Um causo à parte – Memórias – Paquera na Procissão

O MUNICÍPIO está recordando os pitorescos contos do livro “Bicas, um causo à parte”, do saudoso Vasco Teixeira, prestigiado ex-colunista do jornal. Um biquense que também fez história nas cidades de São José dos Campos (SP) e Paraisópolis (MG), onde estava radicado. O Tiãozinho da Rua do Brejo era multifacetado: metalúrgico, político, cronista, escritor, artista plástico e mais.

Paquera na Procissão

Os rapazes no meu tempo não tinham muitas chances de ver seus brotinhos no dia a dia; então, era comum agir nas portas das escolas, fila do cinema e de outras maneiras, como nas procissões…

A tática era ficar esperando até o brotinho passar… aí nós acompanhávamos pela calçada esperando algum sinal dela…

Enquanto esperávamos, a procissão seguia seu rito normal; Zé Pafo, com aquela matraca barulhenta, espantando os maus espíritos, o padre lavrando incenso e tudo mais.

Às vezes, as mães e os pais acompanhavam nossas paqueras. Aí não tinha jeito, ficávamos só nos discretos sinais. Mas, quando a garota estava só ou com uma amiga, era a hora da abordagem. Era comum levar uma vela apagada e pedir para ela acender. Sem dúvida, era uma boa tática. Mas precisava de uma amaciada antes, como uma piscadela, ou outra simulação.

Muita gente fazia isso. Não sei se era pecado, mas era gostoso pra caramba. No fim, quando terminava a procissão, e tudo dava certo, era comum levar a gatinha até o portão de sua casa…

Bicas herege.