Zé Arnaldo – omunicipioonline.com.br
Bicas deu uma silenciada na sexta-feira, 9 de janeiro, com a “passagem” do Canjica, nome pelo qual todo mundo conhecia José Fagundes de Freitas. “Pisou no melão e foi pra rua Viriato Catão”, ele dizia, quando alguém partia desta para outra.
Dono de um dos restaurantes mais tradicionais da cidade, por muitos anos, era daquelas figuras raras que misturavam tempero, amizade e bom humor, na mesma panela.
No balcão, Canjica, sempre assessorado pela saudosa esposa, Dona Zélia, não servia apenas tira-gostos caprichados… Servia histórias, piadas e aquela sensação de estar em casa. Aos sábados, então, não tinha lero: bendita-até-o-último grão, a feijoada pintava na área, com força e com vontade…
Fora da cozinha, o vascaíno Canjica vestia a camisa do Baeta, sem-dó-nem-pena… Apaixonado pelo Esporte Clube Biquense, foi um dos grandes incentivadores do clube, especialmente, na década de 1970, quando não mediu esforços (nem bolso) para trazer jogadores consagrados de Juiz de Fora: Lema, Suca, Pedrinho, Samarone, entre outros. O resultado apareceu dentro de campo: títulos regionais, vitórias marcantes e uma fase cintilante que até hoje mora na memória dos torcedores.
E, como personagem completo da vida biquense, Canjica também resolveu experimentar a política. Em 1976, tentou a vereança, apoiando o candidato a prefeito Amílcar Verlangieri Rebouças (eleito). Lançou um slogan que virou folclore: “Vou doar o salário de vereador e não compro votos”.
A sinceridade era tanta que o resultado foi previsível: não eleito, claro. Mas ganhou algo talvez mais duradouro: boas histórias e gargalhadas que atravessaram décadas.
Canjica, igualmente, foi grande para o GRES Unidos do HV… Comemorou pra caramba o título de campeã, em 1982: “Sítio do pica-pau amarelo, terreiro de samba do HV, simbora, gente!”, gritava na guerra, Paulo Cesar Leocádio, o sambista Siri.
Canjica ficava de prontidão… Tudo que era bom pra Bicas, podia contar com ele.
Canjica partiu, mas deixou muito mais do que saudade. Deixou histórias que continuam sendo contadas, risadas que insistem em reaparecer e um legado que vai do prato bem servido ao futebol bem jogado.