O tesouro da Fazenda Araponga

Antônio Santa Cruz Calvário (Tonico da Dona Minervina)
omunicipioonline.com.br

No princípio dos anos 60 aconteceu em Bicas um fato não muito comum para a época. Para lembrar o acontecimento e não causar constrangimentos, vou usar nomes fictícios.
Um belo dia apareceu na Fazenda Araponga, que está localizada perto da Fazenda dos Cristais, entre Bicas e Juiz de Fora, um casal elegante, em um carro muto bonito, que fizeram a apresentação ao proprietário da fazenda, Sr. Orlando, como Alexandre, muito bem apresentado, e Soraia, uma mulher muito elegante e bonita.

Iniciando conversa, disseram que o motivo de suas presenças na fazenda era de que a mesma, há muitos anos atras, foi de propriedade de seu bisavô, Sr. Francisco Venâncio, português, que a comprou por indicação de um primo fazendeiro na mesma região.

Alexandre disse também que, recentemente, ao folhear um livro pertencente ao seu bisavô, encontrou em uma de suas páginas uma carta que dizia ter enterrado em sua fazenda um baú com joias da família e umas moedas de ouro que trouxera de Portugal, e que no verso tinha um mapa do local onde foi enterrado.

Alexandre perguntou ao Sr. Orlando se ele permitia localizar o tesouro e em troca dividiria em partes iguais o valor da venda das joias e das moedas de ouro.

O Sr. Orlando topou. Iniciaram a procura, pegaram o mapa, que marcava o local do baú como enterrado ao lado de uma grande arvore de jacarandá, perto de um bambuzal, que ficava acima do curral, percorreram toda a fazenda e não encontraram nenhum pé de jacarandá. Chegaram à conclusão de que com o tempo a árvore foi cortada e também o bambuzal.

Alexandre disse ao Sr. Orlando que a única maneira deles localizarem o tesouro seria com o auxílio de um aparelho sonar que detecta metais no solo.

Soraia, quando tinha oportunidade, se insinuava para o Sr. Orlando que já estava muito excitado.

No dia seguinte, Alexandre perguntou ao Sr. Orlando se ele permitia que a Soraia ficasse na fazenda enquanto ele ia ao Rio de Janeiro providenciar um sonar para que localizassem o tesouro. O sr. Orlando concordou, e, em seguida, Alexandre perguntou se ele poderia lhe adiantar um valor equivalente a mais ou menos 50 mil reais da moeda atual, pois ele aproveitaria para acertar umas pendências que tinha no Rio de Janeiro e que com o apurado na venda das joias e das moedas de ouro, pagaria como valor de sua parte.

Sr. Orlando concordou, foi até Bicas, retirou o dinheiro da sua poupança e entregou ao Alexandre, que na manhã do dia seguinte, após o café, se despediu e partiu para o Rio, após a primeira curva da estrada parou o carro debaixo de uma arvore, e ficou aguardando a Soraia que, logo após a saída do Alexandre, disse ao Sr. Orlando que que iria fazer uma caminhada em volta da fazenda para manter a forma… só que caminhou pela estrada, encontrou o Alexandre e desapareceram.

Sr. Orlando, após algumas horas procurou Soraia e, não a encontrando, foi no quarto em que estavam hospedados e constatou que não tinha mais nada deles… foi aí que ele sentiu que tinha caído em um grande golpe.

Esse acontecimento foi logo espalhado em Bicas e redondezas. O sr. Orlando, muito envergonhado, vendeu a fazenda, mudou-se e não comunicou o seu novo endereço para ninguém.
As pessoas que viveram naquela época certamente vão lembrar desse acontecimento.