Ô Dona Maria!

Naquela época, as hortaliças eram cultivadas somente com esterco, e esse negócio de produtos orgânicos era coisa para o futuro. Assim, uma carrocinha recheada de verduras passava vendendo-as de porta em porta pelas ruas de Bicas.

Quando Tamaduro apontava em qualquer esquina, de qualquer rua, despertava um bom astral entre as donas de casa e a certeza de um almoço saudável. Ele tinha bordões divertidos que funcionavam como marketing. “Ô Dona Maria: banana, mamão e tomate tá maduro”… “Venha ver a mandioca do Tamaduro como tá bonita”… “Moça bonita não paga, mas também não leva”… “Temos  abobora putaiada (por talho)”, bradava ele, alegrando as comadres. Nossa molecada adorava sua passagem lá na rua do Brejo… Ríamos muito com sua performance.

Nunca soube o verdadeiro nome daquele mulato forte, bem-humorado e pau para toda obra. Vendia verduras na parte da manhã, à tarde pegava o seu machado e ia rachar lenha ou na cooperativa ou na casa de alguém, pois ainda era novidade o fogão a gás.

Tamaduro foi um personagem alegre, humilde e trabalhador que passou por nós dando lição de simplicidade. Sua frase preferida era: ganho pouco, mas divirto muito. Certamente, se foi para o além com a missão cumprida por aqui… Bicas quitandeira.