
Plantão Coronavírus Ciesp de quinta-feira, 03/02/2022

Entrevista exclusiva com Prefeito de Maripá de Minas, Vagner Fonseca Costa
Primeiro ano de mandato

Todos sabemos que administrar não é tarefa das mais fáceis, sobretudo nos tempos atuais. O senhor poderia nos dizer quais as principais sensações encontradas ao assumir pela terceira vez a gestão municipal?
Saudações a todos! Bom, uma sensação de valer a pena, ter seriedade, planejar, ver que uma sequência de Governo sério e comprometido com o bem comum, resulta em grandes benefícios ao nosso Maripá. É importante informar que temos um planejamento estratégico, acompanhado do Conselho Municipal, nos dando direcionamento para alcançarmos os objetivos.
O setor de Saúde é sempre muito exigido, principalmente com a pandemia DA Covid-19. Como o Senhor vê o atendimento prestado aos maripaenses?
Olha, parece ironia o que vou dizer. Apesar de momentos extremante difíceis, com grandes perdas, nossa Saúde está muito estruturada. Temos uma equipe competente e algo muito importante: não houve falta de recursos para o combate à pandemia. Agradeço aos governos Estadual e Federal. Por isso, conseguimos até concluir nossa UBS/Policlínica, com mais de 1.200 metros quadrados, abrigando a UBS de Apoio, Atendimento 24 horas, Secretaria de Saúde e garagem para os veículos da pasta, com um detalhe: todos os móveis e equipamentos são novos. Ainda, englobando a Farmácia Municipal, com mais de 260 itens (medicamentos), um PSF (ESF), evoluindo a ponto de iniciar um check-up nos nossos munícipes para, de fato, fazer a prevenção, visita domiciliar e as vacinas de combate a Covid-19, com agendamento e sem nenhuma fila. Agora, contamos ainda com um convênio com os estagiários de medicina da UFJF.
É bastante comum que as demandas da Saúde entrelacem com os da Assistência Social. Como está esse setor?
Eu percebo que a administração pública só funciona se tiver tudo integrado, o que é um grande desafio. Tenho esforçado para cada vez mais haver esse entendimento. Algumas regras e leis dificultam, mas percebo que estamos dando passos a diante. Nossos serviços de assistência não pararam durante a pandemia. Tivemos, logo no início, uma enchente e juntamos forças para superar. Com tudo isso, continuamos acompanhando familiares, pacientes, e ainda mantivemos os programas sociais, dentro da realidade do momento.
Em relação à geração de empregos na cidade, alguma novidade?
Sim. Abrimos um processo para instalar empresas do ramo têxtil, em espaço público, sendo que uma indústria já está em pleno funcionamento. Fizemos parceria com a Call-Center Alma Viva para qualificar e empregar os maripaenses. Colocamos, ainda, em prática, o projeto “Em Maripá, sexta é feira”.
E o setor educacional, bastante afetado pela pandemia, como vai?
Quanto à educação em nosso município, optamos por preservar as crianças: por isso, conseguimos ter um aproveito de 100 % com 200 dias (131 = 65,5% presencial e 69 = 34,5% on-line) de aulas na pandemia. Aproveitamos esse período para avaliar, através de consultores, nossas ações, planos, para sabermos dos nossos erros e acertos. Estamos trabalhando nosso currículo municipal e o novo tempo integral para buscarmos recuperar o tempo perdido. Além disso, firmamos convenio com o IFET/Rio Pomba (aguardando o retorno das atividades), bem como a Unopar e estamos projetando a construção da terceira escola em parceria com o governo estadual.
Como estão as áreas de cultura, esporte e lazer?
Esses setores foram os mais afetados, mas ainda assim aproveitamos para adquirir um terreno para propiciar um futuro complexo esportivo (compromisso estabelecido no plano de governo), conquistado através de emenda parlamentar (parte do recurso). Dentro desse mesmo raciocínio, estamos ponderando a construção de espaço para feira (empório), juntando cultura e lazer. Estamos ainda fazendo a cobertura da quadra do Bairro Darcy José da Costa (Pedra Branca) e adquirimos terreno para construção de uma praça no mesmo bairro.
Quais as novidades na área de desenvolvimento?
Na agricultura, fizemos investimentos consideráveis em tecnologia para apoiar o produtor rural. Estamos dando andamento em um projeto de plantio de milho para grão, intensificando o melhoramento genético do gado de leite e implantando, por meio de um veterinário, o projeto “Superinseminação” destinado ao gado de corte. Renovamos o contrato com a Emater e ainda aproveitamos e fizemos um contrato com uma empresa de agronomia com foco na produção de milho, mantendo o funcionamento da patrulha mecanizada. Em relação ao meio ambiente, montamos uma equipe para trabalhar a construção e implantação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) em toda a área urbana e parte da comunidade rural. Assim sendo, adquirimos terrenos para essas instalações, num total de mais ou menos 21.000 metros quadrados. Além disso, estamos concluindo o Projeto Crédito Verde, em conjunto com a população, para cuidarmos do material reciclável.
E a Secretaria de Obras, como vai?
Na questão de obras, na parte sobre desenvolvimento, nossa busca é para estruturar o Município tanto na parte urbana, quanto na rural. Estamos realizando drenagem (bueiras), pontes, praças e calçamento. Adquirimos equipamentos e veículos como Caminhão Compactador de Lixo, Caminhão Pipa, Rolo Compactador e outras ferramentas. Ainda, adquirimos equipamentos para funcionamento da Fábrica de Artefatos, objetivando realizar calçamento em bloquetes para diminuir custos. Estamos licitando uma Usina de Energia Solar.
Como vão as finanças do município de Maripá de Minas?
Quanto às finanças, temos a satisfação de viver um equilíbrio, graças a seriedade de todas as esferas de governo. Na administração, estamos implantando o Projeto Atende Cidadão, com o objetivo de ter ainda mais transparência e buscar mais eficiência, integrando todas áreas para facilitar as respostas aos anseios da comunidade.
Mensagem final
Minha mensagem é com objetivo de pedir mais tolerância e humildade, pois temos que tirar algum proveito da pandemias em que vivemos. Nos faz pensar o quão vulnerável somos, e que viver solitário, à margem, isolados é ruim demais. Vamos valorizar nossa estada aqui na Terra e que Deus nos abençoe.
UTI pediátrica do SUS atinge 100% de ocupação em Juiz de Fora
Cidade dispõe de apenas dez leitos públicos, e todos estão no Hospital João Penido; Prefeitura diz que trabalha para ampliar atendimento
Por Sandra Zanella
02/02/2022 às 19h14- Atualizada 02/02/2022 às 20h00
A UTI pediátrica da Rede SUS atingiu 100% de ocupação em Juiz de Fora, deixando em alerta a Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde e a própria Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), que busca a ampliação de leitos. Ao mesmo tempo, o Executivo municipal tenta controlar o avanço da Ômicron e incentivar a vacinação na faixa etária de 5 a 11 anos, já que parte da alta demanda infantil por tratamento intensivo está atrelada a casos de Covid-19.
Segundo a PJF, todos os dez leitos disponíveis estão no Hospital Regional Doutor João Penido. O saturamento da UTI pediátrica teria começado na semana passada, motivando pelo menos duas transferências de crianças para hospitais da região. Na semana anterior, uma menina, de idade não informada, precisou ser levada para atendimento em Muriaé. Já no último fim de semana, um menino de apenas 6 meses foi transferido para Ubá.
Desesperada, a família do bebê, que é de Tabuleiro, a cerca de 60 quilômetros de Juiz de Fora, fez mobilização nas redes sociais para tentar a transferência. “Meu filho está na UPA de São Pedro à espera de uma vaga na UTI pediátrica para poder tratar da bronquiolite e laringite agudas. Esse tratamento só consegue ser feito com sucesso na UTI. De todos os hospitais da cidade e região, não tem nenhum que possa disponibilizar uma vaga para um bebê de 6 meses de vida com problemas respiratórios e um laudo médico grave”, escreveu a mãe, no domingo (30), acrescentando seu desespero, por temer que a qualquer momento o quadro de saúde de seu filho pudesse piorar.
O coordenador regional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde, Rodrigo Barros, reiterou que, em Juiz de Fora, apenas o João Penido oferece UTI pediátrica para atendimento de Covid-19. “Em relação às transferências para Muriaé e Ubá, a Secretaria de Saúde da PJF tentou anteriormente comprar o serviço em hospitais não-SUS de Juiz de Fora, porém sem êxito.” Rodrigo ressaltou que a questão da ampliação de leitos UTI pediátricos é bem complexa. “Envolve não somente equipamentos, mas também equipes profissionais.”
O promotor acrescentou que, no plano de contingência para Covid da Macrorregião Sudeste – polarizada pelo município e que inclui mais 93 cidades e população estimada em 1,6 milhão de habitantes – foram destinados dez leitos UTI pediátricos no Hospital João Penido, um no Hospital São Paulo (Muriaé) e dois no Hospital Santa Isabel (Ubá). “Até o final de 2021, a ocupação dos leitos estava tranquila, inclusive tendo dias em que os leitos de UTI Covid pediátrica do Hospital João Penido permaneceram vazios.”
Em nota, a Secretaria de Saúde da PJF enfatizou que a criança transferida para Ubá não é residente em Juiz de Fora e pontuou ser comum a transferência de pacientes entre as cidades para oferta de leitos de UTI.
‘Vacinação é o caminho mais eficaz’, diz promotor
Diante do cenário preocupante com a lotação dos leitos de UTI-SUS pediátricos em Juiz de Fora, o coordenador regional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde, Rodrigo Barros, ponderou que o caminho mais eficaz para contornar essa situação e não deixar crianças desassistidas é a vacinação infantil. “Pois, como disse, a ampliação de leitos UTI pediátricos é bem complexa.”
A própria PJF também vislumbra esse trajeto e, nesta quarta-feira (2), anunciou o Dia D da vacinação contra a Covid-19 para a faixa etária entre 5 e 11 anos, no próximo sábado. Os pontos de vacinação para a primeira dose infantil serão o Sport Club Juiz de Fora e a Praça CEU, das 8h às 16h.
“Só para exemplificar a dificuldade de ampliação dos leitos UTI pediátricos, o Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ) está há muito tempo nesse processo para 10 novos leitos, porém ainda sem êxito, pois depende de equipamentos e profissionais”, informou o promotor. “A demanda também é alta do não-Covid para UTI pediátrica. O gargalo é ainda maior.”
Sobre a possível criação de vagas, a assessoria do HMTJ disse que o hospital tem estrutura pronta para operar dez novos leitos de UTI Neonatal e Pediátrica, dependendo apenas de liberação/aceitação do projeto para equipar o setor. “Esta anuência depende da Secretaria de Estado da Saúde. Toda a documentação e informação exigida já foi encaminhada.”
Na última quarta, a Secretaria Municipal de Saúde destacou que os dez leitos de UTI pediátrica estão ocupados e que o Hospital Regional Doutor João Penido é referência. “É o único que oferece o serviço de leito UTI pediátrica (SUS) na cidade. Informamos ainda que esta demanda está atrelada aos casos suspeitos de Covid-19.” A PJF assegurou que está trabalhando para ampliação de UTI pediátrica e para minimizar os impactos da alta taxa de contaminação de Covid-19 na cidade.
Fonte: Tribuna de Minas



