A mesa sempre posta

Nas décadas de 70, 80 e 90, o saudoso Chicre Farhat escreveu várias crônicas para O MUNICÍPIO sobre personalidades biquenses, ressaltando nelas qualidades de caráter e de personalidade, muitas vezes despercebidos no dia a dia. Verdadeiras pérolas que, em novembro de 1983, foram reunidas em uma publicação lançada pelo prefeito Gilson Lamha. Posteriormente, Chicre continuou a usar sua brilhante mente para enaltecer outras personalidades. Assim sendo, em homenagem ao autor e aos seus personagens, tudo será republicado. A saudosa Dona SUAD é a personagem da vez…

(Crônica do saudoso Chicre Farhat, publicada no jornal O MUNICÍPIO, em 31 de outubro de 2002)

Ivan de Castro

Nas décadas de 70, 80 e 90, o saudoso Chicre Farhat escreveu várias crônicas para O MUNICÍPIO sobre personalidades biquenses, ressaltando nelas qualidades de caráter e de personalidade, muitas vezes despercebidos no dia a dia. Verdadeiras pérolas que, em novembro de 1983, foram reunidas em uma publicação lançada pelo prefeito Gilson Lamha. Posteriormente, Chicre continuou a usar sua brilhante mente para enaltecer outras personalidades. Assim sendo, em homenagem ao autor e aos seus personagens, tudo será republicado. O saudoso Ivan de Castro é o personagem da vez… 

(Crônica do saudoso Chicre Farhat, publicada no jornal O MUNICÍPIO, em 31 de março de 2003)

Atica Farhat de Castro

Perfis biquenses

Nas décadas de 70, 80 e 90, o saudoso Chicre Farhat escreveu várias crônicas para O MUNICÍPIO sobre personalidades biquenses, ressaltando nelas qualidades de caráter e de personalidade, muitas vezes despercebidos no dia a dia. Verdadeiras pérolas que, em novembro de 1983, foram reunidas em uma publicação lançada pelo prefeito Gilson Lamha. Posteriormente, Chicre continuou a usar sua brilhante mente para enaltecer outras personalidades. Assim sendo, em homenagem ao autor e aos seus personagens, tudo será republicado. A saudosa dona Atica Farhat de Castro é a personagem da vez…

(Crônica do saudoso Chicre Farhat, publicada no jornal O MUNICÍPIO, em 30 de abril de 2000)

Emil setentão

O que um irmão pode dizer do outro com a necessária isenção. Que depoimento posso dar sobre o Emil, quando ele completa setenta anos.

Claro, há natural emoção que brota fundo, que vem do mais íntimo. É a força inelutável do sangue, dos inúmeros sentimentos em comum, de um convívio fraterno.

Mas trago dois fatos para julgamento (um pessoal, outro de interesse público), e creio assim prestar minha homenagem com maior rigor ético e sem maiores derramamentos.

Em setembro de 1940 perdíamos nosso pai. Tinha, então, 13 anos, e estudava interno no Instituto Granbery, em Juiz de Fora.

Naquele desespero, a primeira reação em casa, foi de que eu devia sair do colégio, muito caro, para trabalhar no Bar Memphis, que possuíamos, e ajudar minha mãe e sete irmãs.

A palavra de Emil, na época, encerrou o assunto:

– Não, o Chicre vai continuar os estudos. Tentarei fazer opor ele o que o papai fez por mim.

Nas férias, em dezembro, fui com ele ao o Rio.

Uma noite, voltava do cinema e o encontrei debruçado sobre um livro enorme.

Ele esclareceu:

– É um livro em francês. Estou traduzindo. O dinheiro desse trabalho vai assegurar o seu 2º ano no Granbery.

Vocês podem imaginar o que senti. O Emil vivia apertado. Seu ordenado mal dava para ajudar em casa, e o apartamento onde morava, ele o dividia com cinco outros amigos. Todo aquele duro esforço era só para pagar os meus estudos…

E assim foi durante os seis anos que permaneci no Granbery.

Ao longo de sua vida, a generosidade tem sido uma constante. Por isto embora seja
um lutador infatigável e tendo alcançado inúmeras vitórias em tudo que se envolveu: na literatura, na publicidade e no jornalismo, não se enriqueceu.

Quando fui para o Rio, cursar a Faculdade de Direito, o caminho estava aberto. O Emil
já era um dos chefões da Mac Erickson, a maior agência de propaganda do país e a terceira do mundo. Viajara por todo o Brasil, pelas três Américas, pela velha Europa, o Oriente. O menino pobre do Maripá vencera, tornara-se um cidadão do mundo.

Dominando também o inglês, tendo traduzido deste idioma toda a obra de Gibran Kalil Gibran, ele ampliou seu horizonte cultural, e trouxe a público, entre outros, dois grandes livros hoje considerados clássicos: “O país dos coitadinhos” e “Educação, a nova ideologia”, ambos com várias edições e esgotados.

E lhes conto o segundo fato:

Após um almoço e longa conversa, o ex-prefeito Amílcar Rebouças queixou-se, em dado momento, da velha prefeitura, caindo aos pedaços, muito pequena, não mais comportando os serviços municipais. O Emil prontamente retrucou-lhe:

– Não seja por isto. Sou dono da metade do terreno lá da Praça Raul Soares. Está a sua disposição.

O Amílcar emocionou-se. Aquele gesto a todos nos comoveu e imediatamente o acompanhamos na doação. E surgiu o Centro Cívico D. Ássima Farhat.

Aí está o ex-prefeito para confirmar a história.

Sem dúvida, viver setenta anos assim meu caro irmão, é uma benção de Deus.

(Crônica do saudoso Chicre Farhat, em homenagem ao, também, saudoso Emil Farhat, publicada no jornal O MUNICÍPIO, em 09 de setembro de 1984)

Thelmo Dutra de Rezende

Perfis biquenses

Nas décadas de 70, 80 e 90, o saudoso Chicre Farhat escreveu várias crônicas para O MUNICÍPIO sobre personalidades biquenses, ressaltando nelas qualidades de caráter e de personalidade, muitas vezes despercebidos no dia a dia. Verdadeiras pérolas que, em novembro de 1983, foram reunidas em uma publicação lançada pelo prefeito Gilson Lamha. Posteriormente, Chicre continuou a usar sua brilhante mente para enaltecer outras personalidades. Assim sendo, em homenagem ao autor e aos seus personagens, tudo será republicado. O saudoso Almirante Thelmo Dutra de Rezende é o personagem da vez…

(Crônica do saudoso Chicre Farhat, publicada no jornal O MUNICÍPIO, em 28 de outubro de 1984)

Gilson Lamha

Perfis Biquense

Nas décadas de 70, 80 e 90, o saudoso Chicre Farhat escreveu várias crônicas para O MUNICÍPIO sobre personalidades biquenses, ressaltando nelas qualidades de caráter e de personalidade, muitas vezes despercebidos no dia a dia. Verdadeiras pérolas que, em novembro de 1983, foram reunidas em
uma publicação lançada pelo prefeito Gilson Lamha. Posteriormente, Chicre continuou a usar sua brilhante mente para enaltecer outras personalidades. Assim sendo, em homenagem ao autor e aos seus personagens, tudo será republicado. O saudoso prefeito Gilson Lamha é o personagem da vez…

(Crônica do saudoso Chicre Farhat publicada no jornal O MUNICÍPIO, em 11 de outubro de 1970)

Francisco Retto Filho

Perfis biquenses

Nas décadas de 70, 80 e 90, o saudoso Chicre Farhat escreveu várias crônicas para O MUNICÍPIO sobre personalidades biquenses, ressaltando nelas qualidades de caráter e de personalidade, muitas vezes despercebidos no dia a dia. Verdadeiras pérolas que, em novembro de 1983, foram reunidas em uma publicação lançada pelo prefeito Gilson Lamha. Posteriormente, Chicre continuou a usar sua brilhante mente para enaltecer outras personalidades. Assim sendo, em homenagem ao autor e aos seus personagens, tudo será republicado. O saudoso Francisco Retto Filho é o personagem da vez…

Deixem-nos tratá-lo de “CHICO RETTO”, pois foi assim que os biquenses aprenderam a admirá-lo e a estimá-lo.

Era ele uma figura singular, de fala e gestos mansos; ninguém porém, o superava nas firmezas das ideias e na determinação de sua vida, cuja trajetória, repleta de calor humano, foi um orgulho dos contemporâneos.

Foi um homem fiel à sua terra e à sua gente, participando como poucos de todos os grandes acontecimentos cívicos destas últimas décadas.

Biquense de Maripá, fazia parte daquele grupo admirável de cidadãos que, vindos para Bicas, aqui formaram o núcleo dos primeiros líderes e homens públicos, que haviam de tornar a nossa terra estruturada politicamente e emancipada no seu futuro.

Cidadão prestante, cavalheiro sempre pronto para as iniciativas úteis e generosas, devemos a ele, com a modéstia que o caracterizava, comoventes gestos de solidariedade humana, que fazia questão de guardar de toda e qualquer publicidade.

Abjurava o egoísmo e não gostava de lidar com os falsos, os oportunistas, os que não soubessem manter a nitidez de atitudes e a clareza das intenções. Resistia ao seu jeito, como autêntico mineiro, com calma, sem rompantes ou gestos apressados.

Tínhamos nele o irmão mais velho, o conselheiro das nossas angustiosas lutas políticas – e sobretudo – víamos nele o exemplo, a desambição, a retidão do caráter, o idealismo permanente.

Aquele “Chico Retto”, grande beque do Esporte, ou o “CHICO” fazendeiro, passando empertigado no seu belo cavalo, rumo as suas terras, que ele tratava com carinho e conhecimento, sempre atento ao que de mais moderno havia nas lides rurais, ou ainda o velho “CHICO” já dono do cinema, pronto para uma conversa, a troca de ideias, com aquele espírito aberto, jovial e arejado, sabendo ouvir para depois melhor dizer – esse homem de bem, simples, honrado e limpo, vai deixar uma saudade enorme.

Homens como ele não se substituem. Por isso mesmo, depois da sua morte, Bicas se tornou menor e há um vazio imenso em nossos corações.

(Crônica do saudoso Chicre Farhat, publicada no jornal O MUNICÍPIO, em 28 de julho de 1968)

Conceição Machado Veiga

Perfis biquenses

Na década de 80 e 90, o saudoso Chicre Farhat escreveu várias crônicas para O MUNICÍPIO sobre personalidades biquenses, ressaltando nelas qualidades de caráter e de personalidade, muitas vezes despercebidos no dia a dia. Verdadeiras pérolas que, em novembro de 1983, foram reunidas em uma publicação lançada pelo prefeito Gilson Lamha. Posteriormente, Chicre continuou a usar sua brilhante mente para enaltecer outras personalidades. Assim sendo, em homenagem ao autor e aos seus personagens, tudo será republicado. A saudosa Dona Conceição Machado Veiga é a personagem da vez…

Quando recebi das mãos de Dª Conceição Machado Veiga a placa que o jornal “O Município” me homenageava pelos setenta anos, senti logo que José Maria e Carlos Augusto Machado Veiga desejavam ir bem além no carinho e na sensibilidade.

Dª Conceição significava a importância maior, era como emblemática referência, que honra qualquer pessoa. Essa austera e exemplar figura humana, filha de um líder, fundador de cidades da nossa região, o Cel. Bertoldo Machado. Dª Conceição Machado Veiga bem traduz as virtudes da mulher mineira, no recato e singeleza, cercada da ternura de todos os seus.

Com José Maria Veiga formava belo par de marcadas tradições. Era o casal perfeito, que aglutinava, sabia receber, e ser fiel até as fundas raízes da generosa amizade.

José Maria Veiga e Conceição Machado Veiga são legendas e histórias, são símbolos, pontos de referência. Ninguém deixou de colher deles compreensão e solidariedade.

Seria o óbvio ululante, no dizer de Nelson Rodrigues, nosso primeiro dramaturgo, ficar aqui escolhendo adjetivos para bem caracterizar aqueles que já foram aprovados com louvor pela opinião pública.

Quem conhece os filhos de José Maria Veiga e Conceição, e acompanha a vida da cidade, sabe que Bicas nada deve na qualidade de sua gente, na identidade superior de criaturas que nos orgulham.

Acamada, Conceição Machado Veiga, biquense de Maripá, receba a modesta visita que ora lhe faço, perdoando com sua imensa fé cristã, o que faltou dizer da esposa e mãe, avó e irmã extremada, da amiga sincera, sobretudo da cidadã mineira.

Trago-lhe do fundo do peito um buquê de rosas. Com justiça, rendo-lhe meu preito de gratidão por sua existência e o que ela representou e representa de lição aos conterrâneos.

A vida precisa ter momentos de paz, o reencontro de consciências, a autocrítica. A beleza em cultivar a humildade intelectual e mirar os que enriquecem o patrimônio moral ao ser humano.

Conceição Machado Veiga se impõe com solar evidência, a pureza de sentimentos, sem afetação ou arrogância. A força da autoridade vem da sua delicadeza. Ela diz tudo em silêncio. Está presente mesmo na ausência… Eis o grande paradoxo dos que realmente comandam. Vêm de um tempo mágico esses valores autênticos, o veio tão rico, que não necessita de ordens e imposições. Apenas reflexões e bom senso.

Bicas e Maripá rompem fronteiras, rasgam horizontes, e acima de miúdas convenções do atraso e tolo provincialismo, acatam a soberana verdade dos campeões da fraternidade.

Sem essa riqueza interior imaculada, o mundo não teria compaixão, nem grandeza. Sem a grande dama de duas cidades, Conceição Machado Veiga, pouco valeria viver na aridez do egoísmo e da fria ambição.

Prefeita Wanda

Perfis biquenses

Na década de 80 e 90, o saudoso Chicre Farhat escreveu várias crônicas para O MUNICÍPIO sobre personalidades biquenses, ressaltando nelas qualidades de caráter e de personalidade, muitas vezes despercebidos no dia a dia. Verdadeiras pérolas que, em novembro de 1983, foram reunidas em uma publicação lançada pelo prefeito Gilson Lamha. Posteriormente, Chicre continuou a usar sua brilhante mente para enaltecer outras personalidades. Assim sendo, em homenagem ao autor e aos seus personagens, tudo será republicado.

Ela é uma criatura iluminada, de alto astral, identificada com as graças do céu. Muito católica, tem mesmo jeito de quem está em permanente oração. Aliás, seu marido, meu velho camarada de toda vida, certa vez comentou:

– Fomos felizes no casamento, ainda bem. É desgraça não ter paz em casa. Sou indisciplinado. Tive mais sorte do que você. Minha mulher é santa, já canonizada.

Eles se conheceram nem nosso casarão, onde hoje está o Centro Cívico Dª Assima Farhat. Natural de Santa Helena, sempre que vinha a Bicas visitava a amiga Laila, minha irmã caçula. Num desses encontros, a Laila avisou o “pretendente”, que “suspirava” interessado pela jovem fazendeira.

Cedo casaram-se em primeiro e definitivo amor. Tiveram quatro filhos: Jussara, Juliana, Áurea e Gilson, todos formados, compondo ao estilo mineiro uma família carinhosa e unida, que estimei ao longo da existência. Ah! Quantas coisas teria para contar nesta funda e escura saudade do meu outono.

Quando me enfartei, ela já viúva, telefonou-me confortando-me, dizendo que meu amigo enfrentara o mesmo problema e se saíra bem, apesar de rebelde às prescrições médicas. Insistiu em oferecer-me um almoço, assim que viesse a Bicas para festejarmos a minha recuperação. Almoço que aconteceu com a fidalguia costumeira.

Sua casa vivia cheia. A hospitalidade, o saudável humor do casal, a generosidade em tudo que fazia era um convite permanente. Estimado e habilidoso, não foi difícil ao companheiro ingressar na vida pública, ser vereador e depois prefeito por duas vezes, assumindo incontestável liderança.

Discreta, sem afetação, exemplarmente ajudou os excluídos, no bom combate, participando até das festas carnavalescas. Na última campanha eleitoral, já no final, o marido teve a candidatura à chefia do município impugnada. E às pressas, num lance audacioso, ela aceitou o derradeiro sacrifício, ambição que jamais sonhara.           

Em instantes de fortes desafios, quando o ser humano é capaz de torpes vilanias, tornou-se a primeira prefeita da história de Bicas! Diferentes ilações acompanharam aqueles momentos de bravura. Mas uma prevaleceu como verdade solar, acima de qualquer fanatismo ou da vesga ótica.

WANDA CORRÊA LAMHA era unanimidade de virtudes. Trazia o coração limpo de mágoas, a doce presença de equilíbrio, ungida da fé religiosa, dessas capazes de remover montanhas bíblicas. Predestinada cidade que ainda encontra esses veios de preciosas reservas morais, e no calor da batalha e das tempestades, sabe escolher o caminho da paz e o seguro abrigo.

Oposição e governo, apaixonadas facções, em momento de lucidez, que honrou a todos, abriu a passagem a concórdia e homenageou a frágil conterrânea, que só exibia a força de sua dignidade, sem o envolvimento do frio ódio.

No gesto de sabedoria, Bicas cresceu, e proclamou com orgulho e independência a maioridade política.

(Crônica do saudoso Chicre Farhat, publicada no jornal O MUNICÍPIO, em 31 de março de 2000)

A lápide de um Bravo

(Crônica do saudoso Chicre Farhat, publicada no jornal O MUNICÍPIO, em 06 de março de 1988)