Esfriando no caixão

Cidadão ia andando pela rua e do nada colocou a mão no coração ululando. Foi parar no hospital já sem vida. Tentou se comunicar, porém, não teve resultado…Assim, só ouvia e via o que estava em sua volta. A enfermeira que estava preparando seu corpo para o velório disse para a outra: “Agora, eu sei porque a viúva andava sempre alegrinha, era bem servida noturnamente”. A outra, balançou a cabeça e completou: “Quem me dera uma coisa dessas lá em casa”…

O defunto foi encaminhado para a funerária e não gostou do traslado, sem nenhum cuidado, foi jogado dentro do caixão… Durante o velório, ele se ria por dentro, pois viu o quanto a vida nos surpreende, até estando do outro lado.

Aquele sujeito, que lhe devia uma grana, chegou com um olhar lamentoso, colocou a mão nele, balançou a cabeça e sussurrou artisticamente: “Que injustiça, você não poderia ter ido agora”.

O sobrinho chorava, copiosamente. Este, o cadáver viu sinceridade, mas o amigo de todas as horas foi a decepção… Já havia cumprimentado a viúva várias vezes com abraços apertadíssimos. Teve momento que o defunto queria se levantar do caixão, via por baixo das lágrimas dela que havia um certo suspiro pelo consolo.

Quando, finalmente, o morto foi encaminhado para o cemitério, ele pensou: “Tenho que negociar agora com os outros vermes que vão acabar de me devorar”.