Além do arco-íris

Depois que ela andou pelas ruas, sem parada, abriu a porta do quarto e sentou-se na cadeira. Passou a mão pela testa, encontrando as rugas. Seus olhos amendoados, que outrora foram armas para suas conquistas, não chamavam mais a atenção.

Aqueles lábios, antigamente carnudos, não passavam de peças crispadas e pálidas… Pensando no passado, a mulher, lembrou-se dos homens que podia escolher e outros tantos a queriam. Os poucos que se aproximaram dela, não conseguiram jogar a ancora por conta do mar revolto que a cercava.

Gênio complicado e vaidade nas nuvens eram seu cardápio principal: ostentação sempre foi seu brinquedo predileto … Assim, passou o tempo para a linda mulher, que quando deu por si, já tinha a solidão como a única companhia.

Com sacrifício, ajeitou-se em sua cama de solteiro (nunca se deitou em uma de casal), olhou para o retrato na parede, numa moldura empoeirada, e se viu aos vinte anos, e pensou que, antes de atravessar o arco-íris, ia pegar o pote de ouro no seu pé e encontraria finalmente a felicidade junto com um daqueles homens que desprezou. Bicas em preto e branco.