
Calendário da vacinação contra covid-19 em Minas prevê 1ª dose até outubro para todos os mineiros acima de 18 anos
Escala, anunciada pelo secretário de Saúde, foi feita com base na estimativa do governo federal para distribuição das vacinas aos estados
TER 15 JUNHO 2021 13:35 ATUALIZADO EM TER 15 JUNHO 2021 13:36
Todos os mineiros acima de 18 anos devem receber a primeira dose da vacina contra a covid-19 até outubro deste ano. A expectativa é a de que o grupo entre 55 e 59 anos receba a primeira dose ainda neste mês de junho; entre 50 e 54 anos, em julho; de 35 a 49 anos, em agosto; de 25 a 34 anos, em setembro; e de 18 a 24 anos, em outubro. A previsão foi anunciada nesta terça-feira (15/6), pelo secretário de Estado de Saúde, o médico Fábio Baccheretti, em coletiva à imprensa na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. O calendário se baseia na previsão de distribuição de doses pelo governo federal.
“A expectativa do Ministério da Saúde é de enviar 38 milhões de doses para todo o país em junho, 35 milhões para julho, 68 milhões para agosto, 62,5 milhões para setembro e 65 milhões para outubro. Diante disso e do histórico de que 10% das doses vem para a Minas, porque a população mineira equivale a cerca de 10% do país, temos essa expectativa por faixa etária da vacinação com a primeira dose em todo o estado”, explicou o secretário de Saúde.
Ele destacou que o calendário da vacinação em Minas depende do cumprimento do cronograma apresentado pelo governo federal, além da velocidade da aplicação por parte dos municípios. Portanto, as datas podem ser antecipadas ou atrasadas, conforme essas variáveis.
“A velocidade da vacinação não é a mesma em cada município do estado e os grupos não têm o mesmo tamanho proporcional. Então, alguns municípios provavelmente começarão a vacinar antes e outros depois (da data prevista). Há a expectativa que ainda em junho alguns municípios consigam vacinar pessoas abaixo de 55 anos, lembrando que estamos condicionados à distribuição pelo governo federal”, afirmou Fábio Baccheretti.
Cautela
O secretário de Estado de Saúde também enfatizou a importância de se manter o uso de máscara, cuidados de higienização e distanciamento até que o processo de imunização esteja totalmente concluído.
“Apesar dessa boa notícia, o estado continua com alta incidência e a vacinação não impede a transmissão da doença por completo. É essencial o uso de máscara”, lembrou. Atualmente, apenas as macrorregiões Triângulo do Norte e Vale do Aço estão na onda amarela do plano Minas Consciente. As outras 12 regiões estão na onda vermelha e devem adotar medidas mais restritivas para contenção da pandemia.
Imunização
Baccheretti também reforçou que, apesar do aumento da incidência da doença, com crescimento no número de novos casos confirmados, a procura por leitos se mantém estável e a queda de óbitos nos grupos já imunizados permite um panorama otimista sobre o sucesso da imunização.
“Apesar da incidência aumentando, o número de casos aguardando leitos não vem subindo proporcionalmente. Percebemos que há uma redução proporcional nos óbitos nas idades já vacinadas, especialmente com as duas doses, mostrando que todas as vacinas são eficazes. Lembrando que as vacinas utilizadas nesses grupos foram praticamente Coronavac e AstraZeneca, tirando qualquer dúvida sobre a eficácia”, enfatizou.
Fonte: Agência Minas
Copasa prorroga campanha de renegociação de dívidas
Companhia não está efetuando suspensão no abastecimento de água no período da pandemia para clientes da Tarifa Social
A Copasa prorrogou a campanha de renegociação de dívidas até o dia 10/7. O interessado que é beneficiário da tarifa social e da categoria comercial pode pagar suas contas atrasadas, parceladamente em até 24 vezes, sem entrada e sem cobrança de juros e multas.
Se preferir, o cliente da Tarifa Social pode, também, dividir as faturas atrasadas em até 36 meses, com entrada de 5% ou o valor de uma fatura média dos últimos 12 meses (o que for menor). Durante a pandemia, a Copasa suspendeu os cortes de água desses clientes.
Tarifa Social
Para conseguir o benefício, é necessário estar inscrito no CadÚnico, do governo federal, e fazer o cadastramento na Copasa pelo site www.copasa.com.br. Ao ser aprovado no CadÚnico, a pessoa terá direito à Tarifa Social, um benefício para as famílias de baixa renda que reduz em até 40% as faturas dos serviços de água e esgoto.
Já as condições para os empresários cadastrados na categoria comercial têm objetivo de assegurar opções de pagamentos dos débitos e permitir que os comércios que estão inadimplentes com a empresa possam regularizar a sua situação para manter ou restabelecer o fornecimento de água. Essa opção de parcelamento, em 12 vezes sem juros e sem entrada, também foi prorrogada até o dia 10/7.
Mais opções
Segundo a diretora de Relacionamento e Mercado da Copasa, Cristiane Schwanka, o cliente cadastrado na tarifa comercial poderá, também, optar por ter a dívida parcelada em 24 vezes, porém, com entrada de 5% e cobrança de juros. Para as demais categorias (residencial, industrial e pública), a campanha de renegociação de dívidas prevê a entrada de 5% do total do débito ou a média dos últimos 12 meses, e o restante parcelado em até 24 parcelas, com juros.
Cristiane Schwanka explica que os clientes com fornecimento de água suspenso podem renegociar suas faturas atrasadas de forma simples pela Agência Virtual no site: www.copasa.com.br. Em seguida, basta solicitar o restabelecimento do fornecimento de água, também de forma virtual e segura.
Corte de água
Para os clientes da Tarifa Social, a Copasa não está efetuando suspensão no abastecimento de água no período da pandemia. Para os demais, a suspensão ocorre após emissão de fatura com o vencimento estipulado, caso os usuários não façam o pagamento. O cliente recebe um aviso de débito, com prazo, alertando sobre a conta vencida e sobre o corte. Passado o período estipulado para pagamento, o corte será feito.
Fonte: Agência Minas
Uma em cada quatro mulheres não tem acesso a absorventes no Brasil
Em Juiz de Fora, iniciativas buscam mudar essa realidade; projeto de lei prevê distribuição gratuita de absorventes
Por Nayara Zanetti, estagiária sob supervisão do editor Eduardo Valente
13/06/2021 às 07h00
A pobreza menstrual é uma realidade que impacta a vida de milhares de meninas e mulheres não só no Brasil, mas no mundo todo. O termo se refere à ausência de acesso a recursos que garantem a higiene básica dessa parcela da população. Uma em cada 4 brasileiras não tem acesso a absorventes, aponta o relatório Livre para Menstruar, realizado pelo movimento Girl Up – uma iniciativa global da Fundação das Nações Unidas que busca promover a igualdade de gênero -, em parceria com a empresa Herself. As causas dessa problemática estão relacionadas com questões financeiras, saneamento básico e desinformação a respeito da menstruação.
Um processo natural do corpo, a menstruação ainda é cercada por diversos tabus. Com base no estudo, no Brasil cerca de 60 milhões de mulheres e meninas têm o ciclo ativo, o que equivale a 30% da população do país. A professora e doutora em Ginecologia da Faculdade de Medicina da UFJF, Denise Drumond, descreve os fatores ligados a este fenômeno.
“A pobreza menstrual está intimamente relacionada à falta de acesso aos cuidados da higiene menstrual como: absorventes descartáveis, absorventes de tecido reutilizáveis, coletores menstruais descartáveis ou reutilizáveis, calcinhas menstruais, papel higiênico e sabonete. Inacessibilidade a água encanada, esgotamento sanitário e coleta de lixo. Dificuldade para obtenção de medicamentos para problemas menstruais e conhecimento limitado sobre as questões que envolvem o conhecimento do próprio corpo. Essa temática envolve questões ligadas à economia de um país, assim como sua educação e saúde”.

Segundo a ginecologista, muitas mulheres na ausência de produtos menstruais acabam usando outros materiais, correndo o risco de desenvolver doenças. “Podem ocorrer alergias quando são usados jornais, por exemplo. Além de infecções genitais e até infecções mais graves. Além de inúmeras limitações e constrangimentos, suscetíveis a comprometimentos físicos e emocionais a curto e longo prazo. Muitas mulheres improvisam a contenção do sangue menstrual com pedaços de pano usados, roupas velhas, jornal e até miolo de pão”, explica Denise.
Contas públicas
Em 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu o direito das mulheres à higiene menstrual como uma questão de saúde pública e de direitos humanos. Porém, o Brasil enfrenta uma carência na criação de ações públicas que garantam assistência a essa população.
O estudo Livre para Menstruar faz parte da campanha batizada com o mesmo nome, que vem mobilizando estados brasileiros a desenvolverem políticas públicas que possam contribuir com a causa.
Em Minas Gerais, o movimento Absorve Minas atua promovendo ações para a aprovação do Projeto de Lei (PL) 1428/20 que prevê a distribuição gratuita de absorventes na rede pública estadual de ensino, nas unidades básicas de saúde, e nas unidades prisionais em âmbito estadual. No momento, o projeto foi aprovado no primeiro turno, mas ainda passará por uma segunda votação para que a medida seja efetivada.
A vereadora Laiz Perrut (PT), em conjunto com a vereadora Cida Oliveira (PT), protocolou no dia 2 de junho um PL que tem o objetivo de garantir a distribuição gratuita de absorventes para meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade em Juiz de Fora. “Imagina não ter um item que é tão básico para nós mulheres? A nossa expectativa é que esse projeto seja aprovado e garanta o acesso das mulheres a esses itens com rapidez e descrição”, afirma Laiz.
De acordo com ela, o intuito do projeto é disponibilizar os materiais nas escolas e nas UBS, já que esses locais são de fácil acesso ou até mesmo os únicos equipamentos públicos em alguns bairros. “Juiz de Fora não é uma cidade isolada do cenário nacional, nós podemos observar a pobreza menstrual na cidade por meio das escolas. Conversando com as diretoras das escolas e as professoras, percebemos que muitas meninas adolescentes em período menstrual faltam às aulas pelo fato de não terem esses itens de higiene”, explica a vereadora.
Segundo os dados levantados pelo Girl Up, 7,5 milhões de garotas menstruam nas escolas. Dessa maneira, a instituição deve oferecer condições necessárias para que essas estudantes realizem o manejo da higiene menstrual. No entanto, a realidade se distancia desse ideal, é o que demonstra o estudo “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos”, produzido pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), divulgado no dia Internacional da Dignidade Menstrual, 28 de maio de 2021.

O relatório indica que 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas, sendo privadas de ter acesso a absorventes, papel higiênico, sabonetes e até mesmo banheiros.
‘Levar o mínimo de dignidade sem julgamentos é mais que uma missão’
Em Juiz de Fora, algumas iniciativas garantem assistência para mulheres em situação de vulnerabilidade social, como é o caso dos projetos da Associação dos Amigos (Aban) e do coletivo feminista Maria Maria.
Desde a origem da Aban em 1997, a organização promove trabalhos que auxiliam mulheres em alta vulnerabilidade social, mas foi em 2007 que o projeto Vida Plena começou a acompanhá-las, proporcionando diferentes atividades.
“Elas participam uma vez por semana de uma das palestras educativas que realizamos, e cada uma se envolve nos chamados grupos de trabalho de acordo com seu perfil, dons, desejos, talentos e dificuldades. Tem grupo de arte, de assessoria jurídica, de atendimento de saúde, tem grupos ligados à questão ambiental”, informa Renato Lopes, diretor da Aban.
A ação atende 130 mulheres e dentre os serviços prestados estão a doação de alimentos e itens básicos de higiene pessoal, além do acompanhamento médico com uma equipe de saúde, focada na prevenção da saúde da mulher. “A questão da pobreza menstrual não foi um tema colocado diretamente por elas, mas foi um tema que nós percebemos na medida em que a gente sabia da realidade delas e que muitas vezes o recurso dava só para alimentação. Então higiene e limpeza eram questões de grande desafio. Dessa forma, nós garantimos que nas nossas mercearias – loja que tem em cada Aban para que as mulheres possam comprar os itens com a moeda social do projeto – tenham itens básicos de higiene e limpeza, como absorventes”, ele relata.
Atualmente as arrecadações estão sendo feitas pela campanha JF Sem Fome, recolhendo doações de recursos através do site ou do Instagram @aban_associacaodosamigos, na tentativa de reduzir os reflexos da pandemia na vida das famílias atendidas. “Hoje como estamos trabalhando com 130 mulheres, conseguimos arrecadar e entregar entre 8 e 10 toneladas de alimentos e materiais de higiene e limpeza por mês. As pessoas podem ajudar sendo voluntárias entrando no site da Aban ou doando neste momento pela campanha JF Sem Fome.”
O coletivo Maria Maria promove campanhas de arrecadação de itens de higiene básica para as detentas da cidade. “A gente procura sempre ajudar não só na parte de absorventes, mas de higiene geral das detentas. Nós vamos até lá conversar com elas e com as agentes penitenciárias, para entender o que elas estão precisando. A partir disso, realizamos campanhas para arrecadar doações e garantir o que elas necessitam”, relata a assessoria de comunicação do coletivo.

O projeto atende entre 170 a 190 mulheres e, com a pandemia de Covid-19, a organização sentiu a necessidade de mobilizar a população a doar na tentativa de minimizar as dificuldades agravadas por esse período. “As mulheres são mais abandonadas no cárcere que homens, e o Estado não fornece produtos de higiene pessoal em números e de forma adequada. Somando-se ao fato de que a higiene das mãos é a principal forma de prevenção do contágio do coronavírus, decidimos realizar uma campanha voltada para elas, que infelizmente caem muitas vezes no esquecimento do setor público e da sociedade em geral”, comenta a assessoria.
Entretanto, o coletivo foi informado de que as encarceradas não estão precisando de absorventes neste momento. “Depois das últimas campanhas que o coletivo já fez, e com a cobertura da mídia, as pessoas estão procurando doar absorventes para elas. Então focamos em outros itens de higiene nesta campanha, mas algumas pessoas ainda doaram absorventes. Para nós, como coletivo, levar o mínimo de dignidade sem julgamentos é mais que uma missão. É preciso entender a importância do bem estar coletivo, assim como do controle de proliferação de doenças”, finaliza o coletivo.
Fonte: Tribuna de Minas








