Família denuncia erro médico e autoridades investigam conduta de profissionais da unidade de saúde

Adolescente procurou atendimento três vezes e recebeu alta com diagnóstico incorreto
A Polícia Civil do Paraná está investigando as circunstâncias da morte de Brenda Cristina Rodrigues, de 17 anos, que veio a óbito no dia 19 de janeiro, um dia após ser internada em um hospital particular com pneumonia bacteriana. Antes da internação, a jovem buscou atendimento médico três vezes na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de União da Vitória, no sul do estado, entre os dias 16 e 18 de janeiro, mas foi liberada em todas elas com o diagnóstico de ansiedade.
Sintomas ignorados e ausência de exames complementares
De acordo com familiares, Brenda apresentou falta de ar e dor no peito já no primeiro atendimento na UPA. Mesmo com relatos de chiados no peito, a adolescente recebeu alta após todas as consultas, sem a realização de exames complementares que pudessem indicar a real gravidade do quadro clínico.
– Ela não faleceu por uma fatalidade inevitável, foi uma consequência de uma sequência de erros que culminaram na sua morte – declarou Mateus Daldin, advogado da família.
Internação de emergência em hospital particular
Com a piora do quadro clínico, o avô de Brenda decidiu levá-la, na manhã do dia 18 de janeiro, à Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI), um hospital particular. Após exames, foi confirmado o diagnóstico de pneumonia bacteriana, com comprometimento pulmonar severo.
A adolescente foi inicialmente internada em um quarto, mas, diante da gravidade, foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde foi entubada, mas infelizmente não resistiu.
Inquérito policial e sindicância médica em andamento
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar se houve negligência, imperícia, omissão de socorro ou homicídio culposo nos atendimentos prestados à jovem. Estão sendo analisados os prontuários médicos, os protocolos da UPA e os depoimentos de todos os profissionais envolvidos, desde a triagem até as médicas que deram alta. Um exame de necropsia também foi requisitado.
Medidas da Prefeitura e do Instituto Humaniza
A Prefeitura de União da Vitória informou que instaurará processo administrativo para apurar as condutas adotadas na unidade de saúde. A UPA é gerida pelo Instituto Humaniza, uma empresa terceirizada que afastou preventivamente as médicas envolvidas no atendimento de Brenda e declarou estar colaborando com as investigações.
– O Instituto Humaniza lamenta profundamente o falecimento da jovem e se solidariza com familiares e amigos. Desde o início, tem prestado apoio e fornecido todas as informações solicitadas com transparência – disse a empresa em nota oficial.
Conselho de Medicina também apura responsabilidades
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) acompanha o caso e já anunciou a abertura de uma sindicância. Caso seja constatada violação ao Código de Ética Médica, os profissionais envolvidos poderão sofrer sanções disciplinares, que incluem a cassação do registro profissional.
A APMI, por sua vez, não está sendo investigada e afirmou que não comentará o caso, por se tratar de um assunto privado da paciente e da família.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução