Um causo à parte – Memórias – A enchente e a pataiada

O MUNICÍPIO está recordando os pitorescos contos do livro “Bicas, um causo à parte”, do saudoso Vasco Teixeira, prestigiado ex-colunista do jornal. Um biquense que também fez história nas cidades de São José dos Campos (SP) e Paraisópolis (MG), onde estava radicado. O Tiãozinho da Rua do Brejo era multifacetado: metalúrgico, político, cronista, escritor, artista plástico e mais.

A enchente e a pataiada

Estávamos jogando nossa peladinha costumeira quando, de repente, caiu o maior toró.

Corremos para a varanda da casa do Neném Brasinha, que era logo ali na esquina. Lá chegando, Neném já estava com seu cigarrinho de palha na boca e, esfregando às mãos, deu
uma cutucada: “Não vão embora, não! Faz tempo que não fazemos uma panelada. Na hora que o córrego encher começa a descer a pataiada do Cesário”.

A enchente veio e junto apareceram os nadadores: Oswaldinho, Picolé, Zé Cúgola e outros. Formigueiro representava a nossa rua. A plataforma de salto ficava bem em frente a minha casa. Era o barranco mais alto que tinha por ali. A ponte era um gargalo natural por não dar a vazão necessária.

Ainda por cima, tinha um cano de água que atravessava o córrego onde, vez por outra, praticávamos equilibrismo…

Entre um mergulho e outro, começavam a aparfecer os patos. Nessa hora, nosso time entrava em ação: Eu, Miro, Panelão, Gá e mais alguns moleques, em cima da ponte, recolhíamos os patos.

Às vezes, um ou outro pato passava e ia embora. Nossa cota mínima era de quatro aves. Não era difícil pegá-los, na correnteza, eles perdem o controle.

Dentro da casa do Neném, outra equipe entrava na preparação dos pés chatos. Quando a coisa acalmava, saboreávamos a pataiada, com arroz e angu.

No outro dia, Sr. Cesário passava perguntando sobre seus patos… Nós fingíamos que não sabíamos de nada…

Bicas alagada…