Sessão de Cinema

Chegou minha vez de comprar o ingresso. Na cabine, por fora, a plaqueta de “Proibido para menores de dezoito anos”. Eu ainda não tinha idade para entrar, mas mesmo assim, resolvi arriscar. Se desse algum problema poderia devolver o ingresso.
O bilheteiro Ary Florentino pergunta: “Inteira ou meia?” Eu pedi inteira. Na portaria, Duílio acompanhado por um comissário (Tia Ica) fazia a triagem. Entrei sem ser contestado. Comprei amendoim do Maninho e fui me assentar.
Logo a cortina se fechou, vieram as três badaladas e o apagar das luzes. Canal 100: Vasco 3×0 no Flamengo. Depois dos trailers e, finalmente, o filme: “Fúria no Alasca”… pela quarta vez naquele ano.
Lá pelas tantas, a fita parou de rodar, vieram os costumeiros gritos de “Corta, Goty”. Mas desta vez a situação foi pior: a lata que trouxe o filme, estava faltando uma parte e não teve como recomeçar…
Sá Onça acendeu um papel no meio da escuridão e a balbúrdia começou. Muita gritaria, pessoas saindo, outros exaltados atirando objetos na tela. Charles Cândido, que estava na parte de cima (Pulman), jogou uma cadeira pra baixo…
Com a chegada da polícia, a confusão aumentou. “Queremos nosso dinheiro de volta”, disse Zuquinha… Naquele empurra-empurra, o cassetete cantou. O pessoal mais nervoso chutou a porta do Cinema, pois estavam querendo fechá-la. Chico Retto sacou o revólver e o quiproquó foi amenizado. Com certeza, esse foi um dos poucos momentos de confusão no nosso Cine São José…
Bicas ação…