Homenagem fotográfica para mais de 100 anos de vida
[E-mail (reportagem/homenagem) enviado ao jornal O MUNICÍPIO]
Quando criança não gostava dela, pois me dava beliscões. Quando mudei pra JF foi que conheci a verdadeira tia Cléa.
Pessoa excepcional, com 80 anos de história e histórias para contar, sempre com equilíbrio. Durante 20 anos tive a chance de ouvir dela casos que espelhavam bem como JF e o Brasil mudaram radicalmente.
Ela morreu, desconfio, pouco antes de fazer 101 anos. Segue em anexo, num doc.x, homenagem com 98 anos de testemunho fotográfico.
Adeus, querida.
Ps. Se você conhecer parente ou amigo, envie por favor.
MAM
Por Marcos Andrade Moraes
Tia Cléa nasceu em JF, há quase 101 anos, mas viveu mais que sua infância na fazenda que o pai gerenciava em Bicas/MG, a majestosa Fazenda do Havaí.

O jornal O Município, de Bicas, o mais antigo do Brasil ainda em produção, narrou assim:


Ei-la, abaixo, abraçada ao pai, juntamente com a mãe e seus dois irmãos. Depois viriam mais 2…

Sua vida na fazenda foi “urbana”, pois não era chegada a cavalo, comitivas, vaca, galinha, pé de café e, principalmente, boca de sapo, que mordeu o irmão querido e quase o matou, deixando um imenso terror em todos eles, por toda a vida.
A mãe dela era professora e alfabetizou todo mundo na fazenda, inclusive os empregados. Mas reza a lenda, que estudaram na fazenda porque o pai tinha medo que seus filhos fossem à Bicas, em função do assassinato do avô por gente de Arthur Bernardes, em 1921.
A mãe dela também era eximia pianista, mas não gerou nem sequer um tocador de campainha…
Na foto a seguir ela está junto à tia que adorava, à porta dos fundos da fazenda, com seus dois irmãos, mais outro tio e Juca Guingo tocando corneta…Tios ainda crianças, pois o avô teve 10 filhos e foi assassinado com apenas 47anos…

A seguir, na entrada da fazenda… Devia ser bem cedo, pois todo mundo de pijamas e até o gado Gir está sonado…

Floresta da Tijuca!
Visita ao Rio de Janeiro, lá pelos 1926. O carro era fruto de 200 mil pés de café, gados, minas de malacacheta e cauim, mais o Acordo de Taubaté.


De volta à fazenda, ela, irmãos, pais e parentes da mãe, na varanda da majestosa.


1ª comunhão / Era católica fervorosa, de fazer e cumprir novena…
Nunca a vi em dúvida sobre os dogmas, a não ser quando conversou comigo sobre o Código Da Vinci, quando exclamou: “Mas então eu aprendi tudo errado”? Infelizmente, a dúvida durou pouco, porque a fé era forte, he, he… Mas nunca se refugiou na ignorância, conforme assistimos hoje, principalmente com o gado evangélico.
Quando chegou a hora de enfrentar o colégio, veio pra JF. Aqui, ela, mãe, o irmão que nunca ri e o temporão, na casa da avó dela, na F.Lobo.

Ela, entre a avó e o irmão que nunca ri. Mais os irmãos e primos. Já mocinha, feliz da vida, provavelmente porque havia recebido a aplicação de AHT que resolveria grave alergia com perfumes, que lhe deixava inchada e com inflamação na pele …Década de 30!

A boa vida gerada pelo café durou uns 17 anos, pois Vargas acabou com a farra e a família faliu. Ela e seus irmãos tiveram que trabalhar muito cedo e todos foram para o Estado: Prefeitura, BCRM, BB…
Ela enfrentou a mudança com dignidade e se tornou barnabé orgulhosa do trabalho que realizava, aposentando-se muito bem na Prefeitura. Volta e meia reclamava comigo dos serviços prestados nos dias de hoje…
Mas a família nunca perdeu a unidade. Para arrancar uma crítica ou observação eu tinha que cortar um dobrado! Mesmo que fosse dos familiares inimigos, que não eram poucos.
As bodas dos pais! Ela entre o pai e irmão que nunca riem… Se bem que nessa ninguém riu!

Uau, ela, seus irmãos e o irmão que finalmente riu! O garoto ao lado deve ser papagaio de pirata…Ah, se o movimento negro visse essa foto!

A seguir, ela, mãe e irmã… São fotos tiradas na escadaria da casa que pra mim era paraíso.

Paraiso! Abacateiro, pomar, galinheiro, cachorro, porão com cheiro de mofo, sala com pia de louça, piano, muito santo, cruz com luz própria, móveis lindos, balas à vontade… e, de vez em quando, enxurradas bíblicas! E pipa sem rabo solta com linha em moviola!
Mineiras on the beach! Rio de Janeiro a seguir.
À direita, a irmã, ela e mineiras em posição frágil, caso viesse uma onda, não?

Quando eu mostrei a foto, há uns 20 anos, ela agradeceu e disse: “Que bom que vc trouxe essa foto, para mostrar para as crianças, que nós já fomos jovens”!
Abaixo, ela e a futura cunhada, esposa do irmão que não ri…

Ela, ao centro. Da esquerda pra direita, o irmão que nunca ri, a futura cunhada, o tio-avô, a prima e o tio Mirante

Ela, a irmã, o irmão que nunca ri e a futura cunhada…Paquetá!


Ela, magnifica, com a cunhada e a 1ª sobrinha…

Ela não casou, nem teve filhos. Mas adotou um: Ambrósio.

Ambrósio se tornou uma figura educada, e gentil. Mas tinha um problema: rabo de saia. Casou duas vezes e teve um filho com cada uma, ambos educados por ela. Se ele continuasse a produção a solução seria ela abrir uma creche, mas felizmente ele parou. Aliás, se ela tivesse, uau!, empreendido teria ficado rica com a batida de coco que fazia! Barbaridade, era néctar pra Baco elogiar!
O 1º neto recebeu o nome de José Carlos, o mesmo nome do irmão que nunca ria e do avô assassinado. Rapidamente tornou-se seu xodó e sua maior infelicidade. Era o Zé!
A 2ª neta que recebeu seu nome: Clea e que virou Cleinha…
A seguir duas fotos tiradas na minha casa, quando apresentei minhas tias a parentes suas de Bicas e Pequeri. Zé está ao fundo de camisa vermelha, tendo ao seu lado sua mãe e depois ela.

Zé era bem diferente do pai, pois insatisfeito, ambicioso, inquieto. Mas tremendo rabo de saia, com belas garotas no entorno…
Cleinha é o máximo! Domina um computador com rara competência e eu diria que é uma hacker do bem. Estava com ela na hora da sua morte…
Zé foi para Valença – ou Vassouras? – estudar Direito e lá conheceu bela mulher, dona de pousada; casaram-se e tiveram uma filha que é uma graça!
Mas Zé não ficou quieto! Acabou se formando e foi trabalhar numa empresa que, infiro, foi terceirizada pela Petrobras. Foi trabalhar no interior do RJ e lá, barbaridade, foi assassinado dentro da empresa, por um tiro de fuzil dado em sua cabeça!
Não foi bala perdida, mas execução de um colega que ele, por azar insuportável, estava presente e levou o troco. Mas tiro de fuzil, até na Ucrânia, tem que ter explicação. Menos no Brasil! Foi em 2016 ou 2017 e ate agora nada…
Ela não aguentou! Por mais que tentasse e mesmo tendo a fé, a neta e o filho como suportes…, a verdade é que ela desabou. O Natal de 2017 foi das coisas mais tristes que participei.
Abaixo, a bisneta, ela, a viúva e a irmã.

Aos poucos foi delirando e não saia mais da cama, com medo de cair. Foi quando veio a pandemia e ficamos dois anos longe. Só recentemente pude visita-las…
CONCLUSÃO
Se houve alguém que viveu com dignidade foi ela. Nunca a ouvi reclamar de nada…Bem, só do Congresso, que por ela seria fechado!
Fato é, morreu como todo mundo deveria morrer: na sua cama, de velhice e com a neta segurando a sua mão.
Foi uma honra conhecê-la, Clea de Oliveira Moraes.
Sport Clube Biquense vence Tupi em jogo da entrega das faixas pelo Torneio da LAB de 1961

Festa da entrega das faixas ao Esporte, campeão da LAB em 1961.
Em pé: Norton, Aziz Gabriel, Vavate, Sr. Barreto, Urias, Quinista, Jacyr, Maury, Maurício, Taizinho, Zé Quinhentos, Lalado, Edgar de Oliveira e Laerte Bignoto;
Agachados: Ronaldo, Zé Carlos, Joelzinho, Oswaldinho, Messias, Nevito, Vitinho e Du.

Em pé: Neuza Matioli, Tereza Silva, Maria Helena, Elizabeth, Sônia Rocha, Lalado, Neida Arruda, Marli, Ivete, Tereza, Eunice e Lúcia;
Agachados: Joel, Messias, Urias, Quinista, Jacyr, Maury, Taizinho, Ronaldo, Maurício, Zé Carlos, Vitinho, Du, Nevito e Oswaldinho

Casarão do saudoso sr. Olivan Abrahim
Almoço de confraternização entre autoridades e professores, em comemoração ao primeiro ano de funcionamento do Ginásio Francisco Peres

Foto tirada na plataforma de recepção da Cooperativa dos Produtores de Leite de Bicas

Esporte Clube Minerador – Campeão de Futebol de Campo em Bicas
O MUNICÍPIO recebeu do leitor Aloísio Nardelli a seguinte recordação, de 19 de fevereiro de 1989:

Foto 1 – Em pé: José Maria, Neneca, Adilson, Aloísio Nardelli, Joli, Zerrinha, José Maurício, Elder e André… Agachados: Vilani, Paulo Gomes, Roberto, Claudinho, Murilo, Renato, Cláudio, Leitão e Zinho
Foto 2 – Jacyr Moreira, Prefeito de Bicas, entregando o troféu de campeão ao Zerrinha, capitão do E.C. Minerador
Foto 3 – O jogador André recebendo a taça de goleiro menos vazado das mãos de Noé Fonseca, “Patrono do Campeonato”
Em junho de 1968, Bicas recebe o Fogo Simbólico da Pátria
Em 23 de junho de 1968, o município publicou


Centenário da Paróquia São José de Bicas / 21 de novembro de 2021


Paróquia de São José de Bicas
A emancipação Eclesiástica do distrito de São José de Bicas deu-se em 13 de janeiro de 1902, decreto provisão assinado por Dom Silvério Gomes Pimenta, Bispo de Mariana, em 11 de janeiro de 1902. Nesta mesma data foi assinado o termo de posse de Frei Luiz Reinke O.F.M, de Petrópolis. Frei Luiz Rinke foi o primeiro padre residente, responsável pelo curato, empossado pelo Padre José Juvêncio de Andrade, vigário de Guarará.
Para a fixação de um padre em Bicas, ocorreu em 31/12/1901 um fato muito importante.
O Cel. Joaquim José de Souza e sua esposa Ana Goulart de Oliveira Souza eram proprietários de um imóvel em bom estado de conservação no largo da Matriz. Os donos estabeleceram um valor pela casa, que foi pago pelo povo para oferecê-la como patrimônio à Capela de São José de Bicas, para cumprir as exigências da Diocese e permitir a elevação do distrito a Curato. Assim, graças à participação deste casal, foi possível ter a casa paroquial disponível para morada do vigário e possibilitar a instalação do curato.
No Livro de Tombos da Paróquia São José de Bicas, documento centenário com os registros eclesiásticos, consta a posse de Frei Luiz Reinke em 11 janeiro de 1902, inclusive com as assinaturas das pessoas presentes ao ato: João José de Souza, Octaviano Pinto de Rezende, Marçal Benigno Moreira, Alfredo Ribeiro de Barros, José Américo de Moraes Feijó e Álvaro Fernandes Dias.
A Paróquia de São José de Bicas foi criada em 21 de novembro 1921 pelo Arcebispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta. Nesta época, o distrito de São José de Bicas era curato da Comarca Eclesiástica de Leopoldina e da Matriz do Divino Espírito Santo de Guarará.

Diocese de Juiz de Fora
A circunscrição territorial da Diocese de Juiz de Fora foi criada pela Bula “Ad Sacrossancti Apostolatos Officium” do Papa Pio XI, em 01/02/1924, com o território desmembrado da Arquidiocese de Mariana da qual a Paróquia de São José de Bicas passou a fazer parte. O 1º Bispo da Diocese de Juiz de Fora foi Dom Justino José de Santana, cujo período de bispado foi de 1925 a 9 de junho de 1958, data de seu falecimento.
Dom Geraldo Maria de Moraes Penido foi promovido a Bispo, em junho de 1958 e assumiu como o 2º Bispo da Diocese de Juiz de Fora.
Em 14 de abril de 1962, pela Bula “Qui tanquam Petrus” do Papa João XXIII, a Diocese de Juiz de Fora foi elevada a Arquidiocese e Sede Metropolitana. João XXIII esteve como Papa de 1958 a 1963, foi sucedido por Paulo VI) Dom Geraldo Maria de Moraes Penído tornou-se Arcebispo em 14 de abril de 1962 e foi transferido para Aparecida do Norte em São Paulo em 7 de dezembro de 1977. Assumiu provisoriamente a direção da Diocese Dom Altivo Pacheco Ribeiro, que era o Bispo Auxiliar desde 10 de abril de 1977.
Em 6 de agosto de 1978 a Igreja Católica vestiu-se de luto com o falecimento do Papa Paulo VI que havia assumido como Papa em 1963. No dia 26 foi eleito o novo Papa, o Patriarca de Veneza, Albino Luciani, com o nome de Papa João Paulo I. Em 29 de setembro, foi anunciada, com surpresa, a sua morte inesperada. Para sucedê-lo foi indicado o polonês Karol Woytila; eleito em 16 de outubro e tornou-se o Papa João Paulo II.
O 3º Bispo e depois Arcebispo foi Dom Juvenal Roriz, empossado em 20 de agosto 1978, após leitura da carta do Secretário de Estado do Vaticano, João Villot. Em correspondência enviada à paróquia de Bicas e lida nas missas, Dom Juvenal falava do “Chamado de Deus”, por ele atendido com humildade e obediência estando disponível para servir com amor à comunidade católica a ele confiada.
Em 2000, era Dom Cloves Frainer o Bispo da Arquidiocese de Juiz de Fora.
Em 3 de fevereiro de 2002, tomou posse como Arcebispo Dom Eurico dos Santos Veloso, em grande festividade na Catedral de Juiz de Fora.
Atualmente, responde pela Diocese Dom Gil Antonio Moreira.
Matriz São José de Bicas
Com a construção da ferrovia e da estação de Bicas, em 1879, iniciou-se o transporte ferroviário nessa região, e a circulação dos trens transportando cargas e passageiros influiu para a vinda dos primeiros moradores. Com o crescimento do povoado foi erguida a Capela de São José, que nos leva a crer, foi por volta do ano de 1885.
Inicialmente a Capela era muito simples, mas, apesar da singeleza, era o local aonde os fiéis se reuniam para as suas orações. Com a Capela possibilitou aos padres celebraram as primeiras missas e dar atendimento religioso aos moradores da região que antes caminhavam longas distâncias para cultuar sua fé e receberem orientação religiosa.
A Imagem de São José, padroeiro da paróquia de São José de Bicas, que se encontra na Matriz, provavelmente veio do Rio de Janeiro, antes de 1897, pois até esta data Bicas fazia parte da Arquidiocese do Rio de Janeiro. No final de 1897, passou a pertencer à Diocese de Mariana, e em 1924, a Diocese de Juiz de Fora.
Em 1931, o Padre Luiz Gonzaga da Silva realizou uma reforma com a construção da torre. A inauguração da torre da matriz foi realizada em abril de 1934, estando presente Dom Justino José de Santana, bispo de Juiz de Fora. Durante a missa foram crismadas 217 crianças, em cerimônia muito concorrida. Após a missa Dom Justino foi recepcionado com um almoço na casa paroquial do qual fez parte várias autoridades.
Em 1947 o Padre Maximiano de Oliveira realizou uma ampla reforma na Matriz. Aumentou a área onde fica o altar mor, no fundo fez uma parede em curva onde foram colocados belos vitrais doados por famílias biquenses, e trocou todo o piso. Em 22 de abril de 1947, presente para sagração do altar mor, o Bispo Dom Justino José de Santana elogiou a reforma realizada.
Em 1957 Padre Cataldo Angilelo realizou também algumas modificações na Matriz. Fez construções nas laterais e nos fundos, interligando o segundo piso, com uma passagem por trás dos vitrais. Neste aumento construiu salas e banheiros, que foram utilizados pela Escola Paroquial São José por ele criada.
No início de 1975, Pe. Osvaldo realizou ampla reforma na Matriz, com projeto elaborado pelo Engenheiro Ives Torres da Cunha. Fez a troca do forro, raspagem dos pórticos de pedra limpeza da tinta das portas para permitir a aplicação de verniz, novo revestimento das paredes internas com material resistente a base de vidro, considerado mais duradouro e de melhor conservação. Retirou as colunas e também a mesa de comunhões, mudou também o local da pia batismal. Elevou o piso do altar mor e construiu novos degraus revestindo com cerâmica vitrificada.
Durante este período de obras, as celebrações eram realizadas nos salões dos clubes próximos. Fez também a revisão de todo o telhado e aproveitou os salões laterais para reuniões e recepção de casamentos. Na sala do lado direito fez a Capela do Santíssimo.
Em agosto de 1996, Padre Elias José Saleh Filho, por necessidade, fez a troca do forro da Matriz, que estava se soltando e colocou um material moderno a base de nylon. Durante este período as missas foram celebradas no galpão do Senai.


Fonte: livro “Um olhar para o passado” / Autor: Carlos Augusto Machado Veiga

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