Morre o empresário e carnavalesco Zé Kodak, criador da Banda Daki

Ele estava internado há cerca de três semanas na Santa Casa de Misericórdia, onde faleceu na madrugada deste sábado em decorrência da Covid-19

Por Renato Salles
27/02/2021 às 10h56- Atualizada 27/02/2021 às 11h58

A cultura e o carnaval de Juiz de Fora perderam, na madrugada deste sábado (27), uma de suas maiores referências. Morreu, em decorrência da Covid-19, aos 75 anos, José Carlos Passos, o empresário Zé Kodak, criador da Banda Daki. Segundo a coluna Painel, ele estava internado há cerca de três semanas na Santa Casa e não resistiu às complicações da doença.

De acordo com a Associação das Entidades Carnavalescas de Juiz de Fora e Região, o sepultamento de Zé Kodak acontece neste sábado, às 14h, no Cemitério Parque da Saudade. “Por recomendação da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, não haverá velório”, pontua a entidade.

Em razão da morte de Zé Kodak, a prefeita Margarida Salomão (PT) decretou luto oficial de três dias em Juiz de Fora.

Zé Kodak posou para a Tribuna em frente à Funalfa no carnaval de 2018 (Foto: Arquivo/Olavo Prazeres)

Além de ser comerciante, Zé Kodak era também conhecido por ter participado ativamente do carnaval de Juiz de Fora. “A cidade perde um dos seus mais apaixonados filhos. Um sinônimo de alegria. O General da Banda deixa uma saudade enorme, do tamanho da sua história”, diz a nota de pesar publicada nos perfis oficiais da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) nas redes sociais.

Conforme ressaltado pela Funalfa, Zé Kodak foi “uma das figuras mais emblemáticas do carnaval de rua da cidade e também um de seus maiores incentivadores”. Ele participou do grupo que criou a Banda Daki, em 1972, e foi o maior responsável por sua manutenção e seu crescimento ao longo das décadas, o que lhe garantiu os apelidos de General da Banda, e, mais tarde, acabou “promovido” a Marechal da Banda.

“A gente não imaginava onde a Banda Daki iria chegar. Era tudo uma brincadeira criada pela turma do São Roque, que queria uma atração para o sábado, já que a programação do carnaval de rua na cidade era apenas no domingo, na segunda e na terça”, contou Zé Kodak, em entrevista à Tribuna em 2017, quando o bloco carnavalesco completou 45 anos de desfiles.

‘Adotado’ por JF

Natural de Bicas, Zé Kodak se estabeleceu em Juiz de Fora e foi adotado pela cidade. Em uma das coincidências da vida, ele faleceu no mesmo dia em que sua loja, a Estação Digital Zé Kodak, completa 61 anos de sua inauguração, conforme requerimento que aprovou a realização de uma sessão solene na Câmara Municipal de Juiz de Fora em 2020, em alusão aos 60 anos do estabelecimento.

“Uma das pioneiras no ramo de fotografia, revelação e tudo que envolve o assunto, a Estação Digital Zé Kodak iniciou sua história em 27 de fevereiro de 1960 e integra desde então a história, também, do nosso município”, diz o requerimento que leva a assinatura do ex-vereador Rodrigo Mattos (Cidadania).

Carnavalesco participou de campanha sobre a Covid-19

Publicação feita pela Funalfa neste sábado, em homenagem à memória de Zé Kodak, destaca a história da Banda Daki. “Marcada pela alegria e irreverência, a Banda Daki, que completa 50 anos em 2022 e arrasta milhares de foliões pela Avenida Rio Branco no sábado de carnaval, consolidou-se na folia da cidade e foi reconhecida pela Funalfa como Patrimônio Imaterial de Juiz de Fora, no ano de 2004”, lembra a entidade municipal responsável pela gestão e fomento à cultura.

A Funalfa ainda lembra que o carnavalesco participou, neste mês, de uma campanha de conscientização sobre a Covid-19. “Socialmente consciente, ele participou da campanha da Funalfa no início deste mês, solicitando que os foliões permanecessem em casa durante o carnaval deste ano para evitar a propagação do coronavírus. Contraiu Covid e faleceu em consequência da doença”, publicou a Funalfa, que prestou condolências aos familiares e amigos do comerciante. “Ao Zé Kodak, nossa eterna gratidão pelo legado.”

Figuras públicas e entidades lamentam falecimento do empresário

Além das manifestações da PJF e da Funalfa, várias figuras públicas manifestaram suas homenagens a Zé Kodak por meio das redes sociais. A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT) disse que “Juiz de Fora hoje amanheceu mais triste. A perda do Zé Kodak para a Covid-19 é uma grande dor sentida na cidade. O Zé Kodak é uma grande liderança popular, comerciante muito ativo, muito querido, tanto pelos seus colegas comerciantes como também pela sua grande clientela. Era uma pessoa que trazia muita vibração positiva à vida social, o rei do carnaval, o homem que fundou o Domésticas (de Luxo), a Banda Daki, um grande estimulador das festas populares.” Ela pediu ainda que a população previna-se contra a Covid-19. “Nesse momento de dor, o melhor luto que podemos fazer pelo Zé Kodak é tomar todos os cuidados possíveis, para que não morra mais gente, para que esses mais de 800 juiz-foranos e juiz-foranas que perderam a vida nessa pandemia sejam, para nós, um alerta de que a vida vale a pena, de que precisamos defendê-la, de que precisamos ter cuidado.”

“Um dia triste para a cultura de Juiz de Fora. Nossa cidade perde Zé Kodak, o maior defensor e entusiasta do nosso carnaval. O general da Banda Daki, que por muitos anos levou alegria e democratizou a festa do rei Momo na cidade, é mais uma vítima da Covid-19. Zé Kodak era alegria, e assim deve ser lembrado”, afirmou o deputado federal Júlio Delgado (PSB).

A deputada estadual Sheila Oliveira (PSL) adotou o mesmo tom. “Zé Kodak foi, sem dúvidas, uma das figuras mais importantes para o cenário carnavalesco de JF e também um grande incentivador da festa. Aos familiares, amigos e conhecidos do Marechal da Banda Daki, deixo meus sinceros sentimentos de consolo e paz. Zé nos deixa um lindo legado de amor pela cidade, alegria incomparável e empenho em tudo o que fez.”

Outro que se manifestou pelas redes sociais foi o presidente da Câmara Municipal, o vereador Juraci Scheffer (PT). “Veio de Bicas e aqui fez seu porto seguro. Que Deus receba nosso general da Banda Daki e conforte os familiares e amigos do nosso querido José Carlos Passos”, disse o petista, ao externar publicamente o pesar pela morte de Zé Kodak.

A diretora-geral da Funalfa, Giane Elisa, também lamentou a perda de uma das pessoas “mais comprometidas com a cultura da cidade.”

Secretário municipal de Comunicação Pública da PJF, Márcio Guerra também lamentou a morte do comerciante. “Uma dor enorme com a sua perda. Sei o quanto você sonhou em celebrar os 50 anos da Banda Daki no ano que vem, livres desse vírus que tanta dor nos causa. Perdemos sua alegria. Perdemos o General da Banda”, postou no Facebook.

Candidato à Prefeitura nas eleições passadas, o empresário Wilson Rezato (PSB) foi mais um a lamentar publicamente a morte de Zé Kodak, a quem chamou de amigo. “Sua história, seu trabalho à frente da empresa e sua paixão incondicional pelo Carnaval e pela Banda Daki deixarão saudades.”

Associação de blocos

Por meio de nota, a Associação das Entidades Carnavalescas de Juiz de Fora e Região destacou que Zé Kodak foi o grande incentivador do carnaval dos blocos no Calçadão da Rua Halfeld. “Criou, patrocinou e apoiou diversos deles.”

Segundo a entidade, o empresário “levou para o Calçadão uma semana de desfiles e apresentações que começava com a Doméstica de Luxo, um sábado antes do carnaval oficial e terminava com o Desfile da Banda Daki.

“Todos esses anos de dedicação levaram Zé Kodak a receber a condecoração de General da Banda, nome que incorporou ao currículo do maior incentivador do carnaval de Juiz de Fora de todos os tempos”, considera a associação.

Fonte: Tribuna de Minas deste sábado, 27/02/2021

Segue o baile, Zé!

Carnaval, contentamento, satisfação, felicidade, prazer, riso, bom-humor, agrado, animação, bem-estar, deleite, entusiasmo, jovialidade, euforia, festa, diversão, brincadeira, folia… Tinha de ser em  fevereiro, né Zé? Você, que já era inesquecível para os amigos e para todos que procuram alegria e astral pra cima, agora vem com essa e reforça ainda mais seus sinais e sua luminosidade. 

Orações ao Alto, com vibrações e energias positivas pro Zé Kodak, familiares e amigos… Olha pra frente, Zé, olha pra Deus e caminhe sereno… À sua frente se abre agora mais uma etapa no curso da eternidade. 

Vem, cantar
Enxugue as lágrimas dos olhos seus
Vem ser alegre pelo amor de Deus
Tristeza aqui não tem lugar
Pra que chorar 

Olha só
A praça toda iluminada
Tem tanta gente nas calçadas
Meu bloco tem que desfilar

O importante é ser fevereiro
E ter carnaval pra gente sambar
O importante é ser fevereiro
E ter carnaval pra gente sambar

Laiá, laiá, laiá, laiá
Laiá, laiá, laiá, laiá

(Paródia do inesquecível, como ele, ressoar de Carnaval “O importante é ser fevereiro”, de Wando e Nilo Amaro / 1973)

Juiz de Fora perde Zé Kodak, coração e alma da Banda Daki

Carnavalesco morreu na madrugada deste sábado, na Santa Casa, por complicações da Covid-19

Por Paulo Cesar Magella
27/02/2021 às 07h48- Atualizada 27/02/2021 às 09h07

José Carlos Passos comandou a Banda Daki, como General da Banda, nos últimos 40 anos (Foto: Olavo Prazeres/Arquivo TM)

O carnavalesco e empresário José Carlos Passos, José Kodak, morreu na madrugada deste sábado, na Santa Casa, por complicações da Covid-19. Ele estava internado há cerca de três semanas, quando seu quadro se agravou. Embora não tenha sido seu fundador, Zé Kodak tornou-se o coração e alma da Banda Daki, a qual comandou, como General da Banda, nos últimos 40 anos. Pela primeira vez, em decorrência da pandemia, a banda não foi às ruas, o que já o tinha deixado bastante aborrecido. Nos primeiros dias de internação, correspondia sistematicamente com os amigos, mas o WhatsApp silenciou quando foi transferido para a UTI. A família já contava com sua transferência para o quarto, quando seu quadro se complicou na noite dessa sexta-feira. Natural da cidade de Bicas, veio para Juiz de Fora no início dos anos 1960, iniciando o comércio de revelação de fotos. O apelido veio por conta de sua ligação com a Kodak, pela qual foi premiado pela capacidade de vendas. Ele será sepultado às 14h, no Parque da Saudade, mas, como a causa foi Covid, não haverá velório.

Prefeitura lamenta morte do “General da Banda”

Em nota, a Prefeitura lamentou a morte do grande carnavalesco. “A Prefeitura de Juiz de Fora manifesta seu profundo pesar pela morte de José Carlos Passos, nosso querido Ze Kodak. A cidade perde um dos seus mais apaixonados filhos. Um sinônimo de alegria. O General da Banda deixa uma saudade enorme, do tamanho da sua história.”

Fonte: Tribuna de Minas deste sábado, 27/02/2021

Greve dos tanqueiros pode afetar abastecimento em JF e região, diz Minaspetro

Movimento paredista teve início na quinta-feira e já afeta abastecimento de combustíveis em Belo Horizonte

Por Carolina Leonel
26/02/2021 às 18h04- Atualizada 26/02/2021 às 19h08

Motoristas faziam fila para abastecer veículos na noite desta sexta-feira em um posto na Ladeira Alexandre Leonel (Foto: Fernando Priamo)

A greve dos transportadores de combustíveis em Minas Gerais, iniciada na quinta-feira (25), está afetando o abastecimento de combustíveis em Belo Horizonte e em outras cidades próximas à Refinaria Gabriel Passos, em Betim. A Tribuna entrou em contato com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro), que informou que existe a possibilidade de o movimento paredista afetar o abastecimento em Juiz de Fora e no restante da Zona da Mata, “especialmente se os postos da região buscarem combustíveis aqui na Refinaria Gabriel Passos, em Betim”.

A reportagem também tentou contato com alguns postos de combustíveis da cidade para verificar a situação na cidade. De acordo com a gerente do Posto Salvaterra, na Zona Sul, Jucilene Corrêa do Nascimento, não há desabastecimento no local, que busca combustíveis em bases no Rio de Janeiro. Apesar disso, Jucilene afirmou que a greve intensificou a ida de motoristas ao posto na tarde desta sexta-feira. Em alguns estabelecimentos, já era possível ver filas de espera, formada por motoristas preocupados em encher o tanque, com receio de um possível comprometimento na oferta. No início da noite, a Tribuna verificou filas também em um posto de combustíveis na Ladeira Alexandre Leonel.

LEIA MAIS: Greve dos tanqueiros em Minas pode afetar disponibilidade de combustível

De acordo com nota emitida pelo Minaspetro, vários estabelecimentos estão sentindo os efeitos da greve, “com dificuldades para fazer pedidos junto às distribuidoras e abastecer os caminhões próprios nas bases, em virtude do bloqueio de entrada e saída de veículos pelos grevistas”. O Minaspetro destacou que não é possível precisar quando haverá falta de combustíveis nas bombas, considerando que não realiza pesquisa junto aos revendedores, bem como pelo fato de os estoques dos postos variarem conforme a capacidade de armazenamento.

Governo diz que não houve pedido de reunião

Em nota encaminhada à Tribuna, o Governo de Minas Gerais disse que “esteve disponível para ouvir as demandas dos tanqueiros, mas não houve pedido de reunião por parte dos manifestantes”. Ainda conforme a nota, as recentes mudanças no preço dos combustíveis não são em função do ICMS, mas sim da política de preços praticada pela Petrobras.

“O Estado reafirma seu compromisso de não promover o aumento de nenhuma alíquota de ICMS até que seja possível começar a trabalhar pela redução efetiva da carga tributária. No momento, em virtude da situação financeira do estado, a Lei de Responsabilidade Fiscal exige uma compensação para aumentar receita em qualquer movimento de renúncia fiscal, o que não torna possível a redução da alíquota.”

No texto, ainda é informado que o Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF) é atualizado mensalmente levando-se em consideração os valores praticados pelos revendedores em todas as regiões do Estado. O resultado da pesquisa realizada pela Secretaria de Fazenda é baseado nas notas fiscais emitidas por 4.272 postos, distribuídos em 828 municípios mineiros.

Fonte: Tribuna de Minas

Boletim Coronavírus de Bicas e do Estado desta sexta-feira, 26/02

História das eleições municipais de 1988

No momento em que vivemos o clima das eleições deste ano, tive hoje um encontro com o amigo Fernando, da banca de jornais e revistas de Bicas, para aquele bate-papo quando ele tira do seu “baú histórico” um envelope com os famosos “santinhos” de candidatos. Até aí, nada demais! 
Só que se tratavam de santinhos de candidatos a vereador nas eleições de 1988, quando ocorreu a disputa entre José Cúgola e Jacyr Moreira para o cargo de prefeito, vencido por este último.

Não acredito que tenhamos aqui, a apresentação de todos aqueles que se candidataram naquele pleito, mas passo a apresentar todos os “santinhos” gentilmente cedidos pelo Amigo Fernando.

Vale à pena revivermos esta interessante parte da história de nossa cidade.

Portanto, com vocês, os CANDIDATOS A VEREADOR EM BICAS nas eleições de 1988:

Candidatos a Vereador apoiando Jacyr Moreira para Prefeito e José Maria Guarnieri para Vice

Candidatos a Vereador apoiando José Cúgola para Prefeito e Edir Moreira para Vice

Fonte: Matéria publicada originalmente no Blog do Mayrink, em 27/09/2012

Plantão Coronavírus Ciesp desta quinta-feira, 25/02

✅Para ficar bem informado sobre a Covid-19 em nossa região, acompanhe as redes sociais do CIESP. Confira o boletim epidemiológico consolidado de hoje.
🚨️ ESCLARECIMENTO
📣O Boletim de Acompanhamento Regional da Pandemia da Covid-19, publicado pelo CIESP, informa apenas casos confirmados da doença (em tratamento, curados ou que evoluíram para óbito).
📣Esclarecemos, ainda, que nas informações de Mar de Espanha, o número de óbitos não está incluído no total de casos positivos.
📣Essa informação é colhida diariamente em cada uma das Secretarias Municipais de Saúde dos entes consorciados. Deixamos claro que não menciona números referentes a casos suspeitos, em investigação ou descartados.

Em fevereiro de 1981, O Município publicava

LEIA AQUI O MUNICÍPIO DE 15 DE FEVEREIRO DE 1981

Boletim Coronavírus de Bicas e do Estado desta quinta-feira, 25/02

Governo de Minas apresenta novo protocolo para volta às aulas presenciais, com critérios a serem seguidos pelas escolas

Retorno será facultativo, seguro, gradual, alternado e com ensino híbrido

Governo de Minas apresentou, nesta quarta-feira (24/2), os critérios de adequação a serem seguidos pelas escolas para atender ao novo protocolo de saúde para a volta às aulas presenciais no Estado. A ideia é que o retorno aconteça por meio de um modelo híbrido, mantendo o ensino remoto.

A deliberação sobre a volta às aulas foi aprovada nesta quarta-feira durante a reunião do Comitê Extraordinário Covid-19, grupo que monitora semanalmente a situação da pandemia no estado.

O retorno do ano escolar nas escolas da rede pública de Minas Gerais será no dia 3 de março. A volta às aulas será no dia 8 de março, a princípio, ainda restrita ao modelo remoto, em razão de decisão judicial em caráter liminar que impede o retorno de forma presencial, como explicou a secretária de Estado de Educação, Julia Sant’Anna.

“Existem algumas decisões liminares vigentes no Tribunal de Justiça que suspendem a atividade presencial. Mas as deliberações que o secretário de Saúde, Carlos Eduardo, anunciou e uma portaria que será publicada na próxima sexta-feira atendem às sinalizações e às decisões do TJ, sempre nessa linha de que estamos dispostos a atender quaisquer esclarecimentos que possam surgir pela Justiça. O que se pretende agora com a publicação das normas é trazer tranquilidade aos desembargadores para a autorização da retomada plena e de forma híbrida”, afirmou a secretária.

Protocolo

O protocolo aprovado nesta quarta aponta a necessidade de um retorno seguro, com regras de distanciamento e de higienização, além de ser facultativo, ou seja, que depende da concordância dos pais para que jovens e crianças frequentem as aulas presenciais. O protocolo também estabelece que o retorno aconteça de maneira gradual e alternada.

Critérios

Como estratégia para o ensino híbrido, a Secretaria de Estado de Educação vai usar como referência as ondas verde e amarela do Minas Consciente, plano do Governo de Minas para a retomada das atividades de forma gradual e segura.
 
Para o município classificado dentro da onda amarela, será liberado o ensino híbrido para os alunos dos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano).  As salas de aula deverão manter 1,5 metro de distância linear entre os alunos. Segue mantida a alternância de semanas entre os alunos.

Já para as cidades em regiões inseridas na onda verde ficam autorizadas as atividades presenciais de todos os anos de escolaridade. A metragem entre os alunos será mantida em 1,5 metro. 

O retorno dos outros anos de escolaridade será gradual. A cada 14 dias será avaliado o relatório técnico do Centro de Operações de Emergência em Saúde (Coes) para verificar as condições. Se os indicadores estiverem favoráveis ao retorno das aulas presenciais, elas serão iniciadas pelo 3° ano do Ensino Médio, seguido pelo 9° ano do Ensino Fundamental. A partir daí a progressão se dará da seguinte forma: 2° ano do EM, 8° EF, 1° EM, 7° EF e 6° EF. 

Em situações em que ocorra a regressão da onda, com o município deixando a classificação verde e amarela e passando para a vermelha, as atividades presenciais serão mantidas, porém as restrições serão ampliadas. Neste caso, a distância entre os estudantes passará de 1,5 metro para 3 metros, combinadas com todos os protocolos sanitários definidos pelo comitê de saúde.

Saúde

O protocolo é fruto de debates e reuniões técnicas do Grupo de Trabalho formado por representantes das secretarias de Estado de Saúde (SES-MG) e da Educação (SEE), da Sociedade Mineira de Pediatria e da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil, que contou ainda com a participação de outras entidades, associações e sindicatos de servidores como convidados. 

O grupo analisou dezenas de estudos internacionais sobre o impacto da pandemia em crianças e adolescentes, além de dados epidemiológicos da covid-19 estaduais, nacionais e internacionais, conforme explicou o secretário de Estado de Saúde, o médico Carlos Eduardo Amaral.

“Dentro dos nossos estudos, identificamos que as escolas não são, por si só, um ambiente em que haja transmissão importante de estudante para estudante ou de estudante para profissionais. Por isso, praticamente todos os estados brasileiros já têm sinalização de retorno às aulas, presencial ou híbrido, a partir de março”, explicou.

Ele também reforçou que o retorno gradativo é essencial para garantir a segurança da retomada. 

“É importante que se tenha uma gradação, que as escolas escolham quais grupos vão voltar, que voltem gradativamente, e, assim, a gente possa medir os impactos desse retorno. Sugerimos alternância de horários, grupos e anos escolares. É importante que os gestores municipais e os gestores escolares, públicos ou privados, tenham em vista essa premissa. Ainda estamos em pandemia e o retorno híbrido permite intercalar as aulas presenciais com a preservação do online, inclusive garantindo a estrutura para suspender as aulas on-line e voltar às aulas a distância, caso seja necessário”, orientou.

O presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil em Minas Gerais, Rodrigo Carneiro, um dos integrantes do grupo que avaliou a volta às aulas em Minas, falou sobre o aspecto psicológico das crianças e adolescentes diante do isolamento e reforçou a importância de começar o retorno pelos primeiros anos do ensino básico. 

“O cérebro tem janelas de oportunidade, nas quais se desenvolvem melhor algumas funções, e elas existem principalmente nos primeiros anos de vida. A escola não é só um local de aprendizagem formal e pedagógico, é um local de convivência e desenvolvimento humano. Se continuarmos com as crianças trancadas em casa podemos comprometer uma geração inteira. As janelas de oportunidade não voltam, principalmente nos primeiros anos. Além disso, as crianças e adolescentes estão sob um risco grande que é a sobrecarga digital, que vai trazer grandes fatores deletérios ao desenvolvimento. No Brasil todo aumentaram as situações se irritabilidade, angústia, depressão e alteração do sono”, explicou.

Carolina Capuruço, médica pediatra integrante da Sociedade Mineira de Pediatria, grupo que também integrou o grupo de debates sobre o retorno escolar, ressaltou que as aulas presenciais não devem ser responsáveis por um aumento de casos, já que as crianças apresentam carga viral reduzida.

“Do ponto de vista epidemiológico, sabemos que as crianças não são os grandes disseminadores do vírus. Até 95% dos casos passam de assintomáticos a moderados e a mortalidade é de 1%. Diferente dos adultos, as crianças que se agravam são aquelas com doenças preexistentes muito graves e a decisão de voltar vai caber às famílias com a ajuda do médico que acompanha a criança. Quando fechamos as escolas era por medo de as crianças serem super disseminadores da doença, como são para as retroviroses. Mas estudos no mundo inteiro mostraram que as crianças apresentam carga viral menor e menos possibilidade de transmissão”, defendeu.

Higiene e proteção

Para a retomada, as escolas deverão disponibilizar equipamentos de proteção e produtos de higiene para alunos, professores e funcionários, como dispenser com sabonete líquido, álcool em gel, máscaras reutilizáveis, copos descartáveis, papel toalha, luvas e lixeiras com tampa e pedal. 

Bolhas

É recomendado às escolas a adoção de horários distintos de entrada e saída de diferentes turmas ou de criação de bolhas, com grupos de alunos de que não se cruzem. 

Distanciamento

Nas ondas verde e amarela, haverá distanciamento mínimo de 1,5 metro entre os alunos. Como o tamanho médio das salas de aula da rede estadual é de 42 m², haverá, em média, 18 alunos em cada turma, a depender da configuração estrutural de cada sala.

Na onda vermelha, o distanciamento mínimo será de 3 metros entre os alunos, o que reduziria a média de alunos em sala para quatro, na rede estadual de ensino. 

Critérios de preferência

Quando há mais interessados no retorno presencial do que o possível para a realidade daquela comunidade escolar, a instituição de ensino poderá usar critérios de preferência ou de não preferência, como: crianças pertencentes a grupos de risco; crianças que residam com pessoas de grupo de risco; famílias em condição de vulnerabilidade, principalmente aquelas já registradas no CadÚnico; crianças que residam com tutores sem companheiros, com necessidade de trabalho presencial para manutenção de renda familiar.

Suspensão das aulas

O protocolo do Estado cita possibilidades para a suspensão das aulas presenciais em uma sala de aula, em um turno, em uma escola ou mesmo em um município. Essa medida vai depender das ocorrências de casos.

Havendo mais de um caso de aluno com diagnóstico confirmado de covid-19 em uma mesma turma, toda aquela turma deve migrar para o ensino on-line. Havendo mais de uma turma suspensa em um mesmo turno, todo aquele turno migrará para ensino remoto. No caso de necessidade de suspensão de mais de um turno, toda a escola deverá migrar para ensino on-line temporariamente.

No tocante à atividade escolar de uma forma geral no município ou no estado, os gestores municipais e estaduais deverão observar os indicadores gerais para determinar se há ou não necessidade de suspensão parcial das aulas em municípios, regiões ou em todo o estado.

Municípios

A volta às aulas presenciais só será permitida em um primeiro momento aos municípios que estiverem nas ondas verde e amarela do Minas Consciente. Além disso, é necessária adesão da prefeitura. Ou seja, ela apenas acontecerá nos municípios onde o retorno às aulas presenciais for autorizado pelo poder municipal, mesmo nas escolas estaduais.

Todas as escolas estaduais seguirão o protocolo e a estratégia educacional da Secretaria de Estado de Educação. No caso das instituições de ensino municipais e particulares, cabe a cada município avaliar se irá aderir ao protocolo estadual ou se a prefeitura desejará criar suas próprias regras para o funcionamento. 

Monitoramento

Qualquer metodologia de retorno deve ser monitorada constantemente, para entender os impactos na situação epidemiológica, local e estadual. A principal fonte de monitoramento será o plano Minas Consciente, com indicadores que fomentam e subsidiam o debate de mais reuniões dos gabinetes de crise do estado, incluindo o Grupo Executivo do Minas Consciente e o Comitê Extraordinário Covid-19.

O Comitê Extraordinário Covid-19 é presidido pelo secretário de Estado de Saúde, o médico Carlos Eduardo Amaral. Conta ainda com o governador Romeu Zema, todo o secretariado do Executivo mineiro, representantes do Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público de Minas Gerais, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, da Defensoria Pública de Minas Gerais, do Tribunal de Contas do Estado, entre outros órgãos estratégicos.

Deputados

O relatório final do grupo de trabalho criado para elaborar o plano de retomada do ensino presencial em Minas também foi apresentado pelo governador Romeu Zema e pelo secretário de Estado de Saúde, médico Carlos Eduardo Amaral, por meio de videoconferência na tarde desta quarta-feira (24/2), aos deputados estaduais que compõem a Frente Parlamentar pela Reabertura das Escolas.

Coordenadora da Frente, que já conta com a adesão de 40 parlamentares, a deputada estadual Laura Serrano ressaltou a importância da elaboração do plano. Segundo ela, o estudo está alinhado com o objetivo do grupo de deputados em garantir a retomada gradual e segura das aulas. 

“Hoje, a frente é a maioria da Assembleia e apoia a reabertura. E vimos que o direcionamento que o governo tem dado é pautado em dados científicos, nos estudos mais recentes de protocolos sanitários, de experiências bem-sucedidas de outros estados e países. Com tudo isso, a gente tem muita segurança para dizer que a reabertura com estes novos protocolos vai ser da forma mais segura possível, considerando a saúde de toda a comunidade escolar, alunos, professores e famílias”, afirmou Laura Serrano.

Fonte: Agência Minas