Ferreira da Fonseca  (1775) foi estabelecido por cálculo a partir da relação dos habitantes do distrito de Nossa Senhora do Rosário do Curral Novo, em 1831, fogo 1, conforme o Projeto Compartilhar no processo de Ana Maria de Jesus – Paiva Coimbra e Pereira da Cunha.

Finalizando a pauta deste primeiro artigo da série, resta lembrar que outras informações sobre esta família podem ser encontradas no portal “www.familiaferreirafonseca.com.br” gerenciado por Walter Ferreira da Cunha e Stéfano Barino Cunha e dizer que na próxima quinzena este espaço do Jornal será ocupado pela história de Joanna Maria da Conceição-II.

Até lá.

De onde vêm o galinha e o pintinho

Os mais velhos se lembram que na antiga Bicas e, possivelmente, em boa parte do país era muito comum as pessoas, no quintal de suas casas, criarem pequenos animais e aves para consumo próprio, para venda ou, para algum escambo.

Comum também era a venda destes animais ainda vivos, principalmente aves, nas chamadas Vendas de Secos e Molhados ou, de porta em porta, geralmente conduzidos pelos vendedores presas pelas pernas e dependuradas numa vara de bambu.

Isto, num tempo em que não era “politicamente incorreto” sacrificar estas aves para resolver o problema imediato da própria fome ou, para os apreciadores se deliciarem com o sabor mineiro de um frango caipira com quiabo.

Mas antes de seguir com esta história há que se abrir parênteses para um caso real que veio à lembrança agora.

Uma história ocorrida em cidade próxima, mas que pede licença para ser contada aqui, antes de seguir-se com o varal de galinhas, que é a seguinte:

Existia na tal cidade uma rua com um bom número de crianças residentes além de muitas outras que por ali transitavam, em razão do início e fim dos turnos de aulas de três grandes colégios (um grupo escolar, uma escola normal e um ginásio). Naquele dia e horário não foi diferente, como nada era diferente no resto da cidade, não fosse um pequeno incidente. Num repente, sem que se soubesse se fugidas de um galinheiro ou, soltas de alguma gaiola de um dos vendeiros do local, surgiram na rua vários galináceos e alguém a gritar: pega !… pega !… pega !…. A partir daí, não se viu aluno que se lembrasse dos livros, cadernos, bicicleta ou, uniforme limpo. A correria foi geral. E se moleques já gostam de bagunça, imaginem instigados por um adulto e incentivados pelos colegas. Em poucos segundos a rua virou uma balbúrdia só, com meninos correndo em todas as direções e com os mais diversos objetivos. Uns buscando apanhar os frangos e galinhas. Outros, dificultando o trabalho dos primeiros, em busca de melhorar o espetáculo. E completava o cenário, a natureza da própria ave. Galinha apreendida, como se sabe ou se aprendeu naquela hora, via de regra tem intestino solto e não faz cerimônia se a camisa está limpa. O resultado prático, é claro, foi um monte de camisas fedidas. No final, o que menos se teve notícia foi de galinha que retornou às mãos do dono. Muitas voaram para quintais alheios e só Deus sabe se não caíram em alguma panela desavisada. Outras, com medo da turba, fugiram em busca do infinito. E é desnecessário dizer que em pouco tempo a molecada mais parecia aquele bando formado no fim das peladas dos bons tempos do campinho da Rua da Caixa. Uns com joelhos esfolados pelos tombos, outros cobertos de pó ou lama e outros, ainda, de cara vermelha por algum desentendimento por frango engolido ou, bola mal dividida.

E com o falar sobre a Rua da Caixa retorna-se então ao vendedor de galinhas com seu varal nos ombros para dizer que na vida real, o da história que se quer contar tinha nome próprio. Chamava-se Antonio Pedro da Cunha (1893 – 1968) e hoje empresta seu nome à travessa que liga a Rua da Caixa à do Bonde, atual Arthur Bernardes, onde ele residiu.

Antonio Pedro era uma pessoa simples. Foi ferroviário como muitos do lugar e um batalhador incansável na busca pelo sustento da prole. Durante um bom tempo trabalhou para uma família tradicional de Bicas que, dentre outras coisas, criava galinhas para vender.

Neste mister, senhor Antonio cuidava das aves do terreiro e nas horas livres se tornava  vendedor de galinha – de porta em porta, como era o costume da época. E assim, durante muito tempo exerceu este ofício circulando pelas ruas de Bicas e Guarará, sempre com seu varal de galinhas ao ombro e, quando necessário, apregoando o produto.

Por este modo e profissão tornou-se conhecido popularmente por Antonio das Galinhas ou, Antonio Galinha, como aconteceu no passado com algum ferreiro que deu origem ao sobrenome “Ferreira” e, com tantos outros apelidos que agarraram de tal forma nas pessoas que acabaram por se agregarem de fato ao nome de registro.

Assim, da ocupação “seu” Antonio herdou o apelido que impregnou na sua pessoa e dela, como que por osmose, passou aos filhos Tuninho, Vicente e Miguel “Galinha”. Destes, com as prestimosas contribuições dos alambrados e arquibancadas dos campos de futebol da cidade – escolas de rebatizar pessoas – passou de forma mais firme aos netos e ex-atletas que ainda hoje carregam a herança do avô nas variações pelas quais são geralmente conhecidos: Zé “Pintinho” e João “Gulinha”.

Por hoje o assunto fica neste ponto. Na próxima quinzena virão os “Ferreira da Fonseca”.

Aguardem.

Com a palavra os que escrevem sobre Bicas

Ensinam os compêndios de história que a ocupação da Zona da Mata se deu a partir da segunda década dos anos de 1800. Entre os anos de 1810 e 1820 teriam ocorrido, então, as primeiras concessões de sesmarias nestes sertões do leste mineiro, a chamada Zona Proibida.

Assim, pode-se afirmar que nos dias atuais a Zona da Mata já ultrapassou a marca de dois séculos pós ocupação oficial de seu território. Tempo suficiente para que a preservação do  patrimônio histórico e o resgate do seu passado assumam posição relevante.

Parece fora de dúvida que o motor de partida que fez girar a máquina do desenvolvimento da Mata Mineira foi mesmo o que atende pelo nome de café. Um produto que manteve o primeiro posto da pauta de exportações do país durante muitos anos e, com as oportunidades por ele geradas, atraiu para as matas um bom número de capitalistas, levas de escravos, trabalhadores em geral e, mais tarde, os imigrantes europeus. E no rastro, atraiu também a estrada de ferro, terceiro dos elementos da tríade – café, escravo e  ferrovia – apontada pelo Dr. Wander José Neder, um estudioso da história da região, como mãe da maioria das cidades da Zona da Mata.

Como se vê, por si só um campo enorme para pesquisas. E dentro deste universo, uma cidade – BICAS – cuja origem e crescimento parece ajustar-se perfeitamente ao figurino da tríade acima citada.

Estudar esta história, então, é uma necessidade. Contar com mais pessoas que realizem pesquisas e publiquem seus trabalhos é a esperança. Aumentar o número de peças que enriqueçam e complemente o desenrolar de toda a história do lugar, desde os tempos da mata virgem, seria a realização do sonho de colocar Bicas no lugar de destaque que a cidade merece.

Hoje, apartando-se as que se referem às terras biquenses de forma genérica e no contexto da Zona da Mata ou mesmo do estado, sobra um número pequeno de obras – que muito bem se prestam ao fim que se propõem –  que retraram aspectos do acontecido no entorno do rancho das bicas. São elas:

– “Os Sertões de Leste”, um livro que segundo registro na apresentação da segunda edição foi lançado em 1988, de autoria de Celso Falabella de Figueiredo Castro. Uma excelente fonte de consulta para os que se interessam pelo assunto. Falabella, nascido em Mar de Espanha, realizou um bom trabalhado de pesquisa, focado na região.

– O livro “Sertões do Rio Cágado” de 2002, os escritos sobre a imigração italiana e vários artigos publicados no Jornal O Município e a na Revista Communità, que  fazem da obra deixada pelo professor Júlio Cezar Vanni um acervo de consulta obrigatória.

– A talvez mais citada de todas as obras sobre Bicas. A que parece também ser a mais antiga dentre as dedicadas às terras das Taboas que é o “Recantos da Mata Mineira”, livro publicado em 1991 por Fued Farhat, que trata especificamente de Guarará, Bicas e Maripá de Minas. Uma obra bastante conhecida pelos que se interessam pela história destas cidades.

– “Maripá de Minas e Região” de 2003 e “Cacos de História e Memória de Bicas”, de 2010,  contribuições deste autor que tentam resgatar um pouco do passado destas terras.

– “Um Olhar para o Passado” livro publicado em 2013 pelo Dr. Carlos Augusto Machado Veiga, que merece destaque especial. Grande conhecedor e um pesquisador atento, Dr. Carlos Augusto reúne memórias, fotos e fatos para contar parte significativa da história de Bicas.

“Eles por Ele”, de Rosália Mayrink Correa e Padre Cássio Barbosa de Castro, publicado em 2004, que é uma contribuição importante para o resgate da história por trazer  para o presente a parte religiosa da predominantemente cristã população biquense.

“Dousseau: Enter – Franceses no Império do Café”, de 2011, de Marly Mayrink, que oferece ao leitor um panorama dos tempos do café e dos imigrantes franceses que viveram na região de Bicas, Guarará e Maripá.

– E, para finalizar, ainda na linha do valer-se da genealogia para contar a história do lugar, é importante citar os trabalhos “Família Barino”, publicado em 2010, e “Nicola Tempone”, de 2016, de Walter Ferreira da Cunha.

Evidente que todas essas obras, e outras porventura ainda desconhecidas, são importantes e merecem aplausos. Mas ainda são insuficientes para contar toda a história das famílias e das fazendas da região das Taboas que, nos duzentos anos que se passaram, transformaram o que era mata virgem em infindáveis cafezais e, estes, em prósperas propriedades agroprecuarias e na Bicas dos dias atuais. E estão à espera de novas companhias.

Com a palavra, então, os que gostam do assunto e podem registrar o que sabem sobre as suas famílias e as coisas da terra.

Velhice e aposentadoria

Faz tempo que o autor escreve para o Jornal O Município sobre coisas do passado, da história do lugar e da gente que habita estas terras que rodeiam as encostas das serras do Rochedo e de Bicas e as várzeas da bacia do Kágado.

Mas neste tempo de discussão desta reforma da Previdência, cujo objetivo parece ser o de dificultar a aposentadoria e por via de consequência a velhice e, no fim da história lançar as bases de mais uma tratativa para manter os trabalhadores na ativa por tempo maior, desta vez se escreverá sobre essas coisas do presente.

Assim, o assunto será a pessoal e intransferível condição humana que atende pelo singelo nome de velhice, nela incluída a aposentadoria. Será a relativamente bem aceita velhice declarada pela cédula de identidade e, as pedras colocadas no caminho dos jovens com as mexidas na Previdência propostas pelas trupes que desenvolvem sua arte nestes setores da burocracia. Tudo visto por quem já pagou o pedágio dos setenta anos de vida e o dos mais de cinquenta de luta pelo pão de cada dia.

E a conversa pretende ter a seriedade de um descontraído papo de barbearia e pode ter seu início nos assentos utilizados pelos que esperam o corte ou o tratamento de uma rarefeita cobertura capilar do couro cabeludo.

Ela roda o salão e de repente chega aos ouvidos de um senhor de idade provecta, na forma de maldosa provocação sobre o que ele achava da velhice. E desta forma, instigado e aberto o caminho para a sua falação, o velho não se faz de rogado e explica:

– Para começar devo dizer que sigo o agir de um tio que resolveu o problema da própria velhice instituindo a regra segundo a qual velhas são pessoas que contem mais de trinta anos do que ele. Sigo, também, o poeta Mário Quintana, para quem sempre se deve estar ocupado, colocando em prática uma nova ideia ou inventando alguma coisa, para não ficar disponível para a morte. Fique claro também, para barbeiro e fregueses, que resisto a aceitar a velhice ou, velhose, como prefere uma amiga, na forma corriqueira do simplesmente ajustar-se ao pijama e chinelo para sentar-se numa praça à espera do dia que vai chegar. E resisto a arrumar as malas e ficar à beira do caminho à espera da última viagem.

Digo que mesmo em alguns momentos chegando a indagar aos céus a que se destina o existir, continuo percorrendo com prazer os caminhos traçados pelo destino, como as deficiências de todo e qualquer cidadão da mesma categoria etária.

Eventualmente uso chavões de outros aposentados alegando não ter tempo. O que não significa que concorde com o continuar escravo de patrão até a hora da morte, como pretende a trupe.

Entendo que a “profissão de aposentado” (discordo do clichê de vagabundo) tem funções e horários definidos, itens que confirmam relação de trabalho e emprego. Porque aposentado é escravo das muitas consultas, dos exames médicos e dos remédios delas decorrentes; das filas da farmácia, dos bancos e das casas lotéricas; e, dos tais exercícios necessários à propalada vida saudável, feitos naqueles aparelhos coloridos instalados nas praças públicas, por vezes ali colocados também para angariar votos. Atividades similares às de muitos outros trabalhadores.

Quanto à velhice o leitor há de convir que o melhor é considerá-la, em qualquer hipótese, boa. Afinal a outra opção, a morte, deve ser bem pior. E a velhice pode ser prazerosa se a ela se chegar com saúde, tempo e disposição para enfrentar os trabalhos da aposentadoria.

Agora, quanto à pretendida reforma, o bom seria que não bulissem com a Previdência. Mas a ser verdade que é necessária, como apregoam as propagandas institucionais, que as alterações sejam ao menos palatáveis e permita aos jovens de hoje manterem, nos últimos anos de vida, um bom emprego de aposentado. Que permita aos trabalhadores normais, chegarem próximo ao final da viagem terrestre em condições de aproveitarem as experiências adquiridas pelo caminho, a liberdade trazida pela lei do idoso e as benesses das prerrogativas dos que fizeram por merecer descanso remunerado após longos anos de trabalho. Que a aposentadoria não seja, no futuro, apenas indicativo de pé na cova.