A Limouzine

Antônio Santa Cruz Calvário (Tonico da Dona Minervina)
omunicipioonline.com.br

(O Jornal O MUNICÍPIO, há 80 anos, em julho de 1946, publicava: Bicas, subúrbio do Rio)

“Os Senhores Artidoro de Campos e Albertino Luiz Teixeira de Rezende, sócios componentes da firma: Rezende e Campos Ltda. Conforme é do conhecimento público, vão explorar o serviço de Limousines na linha Bicas – Rio de Janeiro/vice versa, estando para isso ultimando a regularização da aludida linha, que já obteve do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem a devida concessão. Pelo que nos foi informado, no dia 31 de julho corrente, será iniciada a partida da primeira Limouzine, serviço este que devido a dificuldade de carros e bem assim da aquisição de pneumáticos, será feita na seguinte escala: Partida de Bicas, do Bicas Hotel, às 6:30 horas da manhã – às 2ª, 4ª e 6ª feiras. Partidas do Rio – do Hotel dos Andradas – às 7 horas da manhã – às 3ª, 5ª e sábados. (preço de 1 passagem simples – Cr$ 80,00) Aos domingos especiais.”

Eu me lembro dessas Limouzines. Naquela época eu estava com 8 anos e, juntamente, com outros meninos da parte alta da cidade ficávamos vidrados com a passagem delas: muito bonitas, eram automóveis da marca Chevrolet, ano 1941, na cor preta, bem brilhante… ficávamos felizes pelo motivo de, ao passar por nós, o Sr. Artidoro nos cumprimentar, bons tempos.

Antes das limousines, nos anos de 1944 e 1945, também, ficávamos vidrados com a passagem do carro movido a gasogênio, do Sr Necésio Silva, um grande empresário biquense, proprietário de armazéns de beneficiamento de grãos. Ele morava em uma bonita mansão da Rua do Bonde e era patriarca de uma das mais tradicionais famílias de Bicas.

O Sr. Necésio adaptou o seu carro para funcionar com gasogênio, que foi muito usado no Brasil durante a crise do petróleo decorrente da segunda guerra mundial (1939/1945). O racionamento de gasolina imposto pelo governo brasileiro obrigou os motoristas a converter seus carros para funcionar com gasogênio (gás obtido por meio da queima de carvão). Mas, para ser usado, o gasogênio requeria um equipamento acoplado na traseira do veículo, ou seja, era preciso adaptar o automóvel para uso desse combustível.

O motor específico para gasogênio funcionava com gazes (nitrogênio, hidrogênio, monóxido de carbono, metano) obtidos pela queima do carvão ou da lenha. Quem viveu naquela época certamente lembra desses automóveis.