Um causo à parte / Memórias / A alma do negócio

A alma do negócio

Desde quando inventaram o dinheiro, o homem vem usando a criatividade para captá-lo. Zé Longo tinha um bar perto da Estação, vizinho do Açougue do Lourinho. O negócio andava meio borocoxô e precisava de uma injeção de ânimo, pois só tinha movimento de moscas…

Ele que era um marqueteiro nato, resolveu mudar seu espaço interno… Colou no teto rótulos de bebidas, colocou uma estufa para conservar os salgadinhos de ontem e, principalmente, afixou uma lista com os nomes dos bêbados, com a data de seus óbitos…

Aquilo logo causou um alvoroço. Nós, curiosos, íamos lá: “Cheiroso”, morte até junho; “Mário Lobisomem”, não passa de setembro; “Valdevino”, a qualquer momento. Não me lembro se a lista acertou algum prognóstico…

E assim, o bar aumentou a frequência e também o faturamento. Os citados na lista ficaram uma fera, mas como naquela época não existia a baboseira do politicamente correto, ficou o dito pelo não dito.

Zé Longo com seus olhos claros, sorriso rotineiro e humor esquisito, nos deu uma aula de como aumentar as vendas…

Bicas surfando na onda!

Um causo à parte / Memórias / Tesoura voadora

Tesoura voadora

Nossa rua era muito antenada. Armamos um ringue com quatro estacas amarradas com corda de bacalhau e deixamos tudo pronto para o “telecatch”…

O juiz tinha que ser um moleque mais velho e honesto. Cachaço era da nossa idade, porém grande e forte, o danado batia em todo mundo. Paulo da Durica tentou dar uma tesoura voadora nele e ficou pela metade… suas pernas ficaram presas em seu pescoço.

Cachaço aproveitou e aplicou-lhe um golpe encostando suas costas no chão;  assim, ganhando mais uma luta…

Passamos um bom período com essa brincadeira meio pesada, que era fruto de um programa de televisão dos anos 60, que virou febre nacional. Quem é daquele tempo se lembra com facilidade de Ted Boy Marino, Tigre Paraguaio, Verdugo, Rasputin e muitos outros…

Eu ia no Bar do Agostinho todos os sábados assistir às lutas. Esse sucesso se deveu, principalmente, à popularização da televisão e à teatralidade das lutas.

Era o bem contra o mal. Teve lutador que virou ídolo e fez carreira longa na tevê. Eu apanhava, mas me divertia no campinho da Rua do Brejo…

Bicas engalfinhada.