Rodovias federais de Juiz de Fora têm 32 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes
Estradas que passam pelo município têm o dobro de pontos com risco alto do que o total nacional, em porcentagem
Tribuna de Minas – Por Hugo Netto
06/07/2025 às 07h00

As rodovias federais que passam por Juiz de Fora, BR-040 e BR-267, têm 32 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes registrados em 2023, o dado mais recente. São onze pontos de alimentação, seis bares, cinco postos de combustível, quatro obras de arte, três outros comércios formais, dois comércios informais e uma área não edificada.
Dezessete desses pontos estão na BR-040 e 15, na BR-267. Nove deles (28,1%) são de risco alto, oito (25%) são de risco médio e 15 (46,9%) de risco baixo. Os dados são da 10ª edição da Pesquisa Mapear, uma iniciativa da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em parceria com a Childhood Brasil, realizada a cada dois anos. É importante destacar que os pontos mapeados não são necessariamente pontos de efetiva exploração sexual.
Os riscos são medidos por perguntas, cada uma com um peso. O levantamento também disponibiliza o resultado dessas avaliações realizadas pelas equipes. Como cada ponto é visitado em diferentes dias, e em diferentes horários, pois a criticidade pode mudar. Em 18,64% havia constante presença de crianças. Em 66,1%, havia consumo de bebidas alcoólicas e, em 5%, tráfico de drogas. Prostituição de adultos também acontece em 3,39% dos casos.
A coleta de informações é feita com um questionário preenchido pelos próprios policiais. As respostas são armazenadas em um banco de dados e analisadas por um sistema. Também são utilizados indicadores e novos dados para verificar a vulnerabilidade de forma objetiva, de acordo com a Childhood.
Risco alto em Juiz de Fora é o dobro do nacional
Enquanto 28% dos pontos são de risco alto em Juiz de Fora, a porcentagem nacional é de 14,5%, quase metade.
A superintendente de Programas e Relações Empresariais da Childhood Brasil, Eva Dengler, confirma que isso traz, naturalmente, uma preocupação para a região. “Podem ser duas situações”, ela explica: “Ou a gente está com um alto grau de vulnerabilidade social na região, que faz com que as próprias crianças e adolescentes e suas famílias estejam procurando uma solução para isso através da exploração sexual – o que é totalmente inadequado, obviamente – ou nós estamos falando de uma situação em que nessa região existe um grande trânsito de cargas importantes, que outras redes criminosas estejam usando crianças e adolescentes como forma de chamariz”.
Em muitos lugares, também podem acabar se juntando os dois fatores. Por isso, é necessária uma verificação maior por partes dos serviços públicos locais, como Conselho Tutelar, Polícia Civil e Polícia Militar, inclusive apoiando a PRF.
Importante destacar que “as rodovias são apenas o local onde o problema está se manifestando, mas não são elas as responsáveis pela situação e nem os estabelecimentos comerciais”.
Disque 100
Eva explica que a existência de pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes não é uma responsabilidade única, é um crime multifacetado: “O que os donos dos estabelecimentos podem fazer é, primeiro, estar cientes de que exploração sexual é um crime e começar a colocar uma segurança e um acompanhamento melhor desses locais, sem permitir a presença de crianças e adolescentes circulando por esses espaços”. O Poder Público também deve ser envolvido, com um acompanhamento mais constante dos locais.
“A proteção de crianças e adolescentes contra violências, especialmente contra violência sexual, é uma responsabilidade tanto da família, quanto da sociedade, quanto do Estado. Ou seja, todos nós estamos envolvidos”.
A presença constante de crianças e adolescentes sozinhos, assim como casos de abuso presenciados, devem ser denunciados pelo Disque 100, serviço disponibilizado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
A PRF também oferece o número de urgência e emergência 191 para denúncias de crimes próximos às rodovias federais e orienta que pais e responsáveis estejam atentos aos sinais de possível abuso, como mudanças repentinas de humor, comportamentos de aproximação ou rejeição a certas pessoas, e uso excessivo da internet.