Antônio Santa Cruz Calvário (Tonico da Dona Minervina) omunicipioonline.com.br

O carnaval se aproxima com a sua alegria contagiante, com o seu ritmo envolvente, que põe requebros no corpo da gente, que domina, arrebata, que faz pular, dançar, gritar, e …pois é! …., mas…, apesar da grande animação, o Carnaval de hoje não é mais como antigamente.
Nos tempos da minha juventude, nos anos 50 e 60, o clima carnavalesco começava mais ou menos em dezembro, quando nas rádios começavam a aparecer as novas músicas gravadas para o Carnaval que se aproximava. Ouviam-se, então, as vozes de Emilinha Borba, Marlene, Chico Alves, João Dias, Carlos Galhardo, Linda Batista, Nuno Roland, Dalva de Oliveira, Blecaute, Orlando Silva, Ivon Curi, Moacir Franco e outros, cantando as marchas e sambas: O teu cabelo não nega, Até amanhã, Implorar, Mamãe eu quero, Não tenho Lágrimas, As pastorinhas, Jardineira, Despedida da Mangueira, Lá vem a Mangueira, Eu agora sou feliz, Deixa andar, Cabeleira do Zezé, Trem das onze, Tristeza, Vem chegando a madrugada, Solteiro é melhor, Aurora, Ai que saudade da Amélia, Alá-lá-ô, Praça onze, Bandeira Branca, Atire a primeira pedra, – Nega do cabelo duro, – Que rei sou eu, – Trabalhar, eu não, Cordão dos puxa sacos, General da banda, Daqui não saio, Nega maluca, Pra seu governo, Chiquita Bacana, Tomara que chova, Touradas de Madri, Sassaricando, Você pensa que cachaça é água, Ressaca, Saca-rolha, Recordar, Maria Escandalosa, Vai com jeito, Vai ver que é, Chora doutor, Me dá um dinheiro aí, Quero morrer no carnaval, Colombina, Deserto do Saara e um montão de outras.
Quando vai se aproximando a época de Carnaval sinto uma grande saudade, exatamente porque não ouço mais as músicas típicas do Reinado de Momo, apenas as “axé-music”, e que continuam a imperar até nos dias de folia.
Em Bicas, passados os bons tempos das Escolas de Samba (1980/1990), felizmente, ainda temos os desfiles de animadas agremiações, como o Bloco da Cana, Bloco do Urubu, Bloco das Abelhas, Piranhas da Rua da Caixa, Bloco dos Amigos etc; contudo, sentimos falta dos antigos e tradicionais Blocos Carnavalescos, como o da “Caninha Verde”, do “Cume Ardendo” e outros.
Também deixou saudades as apresentações da “Orquestra Sapolândia”, que alegrava os participantes e a todos que assistiam as suas apresentações, sem falar da chegada do Trem com o “Rei Momo”, em vagões da Leopoldina, enfeitados e cheios de foliões que eram acompanhados por uma Banda carnavalesca que animava a festa tocando as tradicionais músicas. A Estação, e a praça em frente, ficavam fervilhando de gente aguardando a chegada do Prefeito para entregar a Chave da Cidade ao Rei Momo que dava início ao Carnaval. Isso tudo com muita serpentina, confetes e muita alegria.
De posse da Chave da Cidade, o Rei Momo, Primeiro e Único, acompanhado pela Banda, e dos animados foliões, iniciavam o desfile pelas principais ruas da cidade, que terminava nos salões dos cubes Biquense e Esporte, onde aconteciam os animados bailes infantis com as animadas crianças acompanhadas por seus pais.
À noite, ele comparecia nos salões dos referidos clubes, para animar os foliões com a sua tradicional alegria que contagiava a todos, sempre com a Chave da Cidade nas suas mãos… o seu Reinado ia até a terça-feira gorda… só voltando no próximo Carnaval.










