MP apura desvio de dinheiro destinado à pandemia na Zona da Mata
Em nova etapa da apuração, MP e PM realizaram diligências na cidade de Piraúba e apreenderam celular e documentos
Por Tribuna
27/01/2021 às 19h27- Atualizada 27/01/2021 às 20h10
Por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apura indícios da utilização de empresas fantasmas, contratos fictícios e “laranjas” para ocultar e dissimular a natureza, a origem, a localização e a movimentação de dinheiro público em municípios da Zona da Mata. Uma operação realizada na cidade de Piraúba investiga possível desvio de dinheiro público em contratos para a aquisição de insumos usados para o combate à pandemia da Covid-19.
Em ação deflagrada nesta quarta-feira (27), a unidade de Visconde do Rio Branco do Gaeco e a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público do MPMG realizou diligências na cidade, onde foram apreendidos aparelho celular, dispositivo de armazenamento de dados e documentos de interesse das investigações, que apuram desvios de verbas públicas, corrupção, peculato, fraude à licitação, associação criminosa, lavagem de dinheiro, entre outros delitos.
As ações foram realizadas em parceria com a Polícia Militar sob o nome de Operação Persona III. Segundo o MPMG, investigações preliminares indicaram que o grupo investigado, aproveitando-se do processo de dispensa de licitação por ocasião da pandemia de Covid-19, “constituiu, em um contexto simulado, empresas fictícias com a finalidade de desviar recursos públicos municipais destinados à compra de produtos de higiene pessoal”. Os produtos comercializados no suposto esquema foram álcool em gel e sabonete líquido.
“Há evidências de que os investigados utilizaram ‘laranjas’ para a concretização da empreitada criminosa de desvio de dinheiro público, que deveria, nesse cenário de pandemia, ser empregado para salvar vidas”, diz o promotor de Justiça do Gaeco Breno Costa da Silva Coelho. Em razão das primeiras fases da Operação Persona, encontram-se presos preventivamente um empresário e a ex-secretária de Saúde de Guiricema.
Até aqui, a ação já conseguir recuperar R$ 43,5 mil. Segundo o Ministério Público, o valor será restituído ao município lesado “caso haja a condenação dos réus pelo Poder Judiciário”. “As investigações prosseguem no âmbito do MPMG, a fim de apurar os possíveis crimes praticados pelos envolvidos, bem como a eventual participação de outras pessoas no esquema criminoso”, afirma nota emitida pelo Ministério Público. Ainda segundo o MP, o nome Persona faz alusão ao teatro grego, no qual os artistas faziam uso de máscaras para construir o personagem.
Balanço
Também nesta quarta, o Gaeco da Zona da Mata, unidade de Visconde do Rio Branco, apresentou um balanço dos trabalhos realizados em 2020. Ao total, foram oferecidas pelo grupo 64 denúncias criminais ao Poder Judiciário. Foram cumpridos, no decorrer do ano: 107 mandados de busca e apreensão; 48 mandados de prisão e 16 prisões em flagrante.
As ações do grupo foram realizadas nas cidades de Visconde do Rio Branco, Leopoldina, Ubá, Juiz de Fora, Viçosa, Guiricema, Rio Pomba, Urucânia, Barbacena, Brás Pires, Cataguases, Belo Horizonte, Ponte Nova, Ipatinga, Piraúba e Divinésia.
Segundo o MPMG, nas 11 operações deflagradas, “foram apreendidos: R$ 636.699 em espécie; 14 armas de fogo; grandes quantidades e variedades de substâncias entorpecentes, além da desarticulação de uma estrutura voltada ao tráfico de drogas, equipada com estufas que continham aproximadamente 200 ‘pés de maconha’”.
Fonte: Tribuna de Minas
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Padre Pierre nega aglomeração após carreata em JF
Pároco considerou “equivocada” a declaração de que teria descido com imagem após celebração
Por Tribuna
26/01/2021 às 20h15- Atualizada 26/01/2021 às 22h25
O padre Pierre Maurício de Almeida Cantarino considerou “equivocada” a declaração de que a carreata de celebração à Nossa Senhora do Impossível, realizada no último dia 17, teria causado aglomeração em frente à Igreja São José. Em entrevista à Rádio CBN Juiz de Fora nesta terça-feira (26), o pároco da Paróquia São José, do Bairro Costa Carvalho, Zona Leste, afirmou que não teria descido do carro carregando a imagem de Nossa Senhora do Impossível após a chegada da procissão à igreja. O evento levou a PJF a notificar a Arquidiocese de Juiz de Fora na última sexta (22), medida que foi comentada pelo secretário de Comunicação da PJF, Márcio Guerra, também em entrevista à Rádio CBN na segunda-feira (25).
Conforme o padre Pierre, ele teria chegado à Igreja de São José às 19h15, quando, então, dirigiu-se diretamente à celebração da missa. “Eu não estava presente nem na chegada da imagem. Segundo o secretário, pautado no relato de um agente público, eu teria descido com a imagem, mas não há como apenas uma pessoa descer com a imagem, porque ela é pesadíssima. A imagem estava amarrada a uma berlinda. Quem me acompanha sabe do que estou dizendo. Quando a imagem chega, não há descida. Ela permanece na berlinda. Infelizmente, foi um grande equívoco por parte da Prefeitura, que não usou da verdade, por ‘n’ questões.”
O pároco acrescentou que nas próprias celebrações à Nossa Senhora do Impossível nos últimos anos, a imagem teria permanecido na berlinda. “Todas as pessoas que me acompanham, que conhecem o meu trabalho – não é o primeiro ano que realizamos a festa de Nossa Senhora do Impossível, inclusive, no ano passado, a fizemos com mais de cinco mil pessoas caminhando unidos à imagem -, vão saber que não existe isso de descer com a imagem. (…) Assim que a imagem chegou à igreja, havia poucas pessoas em volta dela, todas com máscara, tirando fotos etc.”
De acordo com o padre Pierre, o arcebispo da Arquidiocese de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, tem orientado periodicamente os padres a respeitarem as medidas de distanciamento social. “A Igreja defende a vida. Como eu, que sou enfermeiro antes de ser padre, poderia promover alguma coisa que desfavoreça a vida? Eu estou no hospital quase todos os dias. Eu convivo com esse meio, eu escuto, eu sei a seriedade. Infelizmente tivemos pessoas na Paróquia (São José) que foram a óbito devido ao vírus. Não ficamos chateados (com a Prefeitura). Vamos continuar com o nosso trabalho missionário, que é levar paz e esperança para as pessoas.”
Procurada pela Tribuna nesta terça, a PJF preferiu não comentar.
Fonte: Tribuna de Minas





