Quando tudo ia calmo na terrinha, surgiu a notícia pelas ruas que as apostas do jogo do bicho estavam suspensas. Se sabia que algo em breve ia acontecer. Não se via nenhum cambista nas esquinas, e os apostadores passavam momentos de angustia.
De repente, apareceu um aparato policial com vários camburões, armamentos pesados e tal. Laerte e Mosquito foram em cana, juntos com outros cambistas. Dulin, nesse dia estava pescando no Araci, e escapou de fazer companhia aos demais. Um famoso banqueiro do jogo, à época, também, foi devidamente enquadrado e todos foram diretos para a cadeia em Guarará.
Teve gente que sumiu do mapa por uns tempos. Nas ruas, o assunto fervilhava: pessoas apostando por quanto tempo a turma ia ficar encarcerada; outros, dando graças pelo fim da jogatina e por aí ia.
Naquela época, o Jogo do Bicho era visto como uma diversão qualquer, coisa de varejo com ares românticos, mas era uma contravenção e os donos de bancas ganhavam uma grana respeitável, pois o volume de apostas era enorme e não tinha tributação. Portanto, era bem rentável. Os gastos eram com os prêmios, cambistas e molhar as mãos de quem pudesse incomodar.
Esses sobressaltos, por coincidência, aconteciam sempre quando mudava o comando policial da região. Os cambistas saíram logo, mas o famoso banqueiro ficou mais tempo, tanto que nossa molecada ia de bicicleta visitá-lo. Pelo lado de fora da cadeia, é claro. Bicas na contravenção.