O MUNICÍPIO está recordando os pitorescos contos do livro “Bicas, um causo à parte”, do saudoso Vasco Teixeira, prestigiado ex-colunista do jornal. Um biquense que também fez história nas cidades de São José dos Campos (SP) e Paraisópolis (MG), onde estava radicado. O Tiãozinho da Rua do Brejo era multifacetado: metalúrgico, político, cronista, escritor, artista plástico e mais.
Estúpido Cupido

Na praça da matriz, estava eu com um canivete fazendo numa árvore um “inédito” coração flechado, com as minhas iniciais e do meu brotinho.
O jardineiro Sr. Orestes me pegou no flagra… “Além de pisar na grama, você está machucando a árvore!”, disse ele. “Mas o senhor precisa entender que a paixão tem que ser registrada”, repliquei.
“Quanto a isso não tenho dúvidas, virou uma febre aqui na praça”, continuou ele… “Meu filho, termine que eu vou fingir que não estou vendo, mas não se iluda, paixão dura tanto quanto a euforia de um gol anulado. Já vi vários aqui raspando o nome das amadas no coraçãozinho flechado”. Deu um sorriso maroto e se afastou.
Mais de vinte anos depois, eu estava passeando em Bicas e me lembrei dessa história… fui procurar a árvore. Não estava mais lá, muito menos o coraçãozinho.
Sentei no banco e pensei: “A árvore foi tão efêmera quanto a paixão, mas outras virão. Tanto a árvore, quanto a paixão”. É a vida seguindo seu curso…
Bicas romântica.