Os obstáculos no combate à obesidade no Brasil

A abundância de alimentos é cada vez maior e as consequências de seu consumo exagerado seguem a mesma proporção. Em sentido contrário, porém, muitas doenças causadas pela obesidade abreviam a vida de milhões de pessoas, contrastando assim com o aumento da expectativa de vida mundial. Em Sapiens – obra de Yuval Noah Harari -, é possível constatarmos que a obesidade mata mais do que a fome atualmente. Assim, encontrar equilíbrio talvez seja o maior desafio no combate a este mal advindo do excesso; e não da escassez que tanto preocupou a humanidade séculos atrás.

O estilo de vida acelerada dos dias atuais é um importante fator agravante e até mesmo causador do aumento no número de pessoas obesas. Com pouco tempo para prepararem sua própria comida, as pessoas optam cada vez mais por alimentos processados, com alto teor de açúcar e sódio; transformando-se, portanto, numa alimentação pouco adequada. A ansiedade saciada na compulsão por produtos calóricos e o sedentarismo advindo de facilidades proporcionadas pela tecnologia, gerando menos esforço físico e gasto energético; são elementos extras que ajudam a acumular cada vez mais gordura no corpo humano. Aliado a isso, a sedução provocada pela indústria alimentícia é consideravelmente provocante e induz milhões de pessoas a um consumo além do necessário.

Para reverter este cenário devem ser adotadas medidas que vão muito além de uma publicidade que incentive a alimentação saudável. É necessária uma mudança de hábitos e estilos de vida, e uma maior propagação dos males que o consumo de certos produtos fazem ao organismo. Para tanto, a valorização do uso de vegetais no momento das refeições já está sendo sentida, assim como a preferência pelos orgânicos que são isentos de agrotóxicos e totalmente saudáveis. Nesse ínterim, houve um aumento dos que se intitulam vegetarianos ou veganos.

No entanto, restringir a absorção de certos nutrientes pode ser de mesmo modo, prejudicial. Para tanto, uma inovação gastronômica visando à utilização de ingredientes alternativos, como uma substituição mais saudável em receitas já tradicionais, é uma ferramenta essencial no processo de readaptação alimentar; o qual pode ter iniciada sua adoção na merenda das escolas do país.

Aliando tais iniciativas com o tratamento das causas de stress e ansiedade, propulsores da compulsão alimentar, bem como promoção de práticas e atividades esportivas, teremos além de uma redução no índice de obesidade brasileira de uma maneira abrangente; a formação de futuras gerações mais saudáveis e conscientes da importância do cuidado com a alimentação.

Crédito da imagem: Revista Pré-Univesp

Um novo sistema político baseado na competência

É sabido de todos que o atual sistema político vigente no Brasil está de fato contaminado e já não produz os resultados esperados há muito tempo. Para tanto, trocar as figurinhas que se alternam no poder não é suficiente para a obtenção de um governo de fato eficiente, que retribua as expectativas do povo de forma satisfatória. Deste modo, ouso sugerir um sistema político baseado na competência, em detrimento deste atual que nada mais é do que um conluio de interesses.

No Brasil vigora o princípio constitucional do pluralismo político, no entanto, tal princípio tem se confundido erroneamente com pluripartidarismo, e o que vemos é uma verdadeira enxurrada de partidos surgindo nos mais variados locais e se espalhando pelo país. Apesar de divergentes em pontos de vista, tais partidos se coligam nas vésperas de eleições visando derrotar coligações adversárias e com isso, assumirem o poder. Contudo, as coligações acabaram se tornando um verdadeiro câncer para o sistema político democrático, na medida em que os interesses partidários se sobrepõem ao interesse coletivo.

Ao invés de um país pluripartidarista, deveríamos ter um único partido vigente no Brasil, com o nome talvez de: Partido Nacional. Neste partido, estariam juntos todos os cidadãos que quisessem de fato se candidatarem a servir sua cidade, estado ou país de forma séria e livre de desavenças, visto que não teríamos várias ideologias imperando, e sim uma única vontade: a vontade do povo, que estaria de fato exercendo o seu poder assegurado na Constituição de 1988 de maneira mais contundente e incisiva.

Neste partido único, todas as diretrizes de trabalho serão propostas por pessoas competentes dos mais variados setores e submetidas a votação popular através de plebiscito. Após analisadas as possibilidades de efetivação das medidas por uma comissão especial em parceria com a sociedade, um plano de trabalho será desenvolvido visando alcançar o fim desejado.

Nesse ínterim, todos os candidatos cadastrados no Partido Nacional passarão por provas que medirão a sua capacidade técnica para o cargo pleiteado. É inacreditável como necessitamos de provas para tirar uma carteira de motorista, entrar na faculdade, assumir um cargo público efetivo; e para dirigir os caminhos de um município, estado ou nação, necessita-se apenas da maioria de votos.

Assim, os candidatos que obtiverem no mínimo 80% de conhecimento na área pleiteada, serão aprovados para passar à próxima fase das eleições. Tais provas serão destinadas a todos os cargos políticos denominados cargos em comissão ou de confiança, como: presidente, governador, prefeito, vereador, ministro, secretário, diretor, etc. Os melhores colocados dentro de cada segmento serão conduzidos à etapa seguinte, para avaliação de títulos e verificação de sua idoneidade moral, reputação ilibada e contribuição prévia à comunidade. Após a definição dos nomes que se mostraram mais preparados para assumir a função por 4 anos, publicar-se-ão os mesmos e os daremos à apreciação da população para uma escolha democrática daqueles que não prometerão nada além do que a própria população já elencou como prioridade real e factível de concretização.

Daremos um exemplo de um município. 20 pessoas se candidatam ao cargo de prefeito da cidade e destes, 8 alcançam nota superior a 80% na prova de conhecimentos gerais e específicos para o cargo. Os demais, mal conheciam superficialmente a lei orgânica e não sabiam sequer as atribuições da câmara de vereadores. Estes 8 aprovados passam para a próxima fase e é verificado que 4 deles têm processos na justiça e não possuem uma vida pregressa condizente com o cargo. Portanto, 4 nomes serão colocados à disposição da população para que esta possa escolher o que melhor lhe representa. Da mesma forma seria realizado com os candidatos ao legislativo municipal.
Os demais cargos do executivo, preenchidos por secretários, diretores e afins, serão de mesmo modo submetidos a provas de capacidade laborativa e conhecimento funcional, sendo escolhidos para a gestão os melhores colocados nas respectivas provas, assim como é feito nos concursos públicos.

Até o momento tudo bem, mas garanto que vocês devem estar se perguntando como um governo pode dar certo com uma equipe não coesa. Constatamos, porém, que a coesão se dará do fato de que todos os aprovados terão em mente que foram considerados aptos para a função que devem executar em benefício da sociedade a partir de um plano de governo desenvolvido por ela própria e não por uma coligação. Do mesmo modo, estarão cientes de que poderão ser dispensadas a bem do serviço público após processo administrativo disciplinar mediante fiscalização prévia da própria população. Deste modo, independentemente de desavenças pessoais que possam existir entre membros ocupantes de cargos em uma mesma administração, sua relação não estará subordinada ao seu superior hierárquico, e sim à população; evitando assim que injustiças venham a ocorrer.

Assim como no exemplo citado, o mesmo processo se estenderá aos âmbitos estadual e nacional. Com isso, teremos um sistema de governo realmente eficiente sendo ocupado por pessoas que se preparam para desempenhar as funções que lhe cabem com maestria, ao invés de um verdadeiro galinheiro onde pessoas sem preparo se alternam no poleiro e lutam para ver quem fica com a maior quantidade de ovos.

Pode parecer ilusório ou uma possibilidade restrita a um futuro distante. Porém, vale destacar que toda mudança parte de uma ideia conciliada a uma atitude. Todos somos livres para expressarmos nossas opiniões e defendermos nosso ponto de vista. Este é o meu.

A incrível viagem do conhecimento

Viver não é apenas acumular experiências e dias seguidos ao longo da existência. Nessa jornada, encontrar fontes de pesquisa que nos auxiliam a entender um pouco de como chegamos até aqui é instigante e desafiador. O desejo pelo desconhecido é o que sempre moveu a humanidade a desbravar terrenos inóspitos, criar soluções para problemas, curas para doenças e respostas para as mais diversas indagações. Como tudo se deu no universo? Qual o sentido de estarmos aqui? Essas e outras respostas ainda permanecem incompreensíveis e conflitantes, no entanto, a cada dia que passa ganha novos contornos e conceitos.

Este artigo se trata na verdade de uma dica de leitura que os levará a um entendimento da humanidade de uma outra maneira. Ver o mundo com outros olhos é como subir uma montanha e avistar diversos caminhos possíveis, os quais, admirados somente por um ângulo, não dão a amplitude necessária para o verdadeiro entendimento da forma que se espera nas mais variadas situações.

Deste modo, a incrível viagem do conhecimento, nome escolhido para esta indicação literária, traz dois nomes de livros que poderão mudar a sua visão de tudo o que já ouviu dizer ou simplesmente acreditava até agora: O livro dos Espíritos e Sapiens – Uma breve História da Humanidade. Um, escrito por Allan Kardec após inúmeros relatos espirituais, mostra a vida no universo sobre um aspecto divino diretamente ligado aos princípios biológicos, químicos e físicos que o regem. O outro, um best-seller do professor de história, Yuval Noah Harari, traz uma visão mais cética, fria e calculista sobre tudo, porém, com a mesma excelência de argumentos e justificativas plausíveis do primeiro.

Ambos os livros se completam em sua excelência literária e fazem uma mescla eficiente e bem interessante sobre o mundo em que vivemos, a vida e os mistérios que a cercam. O livro de Kardec é marcado por revelações contundentes e pela quebra de crendices bíblicas alegóricas, as quais foram utilizadas como um meio de entendimento simples para a civilização pouco instruída da época e que continua erroneamente sendo adotada até os dias atuais. Harari, por sua vez, encara a existência de maneira lógica e pragmática, relatando o passo a passo do homo sapiens em sua caminhada evolutiva e destrutiva. Contudo, apesar da visão divina de um e da ateia de outro, ambos se confundem nos princípios defendidos e comprovados pela ciência, bem como pela enorme coerência.

Como uma espécie de contribuição de quem sempre diz que o ser humano deve entender melhor o significado das coisas, deixo estas duas sugestões para quem se dispuser a uma leitura livre de preconceitos e totalmente aberta ao conhecimento. Assim como uma outra obra de Osho, que possamos sair de nossa inocência, caminharmos pelo conhecimento e através dele atingirmos o encantamento, que é o ápice de toda mente evoluída.

Orgulho de ser biquense

Bicas está se tornando figura carimbada em diversos momentos importantes de nossa história esportiva. Seja por fazer parte da rota percorrida pela tocha olímpica nos jogos do Rio 2016 ou pela participação de Danilo na copa do mundo 2018. Ver um lugar tão pequeno se mostrar para o globo tão frequentemente é motivo de satisfação e alegria, ainda mais diante das inúmeras barreiras que enfrentamos dentro de nosso próprio e restrito território.

Nossa cidade, sempre deficiente em oferecer condições de crescimento para seus cidadãos, vê já há muito tempo grande parte de seus jovens partirem em busca de um futuro melhor. Mas, antes que meu texto novamente se torne uma crítica a tudo de ruim que ainda existe por aqui, retomarei o rumo e falarei da real motivação em escrever este artigo: parabenizar um conterrâneo por não esquecer suas origens.

Não sou um entusiasta do futebol, mas confesso que ter um representante biquense na seleção brasileira em plena copa do mundo é algo pra lá de especial. Ainda mais sendo alguém que sempre demonstrou orgulho em ser de Bicas. Prova disso é que na conquista de liga dos campeões com o Real Madrid, Danilo ostentava a bandeira de nossa cidade em suas mãos. Orgulho este mostrado para os 4 cantos do universo.

Sabemos que obter reconhecimento em nossa própria terra não é algo muito fácil. O bom é sempre o que vem de fora. Em minha jornada como músico pude sentir na pele como isso acontece e tive que encarar de perto a verdadeira barreira formada ao se dizer ser de um lugar tão pequeno, como se talento pudesse ser medido pelo lugar em que se vive, ou que uma cidade tão pequena não poderia produzir nada de bom. A desconfiança sempre prevalece.

Ao contrário do que muitos pensam, aqui é sim um lugar produtivo. Porém, que nem sempre sabe valorizar os talentos que tem. Independentemente do que o Brasil fez ou venha a fazer na copa, Danilo tem o meu respeito por ter conseguido enfrentar as barreiras que surgiram em seu caminho e alcançado o sucesso profissional que é o sonho de todo mundo que se esforça em busca de um objetivo. O elogio se estende a sua família por serem as mesmas pessoas que eram antes, investirem na cidade e manterem a humildade e simplicidade que muitas vezes falta às pessoas quando atingem certo patamar.

O orgulho de ser biquense não deve ser apenas dele, mas de todos que fazem parte deste solo. Não somos apenas uma cidade localizada próximo à Juiz de Fora. Temos valores e pessoas que se destacam em diversas áreas. Que estas demonstrações sirvam para que todos possam aprender a valorizar o que têm, antes que os outros façam isso por nós. Santo de casa pode sim fazer milagre. Às vezes é a nossa falta de fé que nos impede de enxergar isso.

Carga pesada na consciência

É notório que o Brasil necessita urgentemente de mudanças e que o povo é diariamente assaltado pelo governo em seus inúmeros e abusivos impostos. No entanto, as mudanças devem ser feitas de maneira inteligente e com a devida atenção a todos os seus efeitos colaterais, inevitáveis em qualquer tipo de escolha que fazemos. A crise provocada pelos caminhoneiros em todo o país passou de algo meramente restrito a uma categoria que reivindicava os seus direitos, para uma verdadeira baderna desgovernada feito a mais gigantesca carreta sem freio a descer ladeira abaixo.

Como transformar heróis em vilões em apenas 7 dias? Esse poderia ser o título deste artigo. Tudo é lindo quando o seu próprio bem-estar não está sendo afetado. A partir do momento em que o instinto de sobrevivência começa a falar mais alto, a lei do “salve-se quem puder” passa a ser prioridade máxima na vida das pessoas. Iniciada como uma reivindicação de melhores preços nos combustíveis e redução de tributos para os caminhoneiros do país, a greve geral avançou pela quarta semana do mês de maio e teve seus efeitos sentidos em todos os pontos imagináveis. No domingo, 27/05, após o pronunciamento do presidente, uma legião de pessoas que se sentiam prejudicadas se encheu de esperança com o possível fim da greve, frente ao acolhimento das queixas pelo governo federal. Todavia, o que vimos depois disso foi uma mistura de resistência por parte de alguns manifestantes, outros se sentindo pressionados e acuados em seu próprio meio e um total desvio de finalidade na greve que já deteriora o país.

Os efeitos já são mais do que conhecidos por todos. Noticiários divulgam quase 24h por dia notícias sempre atualizadas dos fatos. Mas não é demais expor mais um ponto de vista e opinião a respeito dos acontecimentos, diante inclusive do desvio de finalidade que os mesmos tomaram.

As pessoas falam sem conhecimento do assunto. Gritam pelo simples fato de aumentar o volume do burburinho já existente. Reclamam sem dispensar o mínimo de tempo sequer para pesquisar o porquê das coisas serem como são e estarem como estão. Chegam ao ponto inacreditável de pensar que com a volta da ditadura tudo será melhor. Numa ditadura, algo como o que estamos vivendo já teria terminado há muito tempo, só que num banho de sangue.

Depor um presidente corrupto e colocar outro corrupto no lugar, pensando ser este o salvador da pátria, não é solução para nenhum lugar do mundo, muito menos no Brasil, onde o sistema político é todo errado. Parar a nação e gerar incalculáveis prejuízos a diversos setores que já se encontram de certa forma fragilizados pelos longos períodos de crise que vivemos, não é uma atitude inteligente e pode ser até mesmo denominada como burra. Radicalismo também necessita de conhecimento e estratégia. De que adianta derrubar um governo deixando o país arruinado? Como se reerguer após uma devastação em diversas áreas econômicas e sociais? O Japão se transformou após bombas atômicas e tsunamis, mas o Japão é exemplo de lugar disciplinado. Enquanto isso, no Brasil reina o jeitinho de que com o mínimo de esforço podemos alcançar grandes objetivos.

Os verdadeiros caminhoneiros, pais de família que trabalham em condições precárias e buscaram legitimamente a obtenção de seus direitos, foram atendidos e agora se sentem acuados frente a um movimento paralelo que se infiltrou a fim de obter vantagens na manifestação já instalada. É um verdadeiro caos que só nos leva cada vez mais para o fundo do poço em que já estamos.

O brasileiro deve, antes de mais nada, aprender a escutar, pesquisar e entender a dinâmica do mundo. Ser um povo consciente e honesto é premissa básica de toda nação que se preze. O que estamos vendo é uma guerra em que ao invés de minar as forças do inimigo, os guerreiros atuam diminuindo as suas próprias. É como estar num barco de madeira, retirando pedaços do casco e atirando no barco ao lado na esperança de que com o peso extra de madeira acumulada, o inimigo venha a afundar. No entanto, sem perceber já ter retirado tantas lascas de sua embarcação, que não restou se não uma tábua onde poderá se agarrar enquanto deriva no oceano de sua própria ignorância.

É redundante dizer que o problema do país é cultural, porém, é sempre necessário. Enquanto não nos tornarmos uma nação inteligente e com princípios, continuaremos sendo feito animais selvagens: gritando, batendo cabeça como bodes raivosos para no fim das contas continuarmos sendo aprisionados em currais, onde poderemos lamentar a nossa falta de dedicação em aprimoramento pessoal e intelectual e o peso na consciência decorrente de nossas atitudes, sejam elas aceitas ou não pela maioria.

O fósforo e a vela

O que as pessoas estão fazendo de si mesmas? Chamo este momento de reflexão para colocar sobre a mesa um saco repleto de frustrações que milhões de cidadãos estão carregando consigo ao longo dos anos de sua existência. Qual então é o foco deste artigo? Falar sobre o ser humano e sua capacidade de ser um fósforo. Isso mesmo, um fósforo.

O ser humano vive enclausurado em sua caixinha escura, inerte e sem motivação, até que algo o manipule e o estimule a esquentar sua cabeça e a queimar toda a sua energia, consumindo-se como um palito de madeira que não conhece o perigo de ser envolvido pela chama. Muitas vezes a raiva é o principal combustível de seu momento de incandescência. Entretanto, existem outros que preferem ser como velas, e usam sua criatividade e emoção para prolongar sua luz por toda a sua existência.

Durante minha vida conheci muitas velas e também muitos fósforos. Estes últimos, porém, parecem possuir o dom da multiplicação. As pessoas andam cada vez mais raivosas e com o pavio cada vez mais curto, como se todo o problema de suas vidas fosse culpa de quem lhe está à frente. A frase “gentileza gera gentileza” nunca foi tão necessária como atualmente. Numa rápida visita aos juizados especiais veremos as inúmeras insatisfações que norteiam a áurea de todos ali presentes. Sejam funcionários ou usuários, todos possuem seus conflitos internos. Usuários que sempre acham a prestação do serviço público péssima e colocam o peso de suas idas e vindas nos inúmeros funcionários que muitas das vezes, sequer os viram anteriormente. Servidores que saem de suas casas desmotivados por irem mais uma vez de encontro aos milhares de problemas alheios, como se sua função fosse na verdade a de um psicólogo.

Este é somente um breve relato vivido cotidianamente por mim. Mas o que será que não acontece de pior nos diversos outros mundos do serviço público? Delegacias que dia e noite são banhadas por problemas e casos deploráveis. Hospitais de urgência e emergência, presídios, prefeituras… Quantos usuários e servidores se digladiam dia a dia?… Uns querem apenas que seu problema seja resolvido rapidamente e que não se sintam menosprezados. Outros desejam apenas melhores condições de trabalho e que possam ser vistos como pessoas que também possuem problemas, e não como meras lixeiras onde todos depositam seus problemas e querem de alguma forma mágica, a solução instantânea.

Quando perguntei o que as pessoas estão fazendo de si mesmas, quis provocar um instante de pensamento sincero, onde todos pudéssemos nos colocar no lugar do outro por um simples minuto. Esta empatia é o que falta nos dias atuais. Pensamos que o outro está ali para nos servir, mas esquecemos que tratar como gostaríamos de ser tratados é premissa básica de todo bom entendimento.

Somos perfeitos em julgar e péssimos em admitir. Gostamos de apontar e odiamos que nos apontem. Curioso como os anos passam e as coisas simplesmente não mudam. Jesus já dizia há mais de dois mil anos que muitos viam um cisco no olho do outro, mas eram incapazes de perceber a trave em seu próprio olho. Vemos as falhas de nosso semelhante e não notamos a nossa própria.

Somos perfeitos na incompletude. Aniquilados em nossa deficiência moral e relutantes em admitir que o nosso direito termina quando começa o do outro. Somos bons estudantes de teoria e péssimos em aula prática. Ostentamos diplomas acadêmicos e o prestígio de meia dúzia de bajuladores, no entanto, somos condenados à reprovação constante na escola da vida em virtude de nosso modo de ser.

Claro que não generalizo toda a espécie ao colocar algumas expressões na primeira pessoa do plural, porém, enfatizo que para os que se dispõem a ser velas, dividir o mesmo espaço com um gigantesco número de fósforos é extremamente perigoso e hostil.

 

Salve-se quem puder

2018, ano de eleições e momento em que os nossos corações estarão repletos de sentimentos como: esperança, incredulidade, confiança e desânimo. Contraditórios e ao mesmo tempo complementares, tais sentimentos se alternam na balança do bom senso dos cidadãos conscientes que, por uma questão de escolha ou pura falta de opção, ainda permanecem no território brasileiro.

Ao vermos a novela Deus Salve o Rei, da rede Globo de televisão, percebemos o quão sutil e ao mesmo tempo incisiva é a crítica levantada pela emissora. O povo sempre sofre para arcar com os caprichos de um rei fútil. Impostos são criados para que comerciantes possam trabalhar, para que carroceiros possam estacionar suas carroças e para que qualquer um consiga atravessar a ponte que chega à cidade. Alguma semelhança com a nossa realidade atual?

Não é de hoje que pagamos pelos luxos e regalias de nossa classe governante. Impostos sobre impostos, pedágios, taxas absurdas como a instituição de áreas azuis nas cidades, onde temos que pagar para estacionar nossos veículos em espaços teoricamente públicos, e em contrapartida, não recebemos qualquer garantia de segurança e de integridade de nossos bens enquanto eles permanecem nos referidos locais.

Lamentável olhar para o nosso país e ver que de nada adianta esbravejarmos aos quatro cantos, pois simplesmente, quem faz as leis sempre encontra um meio de interpretá-las a seu gosto. Os três poderes são falhos e com as suas doses de corrupção instaladas e operantes. Ricos sempre ganham privilégios em relação aos pobres. O mal se impregnou nas casas governantes do país. Esse não é um “privilégio” exclusivo de Brasília.

Daqui a alguns meses as pessoas gritarão nomes de candidatos como se os mesmos fossem deuses, salvadores da pátria, na ilusão de que a partir de primeiro de janeiro de 2019 tudo seja diferente. Pessimismo à parte, não se muda uma forma de pensar e muito menos um sistema de governo da noite para o dia. Todos os candidatos que se mostrarem nestas eleições já terão os seus conchavos políticos e suas “obrigações” de campanha para com os seus coligados. É uma verdadeira troca de favores, senhores. Me ajude a ganhar que lhe dou um ministério. Depois é só fingir que não sabe de nada como um certo ex-presidente faz e está tudo certo.

As pessoas não acreditam em seus próprios erros. Preferem idolatrar um idiota do que se auto assumirem um. Há um ditado que diz algo semelhante a isso: o melhor modo de se evitar uma fuga de um presídio é fazer com que todos pensem que não estão presos. Assim acontece no Brasil durante décadas e décadas. Mantiveram o brasileiro acreditando que estavam fazendo tudo por ele, enquanto na verdade, estavam se divertindo às custas de sua ingenuidade e falta de conhecimento.

Várias são as pessoas que defendem a educação como a única forma de se mudar o país, e eu fico feliz ao ouvir tal afirmação. No entanto, não basta uma educação voltada para a formação acadêmica e produção de pessoas repetidoras de informações literárias. Precisamos de pessoas críticas! Que saibam se impor, pensar, que queiram propor um novo modelo de vida para si próprias e para as novas gerações.

Vivemos um grande avanço tecnológico e um imenso retrocesso cultural. As pessoas passam horas conversando em redes sociais sobre assuntos banais e não se preocupam em saber o que certos engravatados estão conversando num tal de STF. Ter o mínimo de curiosidade para sair da zona de conforto e tentar se inteirar de assuntos não muito agradáveis e pouco usuais para a grande massa do país, pode ser o divisor de águas entre se tornar um entendedor de seus direitos e deveres como cidadão; e um completo alienado emburrecido e escravizado pelo sistema político do país.

267, uma estrada reflexo do Brasil

Trafegar pela BR 267 se tornou uma desagradável aventura já há algum tempo. Além dos constantes acidentes, frutos da imprudência e imperícia de motoristas que perdem suas vidas e proporcionam longas filas de congestionamento, os inúmeros buracos nos fazem companhia durante toda a viagem.

Quem precisa fazer o percurso Bicas/Juiz de Fora já está acostumado, porém, não se alegra nem um pouco com a triste rotina enfrentada nessa estrada que diz muito sobre o país em que vivemos. A impressão que temos é de que o asfalto brasileiro é a base de água, pois basta uma pequena chuva para que o mesmo se esfarele e verdadeiras crateras se abram. Nossos impostos estão sendo depositados dentro de cada um desses buracos que os pneus de nossos veículos involuntariamente visitam a cada nova viagem pelo trecho.

É vergonhoso o que acontece no Brasil! Somos assaltados por governantes corruptos diariamente, pagando impostos absurdamente abusivos e sem termos o mínimo de retorno digno de nossos investimentos. O país da impunidade continua condenando a duras penas os trabalhadores de bem que literalmente sustentam a máquina administrativa, e consequentemente, alimentam o bolso de políticos cínicos que a cada 4 anos entram em nossas casas como verdadeiros Judas, a fim de nos ludibriar com suas histórias e trocar nossa confiança pela primeira nota de 50 que veem pela frente.

A impressão que tenho ao me deparar com uma nova equipe realizando uma operação tapa buraco é de que estão tentando me fazer de otário até a próxima garoa, já que a qualidade do trabalho é extremamente duvidosa e tem data de validade vencida antes mesmo de que possam conclui-lo.

É triste realizar um desabafo deste, porém, é necessário. Não podemos simplesmente nos contentarmos com as justificativas do governo de não poder fazer nada. O povo brasileiro merece respeito! Trabalhamos para que nossa qualidade de vida seja garantida, e o que recebemos em troca é exatamente o contrário. Até quando ficaremos parados vendo toda essa pilantragem acontecer? Até a próxima eleição?

Lamento dizer, mas tudo continuará do mesmo jeito que está. O problema do Brasil é muito mais sério do que pensamos. Não é uma classe política que contamina a nação; ela apenas potencializa os danos em larga escala. O problema do Brasil é cultural. Enquanto não cultivarmos o discernimento na mente das pessoas, continuaremos sofrendo com o conformismo e com a impressão de que o governo faz tudo por nós, e que na verdade ainda estamos em dívida com ele.

Viagem do nada ao tudo

Nem sempre temos algo a dizer. Nem sempre o que temos a dizer é útil. Vários dias se passaram desde a minha última postagem na coluna do jornal e nesse intervalo de tempo imaginei inúmeros temas que poderiam servir de referência para uma boa redação. No entanto, todos eles seriam mais do mesmo e se escrevesse sobre tais, estaria na verdade chovendo no molhado e não acrescentando nada de bom à atenção de todos os que se dispõem a dedicar um instante de seu dia para ler algumas das frases que aqui escrevo. Sendo assim, decidi escrever sobre esse processo sem saber ao certo em que ponto chegarei. Como sempre, algo guiará os caminhos das palavras e as conduzirão ao melhor objetivo.

Creio que toda essa abstinência de assunto seja um reflexo de tudo o que estamos vivendo hoje em dia. As informações se repetem como produtos fabricados em série. Vivemos o ciclo do modismo e às vezes a simples possibilidade de repetir algo já insistentemente massificado é consideravelmente desanimadora.

Falar sobre violência, crise, costumes, política… acredito que nada disso fará mudar o cenário desastroso de nosso país. Bom mesmo é falar de esperança. E por mais que tenhamos dificuldades em encontrá-la, podemos ter certeza de que ela sempre existirá para aqueles que acreditam nela.

A maior parte das pessoas que se humilham por um pedaço de pão, na verdade mesmo estão necessitadas de uma migalha que seja de esperança; visto que a dificuldade que enfrentam não deve ser permanente se elas não deixarem. É preciso acreditar que o futuro começa daqui a um segundo e que ele só depende do que faremos com ele. 90% das pessoas que dizem “eu não consigo”, sequer reservaram 5 minutos para tentar; e se tentaram, desistiram antes mesmo de pensar em aprender.

O bloqueio que criamos em nosso inconsciente é a chave que nos isola das inúmeras possibilidades que poderíamos vivenciar e que acabamos cerceando de nós mesmos. O que muitos chamam de inteligência é antes de mais nada, humildade. Humildade em reconhecer que é dono de uma incrível ignorância e que através de sua curiosidade e persistência pode se tornar alguém um pouco mais pensante. Importante frisar que inteligência em nada se confunde com conhecimento. Qual a diferença entre ambos? Deixo aqui um tema para o dever de casa de quem se dispuser a pesquisar. Como sugestão, cito “Inocência, Conhecimento de Encantamento” de Osho. Um incrível livro de aprimoramento pessoal.

Ao fim dessa pequena caminhada percorrida desde a primeira frase do texto, cheguei a um ponto um pouco mais lúcido em comparação ao de onde parti. Não queria falar de 2018, ou de Copa do Mundo, eleições ou do Lula. Queria algo diferente, assim como quero que as pessoas que leem minha coluna sintam algo diferente e se mostrem à sociedade como seres humanos críticos e humildes. Sabedores de sua pequenez, mas extremamente capazes de enxergar em si e em todos os seus irmãos espalhados pelo planeta Terra a incrível grandeza que existe dentro de cada simples coração.

Efeitos do envelhecimento da população brasileira

É notório que a expectativa de vida do brasileiro está aumentando. Doenças fatais há até poucos anos, hoje são facilmente curadas em questão de dias. Hábitos mais saudáveis de alimentação – apesar do consumo de industrializados -, aliados a uma constante inovação medicinal, estão contribuindo muito para um novo perfil social no país. Mas quais os efeitos dessa nova sociedade? As mudanças vão muito além de uma reforma previdencial.

O estilo de vida está mudando. A correria das grandes cidades se contrasta cada vez menos com um público que apesar de querer ver a vida devagar, deseja aproveitá-la rapidamente e de todas as formas possíveis. Não à toa, projetos voltados à terceira idade são cada vez mais comuns. Ficar sentado fazendo tricô é cada vez mais coisa do passado. Os idosos de hoje são mais ativos do que muitos jovens de 20 anos.

Qual a consequência de tudo isso? Teremos aposentados recebendo seus benefícios por um período maior. Mais gastos para o governo? Sim. Porém, mais alegria para as famílias que poderão conviver entre gerações distintas por mais tempo. E como deve ser bom aprender com um avô…

A indústria farmacêutica tende a crescer neste segmento de modo a atender uma nova demanda de pacientes. O mesmo acontecerá com o entretenimento, esporte, lazer e artes em geral.

Segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro aumentou em mais de 30 anos desde 1940 até hoje. Santa Catarina é o estado brasileiro que apresenta o maior índice de longevidade; e as mulheres tendem a viver em média, 7 anos mais que os homens. Vivemos uma efervescente era de constantes inovações e descobertas; e não podemos negar que inúmeras delas têm contribuído bastante para alcançarmos outros patamares de desenvolvimento, ainda que estes ainda sejam irrisórios frente aos países mais desenvolvidos do globo.

Das várias faces dessa mesma moeda é inegável admitir que todas elas convergem para um único ponto: o de que conseguimos evoluir como nação e que devemos encarar este índice como o mais benéfico e prazeroso desafio que já enfrentamos; pois, na verdade, não há nada de mau em viver mais alguns anos de juventude plena.