Boletim Coronavírus de Bicas e do Estado desta terça-feira, 16/03

Vacinômetro contra a covid-19 desta segunda-feira, 15 de março

Romeu Zema faz apelo para que população mude o comportamento e adote medidas contra o coronavírus

Onda roxa passa a valer em todo o estado a partir desta quarta-feira (17/3)

Em alerta pelo agravamento da pandemia em todo o estado, o governador Romeu Zema fez um apelo à população mineira para que adote medidas de proteção contra o coronavírus, que agora passam a ser mais duras em todas as regiões de Minas Gerais.

A aplicação das medidas previstas na onda roxa e os motivos que levaram o Governo de Minas a estendê-la aos 853 municípios foram detalhados por Romeu Zema em entrevista coletiva à imprensa nesta terça-feira (16/3). A nova etapa passa a valer a partir de quarta-feira (17/3) e, a princípio, terá duração de 15 dias.

“Estamos aqui hoje para tratar de uma questão que, há um ano, tem causado transtorno e tristeza a toda a sociedade. O sistema de Saúde de Minas Gerais entrou em colapso. Ou seja, o número de pessoas que demandam cuidados médicos é maior que a capacidade de atendimento”, alertou o governador.

Para Zema, enquanto não existe vacinação em massa, a alternativa é controlar a disseminação do vírus com as medidas de distanciamento social. “Estamos obrigados a optarmos entre continuar vivendo como se nada estivesse acontecendo ou termos um isolamento para salvarmos vidas. E eu sou favorável a salvar vidas”, disse.

O governador lembrou do trabalho feito, desde o início da pandemia, para estruturar o setor de Saúde no Estado. “Passamos de 2 mil para 4 mil leitos de UTI. Leitos de enfermaria que antes eram de 10 mil saltaram para 20 mil unidades. Compramos respiradores e ampliamos o número de profissionais. Mas, apesar de todo o esforço, com a segunda cepa que chegou no Brasil, nos últimos meses tivemos um grande aumento no número de casos e óbitos. Essa situação, vale lembrar, não é exclusividade de Minas nem do Brasil, ocorre em vários países do mundo”, explicou.

Sobrecarga

O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, que assumiu o cargo na última segunda-feira (15/3) e participou da coletiva ao lado do governador, afirmou que Minas vive o pior cenário em 12 meses de pandemia.

“Estamos vivendo um momento de alta taxa de incidência e ocupação de leitos. É a primeira vez que as unidades de Saúde de todas as regiões estão sobrecarregadas. Não temos mais capacidade de transferir pacientes de uma macrorregião para outra, e isso faz com que a gente adote medidas mais duras”, explicou o secretário.

Fábio Baccheretti ressaltou que a onda roxa não pode ser apenas mais uma cor no mapa, mas uma mudança de comportamento de todos os mineiros. “Precisamos que os cidadãos entendam isso. Não adianta restringir a circulação e fechar o comércio se as pessoas não mudarem os hábitos. O mineiro foi um exemplo para o Brasil no início da pandemia, mas com o passar do tempo ele foi relaxando”, disse.

O secretário explicou que Minas Gerais passou a registrar uma queda mais acentuada das taxas de isolamento em outubro, chegando a 30%. Com isso, a média móvel de casos subiu de maneira exponencial, seguida pelo número de óbitos. “Nas primeiras semanas de março houve um aumento acima da média de ocupação. A abertura de leitos não acompanha a velocidade do número de infectados, que é muito maior”, afirmou.   

Segurança

Em relação à segurança durante o período de onda roxa, o comandante-geral da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais (PMMG), coronel Rodrigo Sousa, explicou que caberá à corporação apoiar a fiscalização das posturas municipais.

“Temos protocolos já definidos. O objetivo é fazer com que as pessoas obedeçam e que não seja preciso adotar outras medidas, que podem ser notificação ou multa. No entanto, alguns comportamentos podem incorrer em crimes como resistência, desobediência, desacato e até mesmo a propagação de doença contagiosa. Neste caso, entramos na esfera criminal, o que deve ser tratado pela Justiça”, explicou.

Onda roxa

Conforme Deliberação nº 130, de 3 de março de 2021, do Comitê Extraordinário Covid-19, durante a vigência da onda roxa, somente podem funcionar as seguintes atividades e serviços, e seus respectivos sistemas logísticos de operação e cadeia de abastecimento e fornecimento.

I – setor de Saúde, incluindo unidades hospitalares e de atendimento e consultórios;

II – indústria, logística de montagem e de distribuição, e comércio de fármacos, farmácias, drogarias, óticas, materiais clínicos e hospitalares;

III – hipermercados, supermercados, mercados, açougues, peixarias, hortifrutigranjeiros, padarias, quitandas, centros de abastecimento de alimentos, lojas de conveniência, lanchonetes, de água mineral e de alimentos para animais;

IV – produção, distribuição e comercialização de combustíveis e derivados;

V – distribuidoras de gás;

VI – oficinas mecânicas, borracharias, autopeças, concessionárias e revendedoras de veículos automotores de qualquer natureza, inclusive as de máquinas agrícolas e afins;

VII – restaurantes em pontos ou postos de paradas nas rodovias;

VIII – agências bancárias e similares;

IX – cadeia industrial de alimentos;

X – agrossilvipastoris e agroindustriais;

XI – telecomunicação, internet, imprensa, tecnologia da informação e processamento de dados, tais como gestão, desenvolvimento, suporte e manutenção de hardware, software, hospedagem e conectividade;

XII – construção civil;

XIII – setores industriais, desde que relacionados à cadeia produtiva de serviços e produtos essenciais;

XIV – lavanderias;

XV – assistência veterinária e pet shops;

XVI – transporte e entrega de cargas em geral;

XVII – call center;

XVIII – locação de veículos de qualquer natureza, inclusive a de máquinas agrícolas e afins;

XIX – assistência técnica em máquinas, equipamentos, instalações, edificações e atividades correlatas, tais como a de eletricista e bombeiro hidráulico;

XX – controle de pragas e de desinfecção de ambientes;

XXI – atendimento e atuação em emergências ambientais;

XXII – comércio atacadista e varejista de insumos para confecção de equipamentos de proteção individual – EPI e clínico-hospitalares, tais como tecidos, artefatos de tecidos e aviamento;

XXIII – de representação judicial e extrajudicial, assessoria e consultoria jurídicas;

XXIV – relacionados à contabilidade;

XXV – serviços domésticos e de cuidadores e terapeutas;

XXVI – hotelaria, hospedagem, pousadas, motéis e congêneres para uso de trabalhadores de serviços essenciais, como residência ou local para isolamento em caso de suspeita ou confirmação de covid-19;

XXVII – atividades de ensino presencial referentes ao último período ou semestre dos cursos da área de saúde;

XXVIII – transporte privado individual de passageiros, solicitado por aplicativos ou outras plataformas de comunicação em rede.

As atividades e os serviços essenciais acima devem seguir o protocolo sanitário previstos pelo plano Minas Consciente e priorizar o funcionamento interno e a prestação dos serviços na modalidade remota e por entrega de produtos.

As atividades de operacionalização interna dos estabelecimentos comerciais e as atividades comerciais que se realizarem por meio de aplicativos, internet, telefone ou outros instrumentos similares, e de entrega de mercadorias em domicílio ou de retirada em balcão, vedado o consumo no próprio estabelecimento, estão permitidas, desde que respeitado o protocolo citado acima.

Fonte: Agência Minas

Mesmo em onda roxa, Bicas e São João Nepomuceno liberam comércio não essencial

Municípios adotam postura menos severa, apesar da saturação dos leitos na região e imposição do Governo de Minas

Por Renato Salles
15/03/2021 às 19h03

Os municípios de São João Nepomuceno e Bicas, na Zona da Mata, permanecem liberando as atividades comerciais não essenciais mesmo após serem inseridos na onda roxa do Minas Consciente, em decreto publicado pelo Governo de Minas Gerais no sábado (13). A adoção de medidas menos restritivas, desrespeitando regramento impositivo da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG), foi oficializada em decretos municipais durante o último final de semana.

Anteriormente, a SES já havia anunciado o caráter impositivo da onda roxa do Minas Consciente, que “se deve ao risco de saturação e à necessidade de restabelecer a capacidade de assistência hospitalar nas duas macrorregiões para não comprometer a rede assistencial em todo o estado”. Com a ocupação de leitos UTI Covid na macrorregião Sudeste, que inclui Juiz de Fora, ultrapassando a média do estado, diversos municípios foram colocados na fase mais restritiva do programa, que institui toque de recolher entre 20h e 5h, além de permitir o funcionamento apenas dos serviços considerados essenciais, como farmácias, padarias e supermercados. Os municípios de São João Nepomuceno e Bicas também tiveram a regressão confirmada.

São João publica decreto no sábado

Os dois municípios relutam em adotar por completo as restrições impostas pelo Governo de Minas Gerais. Em São João Nepomuceno, um decreto municipal foi publicado proibindo a aglomeração de populares em espaços públicos, mas mantendo o funcionamento da indústria e do comércio. “Foi estudado, através de vários dados, que nós tivemos, que o maior pico de contágio foi quando as indústrias pararam e aconteceram aglomerações de pessoas. Se as indústrias pararem, as pessoas não vão ficar em casa”, argumentou o prefeito Ernandes José da Silva (PSB) em transmissão pelas redes sociais na noite de domingo (14).

Pelas medidas adotadas em São João Nepomuceno, o setor industrial terá de escalonar o expediente dos funcionários em até quatro horários, além de oferecer a alimentação dos trabalhadores dentro da própria empresa, para evitar a circulação pelas ruas do município. A respeito do comércio, as atividades não essenciais podem funcionar para retirada no balcão ou por delivery. “O comércio vai trabalhar com os protocolos. O comércio não essencial, que estava trabalhando na onda vermelha, vai continuar trabalhando. Mas as pessoas não vão poder adentrar nos estabelecimentos”, ratifica Ernandes.

Segundo o prefeito, todas as medidas foram aprovadas pelo Comitê Municipal de Enfrentamento ao Covid-19. De acordo com boletim epidemiológico , publicado nesta segunda-feira (15), São João Nepomuceno tem 1.452 casos confirmados de coronavírus, com 12 pessoas ainda em tratamento e 20 mortes causadas pela Covid-19. O município não possui leitos de UTI para tratamento da doença, dependendo da disponibilidade do sistema hospitalar de Juiz de Fora, que está com mais de 90% de ocupação dos leitos Covid de UTI do SUS.

Bicas admite funcionamento de atividades não essenciais

A Prefeitura de Bicas também tomou medidas próprias, por meio do Decreto 38/2021. A publicação do município veta a realização de eventos, seja em espaços público ou privado, e de atividades culturais. O decreto também veda o atendimento ao público no horário entre 22h e 5h, além de estabelecer o regramento sanitário para o funcionamento das atividades comerciais, como a utilização de máscaras e disponibilização de álcool em gel. No entanto, admite o funcionamento das atividades não essenciais, indo de encontro às regras da onda roxa. O toque de recolher estabelecido pelo município também funciona das 22h às 5h, diferentemente do definido pelo Governo de Minas, que começa às 20h.

As medidas foram recebidas com preocupação por uma moradora de Bicas. Em contato com a reportagem, a biquense, que preferiu não se identificar, lembrou o momento delicado de proliferação do coronavírus, e criticou a “vida normal” observada nas ruas do município. “Muitas pessoas estão sem máscara, sentadas em bares sem o menor distanciamento social. Diz-se haver fiscalização por parte da prefeitura, mas não tem sido suficientemente eficiente”, critica. A moradora também ressaltou que a cidade não possui leitos de UTI para atendimento de Covid, o que causa mais apreensão. “A cada dia temos mais casos positivados na cidade, isso gera muita insegurança diante do cenário epidemiológico do Estado”, lamenta.

A reportagem da Tribuna entrou em contato com a Prefeitura de Bicas solicitando um posicionamento, mas ainda aguarda resposta. Até sexta-feira (12), o município já havia confirmado 673 contaminações, sendo que 22 pessoas morreram por complicações relacionadas à Covid-19.

Atividades estão sujeitas à fiscalização estadual, inclusive por parte da PM

As definições da onda roxa feitas, todavia, são compulsórias aos municípios, estando, assim, as atividades comerciais sujeitas à fiscalização estadual. “A fiscalização será realizada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) e pelas Secretarias Municipais de Saúde, juntamente com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e o Corpo de Bombeiros”, diz o Governo de Minas, por meio de nota encaminhada à Tribuna.

“As determinações sobre a onda roxa do plano Minas Consciente têm o objetivo de controlar a velocidade de propagação do vírus e, assim, permitir que as macrorregiões de saúde reestabeleçam a sua capacidade assistencial hospitalar para preservar a rede de saúde de todo o Estado”, pontua o texto.

Ainda de acordo com o Governo, possíveis desrespeitos às regras podem resultar em advertência, cancelamento de alvará sanitário e multa. As sanções seguem previsões da lei estadual 13.317, de 1999, que trata do Código de Saúde do Estado de Minas Gerais e da Deliberação 130, de 3 de março de 2021, publicada no Diário Oficial do Estado, exatamente a que cria a onda roxa do programa Minas Consciente.

Fonte: Tribuna de Minas

Boletim Coronavírus de Bicas e do Estado desta segunda-feira, 15/03

Plantão Coronavírus Ciesp de sexta-feira, 12/03

✅O CIESP reforça seu papel integrador para divulgar de forma responsável e transparente as informações sobre a Covid-19 em nossa região.
✅Confira o boletim consolidado de hoje.
🚨️ ESCLARECIMENTO
📣O Boletim de Acompanhamento Regional da Pandemia da Covid-19, publicado pelo CIESP, informa apenas casos confirmados da doença (em tratamento, curados ou que evoluíram para óbito).
📣Esclarecemos, ainda, que nas informações de Mar de Espanha, o número de óbitos não está incluído no total de casos positivos.
📣Essa informação é colhida diariamente em cada uma das Secretarias Municipais de Saúde dos entes consorciados. Deixamos claro que não menciona números referentes a casos suspeitos, em investigação ou descartados.

Em assembleia, prefeitos do CIESP aprovam novos projetos e alinham posições diante da pandemia

Por meio do CIESP, os municípios consorciados estão próximos de uma solução para conter a proliferação de cães e gatos, problema que afeta grande parte das cidades brasileiras. Na Assembleia Geral de Prefeitos realizada no dia 10 de março, em Bicas, os gestores aprovaram a implantação de um projeto para a castração dos animais. A ideia é implantar uma solução compartilhada, com trabalho humanizado e seguindo todas as normas sanitárias.

A base do projeto é a construção de um castramóvel. Os prefeitos deram o aval para que a equipe do CIESP avance em providências como a coleta de orçamentos e estudos para a formação da equipe de profissionais. Tudo isso visando à montagem do centro cirúrgico itinerante que vai atender os municípios de acordo com uma escala preestabelecida.

A pandemia de Covid-19 também fez parte dos debates. O presidente José Maurício de Sales, prefeito de Guarará, demonstrou preocupação com o fato de a região retroagir à Onda Roxa do Programa Minas Consciente, por força de uma determinação unilateral do Estado. O ponto de vista foi compartilhado pelos demais prefeitos, que defenderam a busca de soluções equilibradas capazes de conter o avanço da pandemia, mas sem penalizar ainda mais a população com a paralisação das atividades sociais e econômicas.

O fortalecimento do CIESP foi confirmado com a adesão de mais um ente consorciado, que chega motivado pelas iniciativas bem-sucedidas que já servem de referência para o Estado e o País. Por unanimidade, os mandatários municipais aprovaram o pedido de adesão do município de Elói Mendes, elevando para 12 o número de municípios consorciados. A cidade está localizada na região de Varginha e possui aproximadamente 28 mil habitantes.

A necessidade de uma nova sede para o CIESP também esteve em discussão na assembleia. Há consenso entre os prefeitos de que o avanço é essencial, diante da diversificação dos projetos e das ações desempenhadas pela entidade. A ideia é unir forças e buscar apoio em outras esferas de governo, visando à obtenção de um terreno e à construção de uma ampla e moderna estrutura.

Outro assunto que avançou durante a reunião foi a criação das Câmaras Temáticas, com o objetivo de descentralizar e agilizar projetos e a tomada de decisões. No encontro ficaram definidas as áreas contempladas e os prefeitos que farão parte de cada grupo. Serão quatro Câmaras Temáticas assim divididas: Saúde e Segurança Alimentar; Desenvolvimento Regional; Educação, Esporte, Cultura, Lazer e Assistência Social e, ainda, Infraestrutura, Meio Ambiente e Segurança Pública.

Fonte: Ciesp

Macrorregião de Juiz de Fora tem 87% de ocupação de leitos Covid do SUS

Entre municípios de referência na região, apenas Muriaé e Carangola têm taxa abaixo de 70%

Por Renato Salles, repórter, e Gabriel Silva, estagiário sob supervisão da editora Fabíola Costa
14/03/2021 às 07h00

Algumas cidades do entorno já vivenciam o esgotamento de leitos, o que torna o enfrentamento à pandemia ainda mais desafiado (Foto: Fábio Marchetti)

Vivendo novo período de alta em casos e óbitos causados pela Covid-19, Minas Gerais passa por um momento de intensa pressão hospitalar. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG), em consulta realizada no sábado (13), a macrorregião Sudeste, que abrange Juiz de Fora, tem maior taxa de ocupação dos leitos de Covid do Sistema Único de Saúde (SUS) em comparação com a média estadual. São 86,69% dos leitos exclusivos para o tratamento da doença ocupados na região, em detrimento a 83,77% de preenchimento na rede mineira.

Entre os municípios de referência na macrorregião Sudeste, apenas Muriaé e Carangola têm taxa de ocupação abaixo de 70%. Até a consulta realizada pela reportagem, 52,38% dos leitos Covid estavam ocupados em Muriaé e 68,18% em Carangola. As situações mais graves ocorrem nos municípios de Juiz de Fora, que tem 99,14% dos leitos Covid; Leopoldina/Cataguases, com 92,59%; e Além Paraíba, que tem 90% dos leitos preenchidos. Também são referências na macrorregião os municípios de Santos Dumont e Ubá, com 83,33% e 75% de ocupação, respectivamente.

A saturação da rede hospitalar de Juiz de Fora é o principal motivo de preocupação. Maior município da macrorregião Sudeste, a cidade também tem mais da metade dos 248 leitos de UTI do SUS dedicados exclusivamente ao tratamento da Covid-19 na região. Até sexta-feira, de acordo com informações do painel gerencial do município, 94,83% desses leitos estavam ocupados, em situação agravada durante as últimas semanas, como mostram os números de sábado, quando a cidade apresentava mais de 99% dos leitos ocupados.

O momento delicado resultou em medidas emergenciais para conter a circulação de pessoas na cidade, que foi para a onda roxa do Programa Minas Consciente em vigor desde sábado.

Lotação esgotada

Outros municípios da região já começam a ter dias de saturação total ou quase completa da rede hospitalar. Ao modelo de Juiz de Fora, Santos Dumont também permanece com alto percentual dos leitos preenchidos por pacientes contaminados pelo coronavírus. No último dia 5, o município havia alcançado a ocupação da totalidade de leitos Covid, o que mudou no dia seguinte apenas pela morte de um paciente que estava em uma das unidades. Desde então, a cidade conta com apenas um leito desocupado na última sexta, de acordo com informações da assessoria da Prefeitura de Santos Dumont, e, no sábado, ainda apresentava percentual de ocupação superior a 80% neste sábado.

Ao longo da semana, de acordo com a Prefeitura de Santos Dumont, foram mantidos diálogos com o Governo do estado sobre a situação epidemiológica local. De antemão, a Prefeitura anunciou regras mais severas para o funcionamento do comércio local na tentativa de evitar a formação de aglomerações, como o impedimento de consumo interno em bares, restaurantes e lanchonetes a partir das 20h e o gradeamento do calçadão da cidade. “Esses foram os dois pontos identificados como maiores geradores de aglomeração no município e foram tomadas essas atitudes por uma semana, como uma tentativa de não afetar a atividade econômica”, justifica a assessoria.

Em Além Paraíba, a situação é ainda mais grave: todos os oito leitos de UTI do único hospital público da cidade, o Hospital São Salvador, estavam ocupados até sexta-feira. Em comunicado veiculado pelo site da Prefeitura de Além Paraíba, a recomendação é para que “toda a população adote as medidas preventivas para evitarmos um avanço exagerado da doença”. Em conversa com representantes da SES na terça-feira (9), o Poder Público solicitou nova análise da situação epidemiológica local para que medidas de contenção possam ser adotadas visando a “redução do elevado índice de transmissão da Covid-19, que está colocando em risco a capacidade de absorção de pacientes pelo Hospital São Salvador, por falta de leitos”, afirma a Prefeitura.

Na quarta-feira (10), foi a vez de Ubá alcançar a ocupação total dos leitos Covid. Todos os 22 estão sendo utilizados no município, com 13 moradores da cidade e nove advindos de outros municípios. Em pronunciamento na terça, o prefeito Edson Teixeira admitiu a situação caótica da microrregião. “Os dados que nós temos acompanhado nos deixam muito preocupados. Nós teremos que fazer mudanças em nossas rotinas”, afirma. Ubá, inclusive, já havia retornado com aulas presenciais em escolas municipais e foi necessário regredir para as aulas remotas esta semana, após nova piora no cenário epidemiológico. “Nós precisamos voltar ao isolamento, que é a única forma que nós conhecemos de controlar a doença”, argumenta o prefeito.

Municípios menores

Em municípios menores, a situação é de dependência das cidades-referência. É o caso de São João Nepomuceno, que não tem nenhuma UTI Covid no único hospital da cidade, o Hospital São João. O município conta apenas com seis leitos clínicos para atender pacientes com quadros leves ou estabilizar pacientes graves enquanto são aguardadas vagas em outros locais.

“No Pronto Socorro, que é inserido ao Hospital São João, tem uma área isolada para Covid. Nesta área tem seis leitos para estabilizar os pacientes, fazer entubação e todos serviços necessários para transferir pra UTI. Nos casos graves, são transferidos para JF e região”, explica o Município, via assessoria. Na quinta-feira, dois desses leitos estavam ocupados, sendo um paciente aguardando vaga para internação em Juiz de Fora e outro em estado estável, que provavelmente não precisaria ser transferido.

Saturação em Juiz de Fora é preocupante, porque município concentra mais da metade dos 248 leitos de UTI disponíveis pelo SUS, dedicados exclusivamente ao tratamento da Covid-19 na região (Foto: Fernando Priamo)

A situação é a mesma em Lima Duarte, que também depende da rede hospitalar juiz-forana para pacientes com quadros graves. Com a situação delicada de Juiz de Fora, a Prefeitura de Lima Duarte pretende intensificar a fiscalização para coibir aglomerações. “Teremos também uma reunião com a fiscalização de Covid-19 para reforçar todas as ações da equipe. Como medida, também chamamos via edital mais dois fiscais de Covid-19, visto que agora serão feitas barreiras e as demandas aumentarão de forma significativa”, revela o Município à reportagem, por meio de nota.

Plano contigencial

Em nota encaminhada à reportagem, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Minas Gerais informou ter elaborado, em conjunto com os municípios, planos de contingência em nível macrorregional, para o enfrentamento da pandemia. “O Plano traz definições de orientações e pontos de atenção da rede que será referência para atendimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave em decorrência da CovidD-19”, diz o Governo.

“Por se tratar de documento de construção coletiva, com interveniência dos gestores municipais e estadual, e contribuições de atores locais interessados, (o plano)possui perfil dinâmico que pode ser alterado de acordo com a evolução do quadro epidemiológico e com novas descobertas científicas”, afirma a nota.

Ainda segundo o Estado, em caso de saturação da rede, as condutas e medidas de respostas podem ser realizadas de acordo com cada cenário. “Destaca- se que é essencial o monitoramento contínuo e adoção das medidas de resposta para que os municípios e regiões se preparem para a possibilidade de piora no cenário”, conclui o plano de contingência do Estado.

Vacinação e onda roxa

Única solução conhecida para a pandemia, a distribuição de vacinas na macrorregião Sudeste segue à conta-gotas, como já havia revelado a Tribuna em reportagem no último dia 5. De acordo com dados do “Vacinômetro” da SES, até a última atualização, 66.721 pessoas foram vacinadas na região, o que corresponde a apenas 44,83% dos grupos prioritários.

Sem vacinação em massa prevista para o curto prazo, a ferramenta do Governo estadual é desestimular a circulação de pessoas nas ruas com medidas restritivas para diminuir a proliferação do vírus pelas cidades mineiras mais debilitadas. Neste sábado, três microrregiões da Macrorregião de Sudeste regrediram para a onda roxa do Minas Consciente e têm regras mais rígidas para abertura do comércio: Juiz de Fora/Lima Duarte/São João Nepomuceno, Bicas/Santos Dumont e Cataguases/Leopoldina/Além Paraíba. Entre as mudanças, está o toque de recolher das 20h às 5h em todos os dias da semana. 

Fonte: Tribuna de Minas

Covid-19: Decreto com procedimentos preventivos de emergência entra em vigor

Vacinômetro contra a covid-19 desta sexta-feira, 12 de março