O mundo em que eu vivo

O mundo em que eu vivo pode ser descrito não somente por mim, mas também se transformar num relato de cada pessoa que por ventura venha a ler este artigo. Baseado numa observação corriqueira do cotidiano, o texto visa contrapor pontos de vista e abordar a dinâmica da vida sobre uma ótica incomum, trazendo verdades muitas vezes esquecidas quando nos inflamos de ego para expressar nossa representatividade e importância mundana.

Feriado de 1º de maio e eu estava escovando os dentes para dormir. Nesse momento, observei uma pequena formiga na pia do banheiro de minha casa. Algo comum em diversas residências do Brasil, porém este fato me chamou atenção por um motivo não habitual: o mundo em que de fato vivemos.

Ao observar aquela pequena formiga perambulando sobre a pia, pensei no quão vasto aquele território de louça parecia se mostrar para ela; ao ponto que para mim, era simplesmente uma pia onde daqui a alguns segundos eu iria enxaguar a minha boca. Ao ter essa percepção, comparei a situação da formiga com a minha própria e com a de todas as pessoas possíveis, considerando suas mais variadas realidades. Qual o tamanho do mundo para mim? Qual o tamanho do mundo para a formiga? Qual o tamanho do mundo para você que agora lê estas palavras e começa a imaginar o cenário descrito em sua rotina também?

Percebi, pensando mais sobre isso após me deitar, que minha casa talvez fosse o sonho de propriedade de qualquer formigueiro, e que fazer parte de algo do tamanho de Bicas, seria um verdadeiro sonho para qualquer formiga normal. Porém, para mim, infinitas vezes maior do que aquele pequeno animal, uma pia é somente um artigo de banheiro; uma casa, um abrigo; e uma cidade, um lugar que escolhemos para fixar moradia.

Ao abordarmos o tema de desigualdades sociais, temos a comum característica de dizer que determinados grupos vivem em mundos diferentes. Outros, por sua vez, dizem que vivemos no mesmo mundo, porém as pessoas vivenciam experiências e oportunidades opostas. É neste ponto que quero chegar. Qual o mundo em que você vive? Qual a sua importância no meio que você é membro? Você não passa de uma formiga ou pode ser considerado um enorme ser humano, capaz de jogar qualquer ínfimo inseto pelo ralo num simples abrir de torneira?

O mundo em que eu, em particular vivo, se resume à Bicas e Juiz de Fora. Para algumas pessoas, o mundo é realmente do tamanho do mundo. Elas dispõem de meios financeiros para viajar e conhecer diversas culturas. Têm oportunidades e conhecimentos que as levam a diversas regiões do globo terrestre. Para mim, apesar de todo o acesso que tenho às mais variadas fontes de informação, dos livros que leio, do conhecimento científico e intelectual que me leva a lugares inimagináveis, continuo pertencente a um mundo limitado a duas cidades próximas. E você? Qual é o seu mundo?

O mundo para muitas pessoas doentes, infelizmente se resume a uma cama. Para outras, o mundo é escuro. Para um outro tanto, ele se mostra como um verdadeiro obstáculo. Para os astronautas, o mundo pode ser considerado o universo; porém, visto através de uma janela, a qual não pode ser aberta. Vivemos em mundos diversos dentro de um mesmo mundo. Somos pessoas diferentes que se assemelham apenas na composição física e química dos corpos. Temos percepções, vontades, oportunidades e características pessoais distintas. Somos uma individualidade coletiva.

Comparar nossa condição com a de uma formiga me fez entender que temos tamanhos diferentes para a sociedade da qual fazemos parte. E que o nosso mundo varia proporcionalmente ao tamanho que por ventura temos, salvo muitas e boas exceções. Compreender a dinâmica da vida é importante para ampliarmos o nosso horizonte mental,
e a partir dessa ampliação, possibilitarmos o desbravamento de territórios desconhecidos dentro de nós mesmos. Deste modo, é possível conquistar espaços dentro do nosso próprio interior sem precisar mover um passo sequer no mundo físico. Mesmo assim, a nossa consciência do todo ainda permanecerá restrita a uma pequena parte dele.

Uma vida de papel

Frágil a ponto de rasgar. Importante como elemento essencial. Nascemos num mundo burocrático e vivemos em função de suas exigências. Desde o primeiro abrir de olhos, nos encontramos imersos num sistema que nos aprisiona e condiciona a fazermos suas vontades. A existência deixou de ser apenas um estado físico e passou a ser fundamentalmente um estado legal.

“Parabéns! Você acaba de dar à luz a um menino!” O próximo passo agora é correr para registrá-lo, pois apesar de estar o segurando no colo, sem uma certidão de nascimento ele não existe. O tempo passa e a jovem criança vai para a escola. No fim, tudo o que refletirá seu desempenho estudantil se resume a um histórico escolar.

CPF, RG, carteira de trabalho, passaporte… somos guiados o tempo todo através do papel. É ele que move nossas vidas por mais que tentemos dizer o contrário. Trabalhamos para conseguir um pedaço de papel com números timbrados, os quais toda a humanidade acredita possuir algum valor. Com ele, pagamos outros papéis de contas do mês, compramos bens que necessitam de mais papéis para que sejam efetuados os registros… Enfim, um ciclo vicioso que não pára de girar.

Os elementos essenciais da vida perderam espaço frente às enormes exigências do mundo moderno. Conhecimento já não basta para medir competência. Antes de tudo, você é medido pela quantidade de papéis que atestam se você fez por onde consegui-los ou não. É frustrante ingressar num curso superior e perceber todas as verdades citadas acima. Mais frustrante ainda é descobrir tudo isso em decorrência de uma profunda decepção com o ensino recebido. Professores tendenciosos e descompromissados aplicando didáticas inferiores às adotadas no ensino fundamental. Saímos diplomados, porém, não qualificados. Isso se mostra evidente em pesquisas que apontam como o mercado de trabalho está carente de mão de obra competente, e no número de multinacionais que desistem de vir para o Brasil em virtude do pouco conhecimento das pessoas em idade produtiva.

Uma vida de papel é o título perfeito para descrever este breve relato sobre a vida. O que importa é o que está escrito! Doutores, pós-doutores, títulos para dar e vender. A velha máxima “você é aquilo que você faz” já deixou de existir. Hoje talvez seja mais adequado dizer: você é o que escrevem de você.

Trocamos nossa vida por uma prisão a céu aberto. Deixamos de nos importar com o que é vital e passamos a perseguir o dinheiro, o status. Queremos mais para comprar mais e continuar precisando de mais para pagar o que já não conseguimos com o dinheiro que temos. A vida perdeu o sentido. E só percebemos isso quando nos encontramos do lado contrário ao das pessoas do mundo real. Neste lado contrário, nos sentimos isolados numa espécie de bolha, como se estivéssemos vendo tudo através de um espelho sem que fossemos notados. Os carros correndo, as pessoas agitadas, um vai e vem constante de pequenos mundos dentro de um mundo só. Nestes momentos, descobrimos que não temos saída. Ou ao menos, que ela não está aparente. Percebemos que tudo se resume a um enorme quebra-cabeças ilusório e que nós não passamos de mais uma peça enganada.

De volta à realidade, notamos o quão cruel e severa ela se mostra ser. Depois de anos o perseguindo, o papel retorna em constantes visitas ao longo de nossa vida. Na última e derradeira, não podemos sequer falar por nós, pois até mesmo para dizer ao resto do mundo que já não fazemos mais parte dele, necessitamos de um papel que ateste nossa partida. Caso contrário, viveremos para sempre.

Injustiças de um direito torto

Qual o limite entre o certo e o errado? Desde que o ser humano habita este mundo sempre teve necessidade de ser guiado por leis. Dos mandamentos divinos escritos por Moisés aos códigos infindáveis que se multiplicam atualmente, somos regidos por opiniões, fórmulas e padrões que norteiam e ditam as regras de nossas vidas. Mas será que todas essas leis são de fato justas?

Viver imerso em um meio jurídico pode ser muito revelador e útil, ao mesmo tempo em que pode servir para bestializar parte de nosso senso crítico e nos tornar cegos para determinadas questões. Defender o indefensável, amenizar o inconcebível. A troca de papéis no mundo das leis não se limita às questões mais corriqueiras. Errado efetivar a prisão após condenação em segunda instância? O que dizer então dos que são presos sem sequer serem julgados e não dispõem de condições para postergar as sentenças?

Diversos são os empasses em que nos encontramos com estudiosos do direito brasileiro. Em todos, a sensação deixada pelo ordenamento jurídico é a de que punir se tornou quase um erro em nosso país. A santificação de criminosos e a remissão de seus pecados através do arrependimento passou a ser encarada como medida suficiente para uma exclusão de pena. Tida por muitos como uma forma de ressocialização de presos, a cadeia na verdade é um meio de fazer com que criminosos saiam do contato direto com a sociedade de bem. Se sua principal finalidade fosse de fato ressocializar, tal procedimento poderia ser feito sem que o banimento à liberdade tivesse de ser adotado.

Proíbem o trabalho forçado, enquanto nós, “libertos” nesta sociedade cruel, somos obrigados a trabalhar para a nossa própria subsistência, como também para sustentar intocáveis pecadores do sistema carcerário que para a justiça brasileira não passam de injustiçados de um mundo desigual. Vivemos em uma sociedade generosa em espalhar direitos, mas deficiente em cobrar deveres. Esquecem-se de que a vida é dual, e alimentam a ideia de que todos devem ter o seu direito garantido, sem, no entanto, reivindicarem o cumprimento de seus deveres para que possam usufruir de tal direito.

Direitos humanos para quem se porta como um humano. Esta deveria ser a regra número um para todos os anarquistas bajuladores de delinquentes. Afinal de contas: se você não se preocupa em agir como um humano, por que deve dispor dos mesmos direitos de quem realmente se presta a cumprir as obrigações da espécie?

O direito jamais deve se sobrepor ao que é ético e moral. As leis, antes de mais nada, servem para estabelecer regras e delimitar um padrão de conduta ilibada e proba. Todavia, o que vemos nos dias atuais é uma tentativa escancarada de supervalorização de determinados crimes e banalização da responsabilidade de muitos outros. Nossos estudiosos letrados esquecem-se de que a lei da vida é anterior à lei jurídica e de que nela, tudo encontra o seu reflexo. Só colhe quem planta. Só recebe quem trabalha. Só se torna um bom profissional quem realmente se dedica a esse fim.

Hoje as pessoas batem no peito para exigirem seus direitos. Mas será que teriam o mesmo ímpeto ao serem cobradas pela execução de seus deveres? Como tudo na natureza, direitos deveriam ser uma consequência de deveres cumpridos. Não sendo
assim, construímos uma noção de que não é preciso nada para se ter tudo. Ao defender um indefensável, o profissional está na verdade contribuindo para que a impunidade seja cada vez mais forte em nosso meio. Pode ser uma atitude legal; mas é moral?

“Mas todos têm o direito a uma defesa!” – Você deve estar impelido a bradar. No entanto, é ético e moral contribuir para que um infrator se exima da reparação de seu erro sem que pague pela infração cometida? O que um pai estaria ensinando a seu filho ao tentar privá-lo de brincar por não ter feito as lições de casa e, no entanto, se curvar às imposições do menor que deixa claro o seu direito de brincar e o expõe como uma verdadeira cláusula pétrea? Nada.

Enquanto nos basearmos num direito torto, continuaremos formando gerações deficientes de princípios e da verdadeira noção de vida, e contribuindo significativamente para a degradação moral de nosso país já tão precário de virtudes. Prefiro me guiar pelos ensinamentos éticos e existenciais aprendidos com a natureza, que em seu perfeito equilíbrio nos mostra sua dualidade em tudo o que faz: dia e noite, frio e calor, macho e fêmea, vida e morte. Assim, entendemos que os fins justificam os meios, que as coisas não acontecem por acaso e que sempre há uma causa para todo efeito.

Incongruências do planeta Terra

Vivemos, no mínimo, um momento inusitado na história do planeta. Se pararmos para refletir sobre tudo o que vem acontecendo, perceberemos que as coisas não andam muito ajustadas. Da América do Sul à Ásia o número de histórias um tanto quanto bizarras vem aumentando gradativamente.

Na Venezuela o presidente prá lá de Maduro – já quase podre -, foi eleito contra a vontade do povo. Tomou posse, porém, todos os países influentes do planeta não o reconhecem como efetivo ocupante do cargo, transferindo a representatividade do executivo venezuelano a Juan Guaidó, atual presidente da Assembleia Nacional do país. Enquanto isso, a população continua fugindo, passando fome e pagando altos preços para ter o mínimo necessário à subsistência, fruto de uma inflação para nenhum governo Collor botar defeito.

Os Estados Unidos também estão em crise. Não por falta de dinheiro, mas por ele não estar sendo destinado ao que realmente interessa. Afinal de contas, o que pode ser mais importante para um país do que construir um muro? Sabemos que este é o principal projeto de governo de qualquer país, e não poderia ser diferente logo na nação mais desenvolvida do planeta. Assim, enquanto o congresso não concordar em repassar a verba tão necessária para esta obra incrivelmente urgente, o país permanecerá reprimido em seu potencial produtivo e servidores acumulando salários atrasados e dívidas.

Atravessando o oceano, desembarcamos na Inglaterra, lugar onde nem mesmo a família real tem tido sossego ultimamente, ao estarem sofrendo diversos ataques direcionados à nova princesa plebeia. Levando a música “não sei se vou ou se fico, não sei se fico ou se vou” de Silvio Santos muito a sério, o país, juntamente com os demais membros do Reino Unido, finalmente optou por deixar a União Europeia após um longo período de impasses.

Os rumores de que a desnuclearização da Coreia do Norte tenha sido somente da boca para fora se intensificaram nos últimos dias. As suspeitas de que o governo de Kim Jong Un permaneceu beneficiando materiais para a confecção de bombas atômicas levantou questionamentos ao redor do mundo sobre a seriedade do acordo feito com Donald Trump.

Enquanto isso a China continua produzindo volumes cada vez maiores de produtos e lançando no ar uma quantidade sem precedentes de poluição; fazendo com que sua população se sinta 24 horas por dia num verdadeiro baile de máscaras, já que esta é a única forma de que dispõem para respirar um ar menos contaminado. Tanta fome de crescimento tem um custo, e os chineses só não dominaram o mundo ainda pois não têm “olho grande”.

Mas você deve estar se perguntando: e no Brasil? Ah, no Brasil as carretas estão cada vez maiores, algumas com 30 metros de comprimento. E como dizem que é o olho do dono que engorda o gado – voltando aos trocadilhos oculares -, se depender dos olhos dos donos de transportadoras brasileiras, estamos bem perto de um tempo em que trem e carreta serão praticamente a mesma coisa. Tomara que até lá as estradas já estejam em condições melhores, ou ao menos que as bitrens passem a se locomover sobre trilhos, como seus parentes mais velhos já fazem.

A era das profissões estranhas

O mundo está em constante mudança. Dia após dia criamos necessidades diferentes que automaticamente necessitam de uma nova gama de suportes para sua manutenção. O que seria dos mecânicos se a revolução industrial do século XVIII não tivesse ocorrido? Ou mesmo dos apresentadores de televisão se tal veículo comunicativo não fosse inventado? Somos uma metamorfose, e assim como tal, nos reinventamos em cada nova geração. Hoje talvez estejamos vivendo a era das profissões estranhas. Se assim não o são, o que serão então?

Num momento histórico em que tudo está ao nosso alcance de forma muito mais fácil, as pessoas deixaram de simplesmente assistir caladas ao que lhes era exposto e passaram a fazer parte do cenário vanguardista. Com isso, milhares saíram da frente das telas e migraram para o outro lado. Surgia a profissão de Youtuber. E por mais estranho que isso possa parecer, a iniciativa foi aprovada e um número cada vez maior de youtubers surge a cada dia.

Não satisfeitos com a designação anteriormente citada, alguns outros se declaram “influenciadores digitais”. O problema consiste em que tipo de influência essas pessoas estão empenhadas em desenvolver. Sempre existirão boas e más influências, e cabe a nós saber discerni-las, optando pelas que mais nos simpatizam. Tais profissões nada mais são do que uma versão moderna do que tantos escritores fizeram no passado ao lançarem suas obras literárias e influenciarem gerações com sua forma de pensamento. No entanto, salvo raras e boas exceções, muitos dos influenciadores atuais estão mais preocupados com visibilidade e número de “curtidas”, deixando de lado o preparo para ser de fato uma boa influência.

Não tardará para vermos a extinção de alguns profissionais ao longo dos próximos anos. Com algoritmos computacionais cada vez mais elaborados, estamos sendo substituídos gradualmente por aplicativos e sistemas sofisticados que automatizam inúmeras funções cotidianas e acabam por suprir a necessidade de um profissional para desempenhá-las. Com isso, emergirá uma nova geração de profissões, as quais promoverão uma verdadeira revolução na história da humanidade.

Opiniões à parte, o ser humano provavelmente manterá o seu papel relevante nas questões essenciais. No entanto, tal papel será modificado. Transformações quase sempre desagradam muita gente; todavia, são essenciais para que o ciclo evolutivo permaneça em ascensão. Mudar faz parte da existência. E estar preparado para as mudanças é condição básica para não ser atingido por elas de maneira negativa.

Esperança

Esperança. Para alguns, um combustível motivacional que nos impulsiona a seguir lutando pelos nossos sonhos. Para outros, o elemento primordial no qual se sustentar, na luta diária pela sobrevivência. Ela pode ser vista como uma criança que acabou de nascer e ainda terá muitas coisas incríveis pela frente para viver. Ou então, como um ancião, calejado, cansado e maltratado pela vida, mas que mesmo assim não desistiu de continuar firme a sua jornada. Por que esse sentimento tem uma força tão grande sobre nós?

A esperança é como uma flor que nasce em terreno pouco adequado. Ela brota e se desenvolve, transformando-se inúmeras vezes em diversos outros sentimentos, como: motivação, resiliência, paciência, dedicação… É através dela que nossa vontade se canaliza. E podemos até mesmo dizer que seja a fé materializada no plano terreno, onde o “impossível” independe de milagres para acontecer.

Ela preenche o peito de todos os que dela se apropriam, e pode ser traduzida em cada suspiro que damos após um período de reflexão que antecede o próximo passo. Sozinha, nada produz. Porém, quase sempre vem acompanhada por uma série de incentivadores capazes de promover o resultado pretendido.

É a melhor definição de sonhar, quando este verbo vem empregado com sentido de estabelecimento de metas em busca de um objetivo específico. É a linha que separa o sucesso dos que chegaram, do fracasso daqueles que ficaram pelo caminho. Esperança é a espera com perseverança. Algo nobre que premia os que dela sabem se nutrir e que não passa de um simples arranjado de letras para os que não compreendem o seu significado.

Uns dizem que é a última a morrer. Como na letra de Aliados, banda brasileira de pop rock, que ainda complementa sua descrição dizendo: “Enquanto ela estiver aqui, ainda haverá o amor. Com ela eu estou feliz, com ela eu enfrento a dor”. Mais um ano se inicia e para grande parte da humanidade as esperanças foram renovadas ou fortalecidas na noite de 31 de dezembro. Chico Xavier, ao dizer que a esperança é a luz da vida, talvez pretendesse mostrar o quão iluminadora é, e o poder que tal força tem sobre nossa existência.

Não importa a área em que estejamos concentrando nossas fontes esperançosas; ela sempre será alcançada com os frutos da espera perseverante se esta realmente tiver sido realizada. “Quem acredita sempre alcança!”.

Ciência e religião

Os mistérios da vida em duas direções

O ser humano sempre busca um meio para justificar suas crendices. Nesse processo, idealiza alegorias como o paraíso bíblico ou a explosão de partículas cósmicas da ciência a fim de apoiar sua base de pensamento em determinados argumentos, sejam eles quais forem. A verdade é que desde criança, todos nós nos vimos encurralados entre o que aprendemos em casa e o que a escola nos ensinou sobre a formação do universo e o nosso próprio corpo.

Deus criou o mundo em 6 dias e descansou no sétimo ou tudo se originou a partir de uma explosão e um desenvolvimento ao longo de anos e anos de transformação planetária? A primeira hipótese, juntamente com a criação de Adão e Eva, se torna inviável ao ponto em que o aparecimento de evidências, como fósseis de dinossauros, corroboram para enfatizar exatamente o contrário. Por outro lado, acreditar que toda uma complexa gama de sistemas de vida se desenvolveu a partir de elementos químicos sem qualquer estímulo externo, é no mínimo ingenuidade.

Enquanto cientistas enfatizam que nossos genes são os responsáveis por toda nossa inteligência e capacidade laboral, não conseguem explicar como corpos usufruindo de todas as suas funções vitais não conseguem voltar de determinados casos de coma. Simplesmente por ignorarem que o que dá estímulo ao corpo é justamente o espírito. Se não há espírito, pode até existir função vital; no entanto, não há vida.

Certos religiosos, por sua vez, pensam que a existência se resume a uma única passagem pela Terra, e que tudo depois da morte do corpo se transforma num estado de descanso eterno. Vendo a vida por este lado, nossa ingenuidade se aflora exponencialmente a ponto de beirar a bestialidade e ser uma afronta à inteligência Divina; pois deste modo, sua criação se tornaria sem utilidade alguma.

Os mistérios da existência são vários e não se resumem às palavras de um único livro. As igrejas ditam costumes e influenciam milhões de pessoas nas mais diversas religiões diferentes. Como saber qual a crença verdadeira quando percebemos que todos os fiéis têm total convicção de que a sua é a única salvadora? Como ser totalmente cético, como um ateu estudioso de elementos e aspectos físico-quânticos, quando fatos extraordinários e sem explicação surgem e instalam pulgas atrás das orelhas dos mais convictos incrédulos, e a partir de então, duvidosos enrustidos.

Há muitas coisas para serem vistas. Coisas essas que não se resumem à bíblia, ao alcorão, ou a uma enciclopédia científica. Há conhecimentos de forma abundante contidos em livros espirituais, cabalísticos e budistas. Pensadores, como Osho, demonstram uma visão de mundo e consciência existencial muito mais aguçada que boa parte dos acumuladores de ovelhas do Senhor e dos observadores de laboratório.

Ciência e religião se completam em suas incompletudes e se anulam em suas divergências. São perfeitas se analisadas conjuntamente sem exageros extremados, e defeituosas quando abandonadas de seu contraponto. O mundo é dual, e assim como tal, sempre haverá uma força contrária para cada uma de forma que ambas sejam determinantes para o equilíbrio do universo. Ignorar isso é abandonar uma parte dos caminhos da existência e escolher uma vida alheia a tudo o que pode nos traduzir o enigmático.

De volta para o futuro

Fazer uma previsão sobre o futuro não é tarefa das mais fáceis. Nostradamus já tentou tal proeza e acabou não se saindo muito bem. Pensar em soluções que facilitem a vida ou mesmo substituam certos processos adotados atualmente, talvez seja o foco abordado aqui. Yuval Noah Harari levantou questões muito pertinentes sobre o que o homem tem feito na tentativa de se tornar um verdadeiro criador, ao abordar temas polêmicos e já praticados pelo mundo, em sua obra: Homo Deus.

O desejo por mudanças e o aprimoramento dos mecanismos e meios que nos propiciam alcançá-las têm contribuído generosamente para uma avalanche de novas ideias no ramo da tecnologia. Tal advento inovativo culminará na extinção de inúmeras profissões num futuro próximo. O que obrigará milhões de pessoas a se redescobrirem novamente e buscarem soluções alternativas para a sua sobrevivência.

Gostaria de falar de inovação aliada ao transporte e mobilidade urbana. Neste ponto, se pararmos para observar o fluxo diário de veículos e pessoas num grande centro, veremos o quão incoerente e ineficiente ele ainda se mostra ser. De início vemos uma legislação de trânsito contraditória; em que é proibido andar sem cinto de segurança em carros de passeio, mas pessoas podem perfeitamente andar de pé amontoadas feito sardinhas em lata em coletivos urbanos. Veículos estes, por sinal, que já saem de fábrica com dispositivos próprios para que os usuários possam se agarrar enquanto o utilizam.

A incoerência persiste quando os próprios prestadores do serviço, como é o caso dos cobradores de ônibus interurbanos permanecem de pé no corredor emitindo bilhetes de passagem. Por que a lei funciona para uns e não para outros? Este é um problema grave de nosso país, o qual só se intensifica com os constantes entendimentos que são feitos pelos órgãos que na verdade não deveriam interpretar nada do que está escrito na lei, e sim fazer com que o texto seja cumprido de forma uniforme e isenta de distinções.

Prosseguindo com a análise, notamos uma total discrepância com relação ao tamanho de veículos coletivos urbanos em relação à sua finalidade. Interurbanos justificam sua altura elevada devido ao fato de que a parte inferior é composta por bagageiros. Entretanto, em ônibus urbanos isso não ocorre. Aliás, nunca vimos um cobrador abandonar o seu posto na roleta para guardar a mala de ninguém. Sua altura elevada e a presença de degraus para acesso de entrada e saída só contribuem para uma dificuldade de utilização por parte de idosos, deficientes físicos e pessoas com mobilidade reduzida.

Por que não adotar veículos mais baixos de modo a terem seu acesso facilitado, como é o caso das vans? A Iveco já pensou nisso e inclusive lançou recentemente um modelo de micro-ônibus adaptado. Talvez estejamos engatinhando em direção a um futuro mais eficiente. Falando em eficiência, como não reparar uma longa fila de carros num engarrafamento? Difícil não reparar também na distração dos motoristas em seus aparelhos celulares e demais elementos que no trânsito, só servem para desviar a atenção do foco principal. Com isso, é possível notar que em média, a cada vez que o sinal abre para os veículos, cada condutor tende a demorar 2 segundos para ter a reação de acelerar. Imaginando que o semáforo fique aberto a cada intervalo de 30 segundos, e que exista uma fila de 20 carros aguardando; se todos, em média, perderem este tempo para se locomover, e desprezando o tempo gasto no deslocamento; veremos que ao menos 5 destes carros ficarão presos no sinal vermelho novamente em virtude exclusivamente do tempo gasto na reação de acelerar e contribuirão para aumentar ainda mais a fila de engarrafamento provocada numa via. Pode parecer pouco, mas imaginem isso acontecendo o dia todo em várias ruas de uma metrópole? O resultado é caótico e interfere diretamente na qualidade de vida das pessoas.

Por isso que buscar soluções inteligentes para solucionar os problemas do nosso dia a dia é fundamental. Seja na implementação de políticas de mobilidade urbana mais eficientes ou na criação de veículos que melhor atendam o seu usuário. Atualmente, uma leva de carros elétricos tem surgido como uma expectativa do que poderemos encontrar num futuro próximo. Entretanto, ainda penso que a autonomia destes veículos poderia ser consideravelmente aumentada com a adoção de medidas não muito complicadas para engenheiros especialistas no assunto.

A energia produzida na utilização dos freios poderia ser redirecionada para as baterias, assim como é feito nos carros de fórmula 1. Sensores instalados na parte dianteira do carro poderiam transformar o atrito provocado pelo deslocamento de ar na carroceria do veículo em energia e servir de alimentação para diversos componentes internos; assim como a adoção de espécies de dínamos nas rodas – como era feito em antigas bicicletas com lanternas -, e de painéis fotovoltaicos no teto, intensificando consideravelmente a obtenção de energia por diversas fontes distintas, tornando o veículo consideravelmente mais eficiente e com uma autonomia muito mais elevada.

Todas estas análises foram fruto de vários momentos de observações. Se tivesse o dom de transformar todas as ideias em realidade, seria realmente ótimo. Como isso não é possível, as transformo em palavras para que possam de alguma maneira ser difundidas ou ao menos conhecidas. Como diria Doc Brown: embarquemos nessa viagem de “volta para o futuro”!

Crédito da imagem: DM Opinião

Somos parte da história

Alívio! Nenhuma outra palavra expressaria melhor a sensação que milhões de brasileiros estão sentindo neste momento. Expulsar uma quadrilha do poder realmente não tem preço. Neste artigo quero externar minha visão sobre alguns pontos que presenciei nos últimos dias em que estivemos envolvidos no pleito eleitoral.

Há um ano resolvi me abster de qualquer manifestação em redes sociais. Entretanto, parar 5 minutos que seja para ver o que as pessoas publicam nestes meios de comunicação é algo um tanto quanto desagradável, mesmo que para um mero espectador. O território de um facebook se tornou um ambiente extremamente hostil.

Neste período pude me surpreender positiva e negativamente com pessoas variadas. Algumas com teses fundadas em argumentos contundentes e outras sob influência de forte doutrinação. É lamentável o que vemos acontecer ainda em nossas escolas e universidades públicas. Ambientes destinados ao ensino sendo utilizados para a formação de militantes partidários. O professor não deve fazer com que os alunos pensem como ele, e sim estimular que pensem por si próprios. Vejo isso com muita tristeza, pois em minha vida estudantil pude sentir tal prática na pele e me incomodava por tais influências acontecerem bem debaixo do meu nariz. Hoje, ao ver alguns de meus ex-professores persistindo em tais práticas, desejo profundamente que suas opiniões pessoais não estejam saindo do computador e indo parar dentro da sala de aula, como acontecia em minha época.

Sempre fui um aluno questionador e muitas das vezes não me conformava com o que me era repassado. Assim, desenvolvi um lado chato que sempre buscou uma informação complementar. Isso de certa forma me fez pensar fora da caixinha. E é este sentimento de pensar por si próprio que considero fundamental numa sociedade realmente evoluída.

O socialismo é algo utópico e contra as leis da vida. É do instinto humano acumular bens para o seu conforto. Capitalismo não quer dizer falta de coletivismo ou de solidariedade. Isso, no entanto, se aplica aos que vendem seu voto por um botijão de gás pensando única e exclusivamente em seu próprio umbigo. Para os que ainda pensam que a filosofia de partilha socialista funciona, deixo como sugestão uma consulta ao Google sobre o Princípio de Pareto; que assim como o número 1,618, denominado de A Divina Proporção, expressam fatos imutáveis da natureza, os quais Da Vinci sabiamente representou em O Homem Vitruviano.

Aos que pensam que vivemos em uma verdadeira democracia durante todos estes anos, o Google novamente pode lhe ajudar numa rápida e simples consulta sobre o Socialismo Fabiano. Acredite: qualquer semelhança com o modo em que vivemos não é mera coincidência. Aos ainda relutantes, deixo uma fonte importantíssima de pesquisas que se chama Brasil Paralelo. Neste canal do YouTube, criado por mentes como de Olavo de Carvalho, Luiz Felipe Pondé e de muitos outros historiadores e pesquisadores, é possível encontrar um caminho para a história que nos foi ocultada durante décadas. Em especial indicação, sugiro a série de 6 capítulos do documentário: Congresso Brasil Paralelo.

Falando de história, as futuras gerações conhecerão este momento vivido por nós como algo surreal e inacreditável. Bolsonaro não tinha nada a seu favor e ao mesmo tempo tinha tudo. Sem tempo de Tv, usou a internet. Sem fundo partidário, ganhou apoio popular espontâneo. Sem poder ir às ruas devido a um atentado que o manteve hospitalizado, viu o povo ir às ruas em seu lugar. Sem militantes e sindicatos para apoiar sua causa, teve o cidadão que já não aguentava mais o domínio de um partido corrupto como o seu principal cabo eleitoral.

Democracia é quando um povo deseja mudança e faz a mudança. Onde há democracia num país em que um único partido faz o que quer durante anos a fio? Onde há moral em pessoas que esquecem o limite do certo e do errado e se vedam para poder lutar cegamente por uma causa sem o menor princípio ético? Foi lamentável assistir a determinadas manifestações de apresso por uma organização criminosa que deixou seus desejos escusos claramente expostos num plano de governo maquiado a lá “novafala” de George Orwell em 1984; mas também foi gratificante perceber quanta gente deseja mudança e acredita num país melhor.

O discurso de vitória precedido por uma oração já foi um ótimo sinal. Assim como a serenidade e sobriedade ao se expressar num momento em que euforia e exaltação são mais do que naturais. A esperança depositada pelo povo brasileiro será proporcional à fiscalização e cobrança que o mesmo exercerá sobre o governo. Porém, é necessário que as mudanças das quais o Brasil precisa sejam feitas.

Por fim, encerro meu artigo agradecendo o espaço generosamente aberto pelo Jornal O Município, que me proporciona expor minha linha de pensamento sem qualquer tipo de censura e dizendo que em todos os meus 29 anos de vida, este é o primeiro momento em que estou de fato sentindo orgulho de ser brasileiro e de sair às ruas vestido com a camisa do meu país.

Análise das Eleições 2018

Opiniões políticas à parte, a verdade é que a eleição 2018 demonstrou um esfacelamento de inúmeros partidos e meios de comunicação. Possuir tempo de televisão para realizar uma campanha política já não é necessidade fundamental. A internet se mostrou a principal ferramenta de disseminação de votos, assim como de calúnias, ódio e discursos mentirosos.

Com total isenção faço a minha avaliação com relação a este pleito eleitoral. Não faço parte de nenhuma agremiação política e ao iniciar a corrida rumo ao Palácio do Planalto, me despi de todo preconceito possível e busquei analisar o que cada candidato tinha a oferecer. Nesse processo, li alguns planos de governo e assisti a inúmeras entrevistas com presidenciáveis nos mais variados meios de comunicação, bem como de especialistas em cada área importante que merecia ser analisada, como por exemplo: a economia.

Inicialmente pensando ser um absurdo a possibilidade de voto no capitão, resolvi pesquisar além do que a grande massa já repetia e tentar formar a minha própria linha de pensamento e opinião a respeito. Descobri que rotularam Jair Bolsonaro assim como fizeram com Enéias Carneiro, talvez como uma única alternativa para encobrir a sujeita petista numa campanha comandada por um presidiário, onde um dos principais compromissos de campanha de seu fantoche era ir visitá-lo na sede da Polícia Federal para obter conselhos.

Afundar o país de vez se tornou talvez a meta da campanha do PT, de Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Vera Lúcia e companhia limitada. Prometer medidas populistas num Estado em crise econômica é no mínimo pedir para o eleitor retirar o seu atestado de ingênuo. É votar primeiro no PT para conseguir comprar alguma coisa enquanto deixa a dívida crescer nos bancos e depois recorrer a Ciro para que este tire milagrosamente o seu nome do SPC. Ou fazer uma faculdade pelo FIES ajudando empresários custeados pelo governo e obter no fim do curso, além de um diploma muito merecido, a dura realidade de um mercado de trabalho acabado e tendo de arcar com a dívida imensa do financiamento dos estudos ganhando não mais que um salário mínimo, atuando na informalidade ou mesmo enfrentando períodos de desemprego.

Alckmin e Marina se perderam no caminho, e ao invés de mostrarem por que eles sim, se preocuparam em falar por que os outros não. Meirelles teve uma proposta limpa e com enfoque em sua experiência econômica. No entanto, obteve menos apoio popular inclusive do que Cabo Daciolo, que com uma boa dose de verdades ditas e um jeito peculiar de se expressar, conseguiu angariar alguns votos. Nessa corrida, Bolsonaro, Álvaro Dias e João Amoêdo tiveram as campanhas mais coerentes; sendo que sem sombra de dúvidas, Amoêdo se mostrou o candidato mais preparado para lidar com os atuais problemas do país. Apesar de não ter podido participar de nenhum debate televisivo e contado com um tempo de propaganda eleitoral que lhe permitia falar apenas o nome, conseguiu mostrar sua capacidade em inúmeras entrevistas que concedeu a diversos meios de comunicação, onde foi sabatinado sobre os mais variados temas e sempre se pautou pela coerência e objetividade nas respostas.

Diante de uma iminente ameaça dos ladrões vermelhos retornarem ao poder, Bolsonaro, que sempre liderou as pesquisas, canalizou toda a atenção dos demais eleitores avessos ao PT, já que o candidato do 12 nada mais é do que um aliado destes disfarçado de politicamente correto. É admirável que um candidato sem tempo de tv, sem um partido influente, sem dinheiro de campanha à altura dos demais, atacado por quase todos os concorrentes e hospitalizado por um mês, tenha alcançado tamanha expressividade na votação. Doa a quem doer, esta foi a verdadeira demonstração de democracia dessas eleições. O povo mostrou que votou em quem queria e não em quem a mídia tentou influenciar.

Minas Gerais deu um exemplo significativo para o país, ao literalmente expulsar Fernando Pimentel e Dilma Rousseff nas urnas. Essa foi a maior prova de que o partido dos trabalhadores já não exerce mais nenhum domínio sobre este solo liberto. No entanto, devemos nos atentar para o que ainda persiste no nordeste do país. Mais uma vez todo o Brasil foi influenciado pelo resultado adverso de uma única região. É sabido que o partido já mencionado algumas vezes neste artigo exerce uma predominância nesta região, no entanto, caso o resultado das urnas tenha de fato sido legítimo, vemos que uma única região afeta diretamente o destino de todo o resto.

Pode soar preconceituosa tal análise, mas vale a pena um minuto de reflexão, pois esse fato é recorrente nas eleições presidenciais. O nordeste é sabidamente uma região menos desenvolvida em relação às demais e mais sofrida pela falta de condições mínimas de subsistência, exceto nas áreas metropolitanas. Muitos de seu povo migram para regiões como o sudeste em busca de melhores oportunidades, no entanto, apesar de suas vidas não terem mudado em decorrência do lulismo até hoje, continuam votando nos mesmos nomes que lhes mantêm na pobreza há anos. É justo que todas as demais regiões do país sofram pelas escolhas equivocadas de uma única região, sendo que inclusive a importante contribuição das demais regiões no PIB nacional garantem a ainda relativa estabilidade em meio à crise em que vivemos, inclusive para o nordeste?

Num comparativo ao sistema adotado nos Estados Unidos, onde os estados mais populosos possuem maior representatividade nas eleições, sendo cada um designado pela quantidade de delegados que são efetivamente os que definem o resultado; o Brasil poderia adotar semelhante cultura ao estipular pesos diferentes na votação dos estados de acordo com a sua representatividade no Congresso Nacional, a qual já se baseia no quantitativo populacional. Com relação à confiabilidade das urnas, pudemos ver um imenso número de vídeos em colégios eleitorais com pessoas indignadas pela suposta adulteração no procedimento de votação. Policiais estiveram presentes em várias seções e registros em ata e boletins de ocorrência foram lavrados relatando tais acontecimentos. Por mais que o TSE tente dizer que tudo não passou de fake news, qualquer um de nós conhece alguma pessoa que também passou por semelhante situação no último dia 07. Sem contar que a obrigatoriedade do voto só serve para aumentar o índice de eleitores que mal sabem o número do seu candidato e acabam contribuindo para afundar o barco de vez.

Por fim, vamos de encontro a um segundo turno com o país literalmente dividido em dois. Esperamos que a tão falada democracia se faça presente e que o povo brasileiro faça jus ao seu hino nacional e não fuja à luta neste momento tão importante de nossa história. Qualquer escolha trará consequências, mas com certeza virar uma Venezuela é a pior delas; e essa não é apenas uma simples afirmação, é uma preocupante e iminente possibilidade já alertada por diversos especialistas e investidores do país.