Causo de Carnaval… “Do nada”

Zé Arnaldo
omunicipioonline.com.br

No Carnaval de 1982, em Bicas, a extinta Escola de Samba Rosa de Ouro desfilou linda, maravilhosa e, como sempre, pronta pra entrar pra história, mesmo que fosse pelos motivos mais inusitados possíveis.

Naquele ano, o saudoso carnavalesco Wanildo Garcia de Siqueira resolveu que alegoria boa era alegoria que causava trauma leve na plateia. Ele criou um dragão que soltava fogo pela boca, se mexia como se tivesse feito aula de teatro, rugia com vontade e ainda por cima falava sem parar. Era praticamente um réptil sindicalizado.

O público, perplexo, entreolhava-se, perguntando como é que o Wanildo conseguiu fazer um dragão tão perfeito e ativo. Pois é… Tecnologia de ponta? Engenharia avançada? Patrocínio internacional? Nada disso.

O segredo era simples, artesanal e quase fatal: o saudoso Mazzaropi estava lá dentro.

Sim… O nosso Mazza (Luiz Gonzaga Corrêa), trancado dentro do réptil gigante, sem ar, sem ventilação e sem a menor noção de que tinha virado churrasco humano em potencial. Enquanto o público aplaudia o realismo do dragão, ele esbravejava, gritava e se mexia desesperado, o que, ironicamente, só deixava a alegoria ainda mais convincente.

É que os colaboradores do carnavalesco, ao montarem o carro alegórico, num momento de inspiração arquitetônica duvidosa, fecharam todas as entradas e saídas de ar da estrutura. Resultado: quase transformaram o dragão numa panela de pressão carnavalesca, com o Mazza dentro.

E o socorro? … Veio só na dispersão, em frente ao Clube Biquense, quando perceberam que o “motor do dragão” estava ensopado, desmaiado e precisando urgentemente de oxigênio.

Fato é que demorou um tempinho para ele se restabelecer; mas, convenhamos: nunca na história do Carnaval  mundial um dragão foi tão realista como o de Bicas, nas minas gerais.